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sábado, 12 de outubro de 2013

A maioria política em Portugal

Nas recentes eleições autárquicas, e para além da forte abstenção de 47,4%, o nº de brancos e nulos foi 6,82%.
Mais do dobro que nas anteriores eleições.

54,2% dos eleitores não quis votar em nenhum dos partidos.

Temos então um imenso partido de silêncios, de hesitações, de falta de esperança. Um partido maioritário. Certamente unidos por factores comuns.

Não se reconhecem no governo, mas também não se reconhecem em qualquer dos outros partidos da Oposição.

Ignorando os que o fazem por, simplesmente, terem a inércia de não assumir posições civis - o que é assustador, uma vez que a democracia foi duramente conquistada - , temos certamente uma maioria silenciosa que tem vindo a aumentar. Desanimada e, pelos vistos, já completamente apartidária.

Temos:
- os que votaram num dos partidos do governo e se sentem agora órfãos de partido...cansados da demagogia absurda do principal partido da oposição, incapaz de reconstruir os cacos dos erros do passado e de assumir um compromisso para um pacto de regime;
- os que, tendo-se já reconhecido no principal partido da oposição, admitem agora ser necessário ir mais além no discurso, reinventá-lo, abandonar passados ideológicos e viver intensamente o perigoso presente,  com compromissos e sem apostar nas próximas eleições;
- os que tanto acreditaram na democracia e vêm agora, que a corrupção minou os principais partidos dos governos que se sucederam, incapazes agora de unir esforços para um compromisso comum;
- os que não entendem o imenso poder de um Tribunal Constitucional que, afinal de contas, governa de modo intemporal, aleatório e absurdo.

Houvesse um "Partido de Independentes", por enquanto livre da corrupção de seitas de poder, seria o próximo a governar. Com toda a inexperiência política de falta de troca de favores, mas com a estoicidade e heroísmo de quem não quer acreditar na falência do seu país.

Houvesse um partido de filósofos, sociólogos ou historiadores que apostasse na Educação como o mais relevante Ministério, e teriam um surpreendente apoio de tantos pais e mães que receiam pela incultura e impregabilidade dos seus filhos.

Houvesse um canal de media que só contasse o que de bem se faz neste país, e seria o meu único e exclusivo canal de notícias.

Houvesse uma supervisão de ética ao jornalismo que multasse os accionistas dos canais que permitem divulgação de notícias escabrosas e violentas que todos os dias inundam as nossas casas.

Houvesse um louco que, qual Papa Francisco que depois de eleito pelos seus pares, viesse a revolucionar sem medos a forma de exercer a sua função...e teria o meu voto. Um totalitarismo anti-democrático? Seja...que esta democracia apodreceu por entre o imenso betão do país.

A maioria silenciosa está exausta, é apartidária e não vota mais nestes partidos.