Quem viu um olhar seguro, um gesto brando
Uma suave e angélica excelência
Que em si está sempre as almas transformando
Que tivesse contra ela resistência?
(Camões in Lusíadas)
Serenidade.
É preciso tempo para curar tantas feridas abertas.
É tempo de evitar escalada de ódios irracionais entre aquilo a que teimam designar de "Direita" e "Esquerda", designações enferrujadas do tempo da Revolução Francesa. É tempo de discutir programas, de debater soluções e de não esquecer os nossos compromissos...não somos uma jangada de pedra...somos um país que faz parte de um colectivo que constrói há décadas um património de paz mundial. Foram necessárias duas Guerras Mundiais para entender como é fundamental assumir compromissos europeus.
É tempo de recuar estes ódios obsoletos...qual Estado Novo ainda em decomposição.
Lá virão depois os arrependimentos...de não se ter tido a inteligência de recuar, de repensar, de negociar.
(Como em futebol...que tempo este em que a rivalidade transcende o que é próprio do desporto...lá virão os recuos, os apertos de mão, um necessário apagar de memória.)
Nunca estivemos bipolarizados.
Se em política, só for possível governar em maioria absoluta, de que valeu lutar contra a ditadura? Não terem os políticos aprendido a sabedoria de governar em minoria e fazer uma oposição responsável, é de grande atraso cultural e afinal...um grande retrocesso na nossa maturidade democrática.
Fazer Oposição responsável deveria ser tão difícil quanto governar.
Não estamos a dar conta dos erros desta crispação inútil.
Pelos motivos que escrevi, entendo que esta escalada absurda de violência iniciou com a incapacidade de António Costa em assumir a adversidade da derrota. Pode recuar, com o mesmo engenho. Que faça melhor uso das suas habilidades tácticas...neste contexto veloz e complexo, é sempre tempo de corrigir trajectórias. Esse recuo havia de lhe conferir a dimensão de que são feitas as personalidades que vincam a História.
Tenho saudades de sentir a serenidade da nossa alma de portugueses.
E confio em que seja retomada.
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domingo, 25 de outubro de 2015
sábado, 24 de outubro de 2015
António Costa cairá no abismo que criou
Não tenho dúvidas sobre o título da minha reflexão.
Sobre António Costa:
1. Desrespeitou o recente sufrágio dos portugueses; acobardou-se no seu 2º lugar, incapaz de reconhecer que teve uma oportunidade histórica para vencer eleições no contexto mais duro desde que vivemos num regime democrático.
2. Usou de acordos precários e ainda totalmente desconhecidos - feitos de títulos fáceis e apelativos, como se os portugueses fossem destituídos de senso - com partidos de programas eleitorais profundamente diversos e opostos em vários temas; e assim se tornou refém de outros, que não o seu próprio partido, perdendo o comando das decisões.
3. Envergonhou a reputação do país, ressuscitou o medo e a insegurança; virou costas aos compromissos assinados pelo seu partido com os parceiros europeus, assim perdendo a força negocial para representar o país, a menos que use da arrogância desmiolada de um Syriza, com todas as repercussões negativas de que não será capaz de se desvincular.
4. Violentou os fundamentos da democracia...porque governar sem maioria absoluta deveria ser natural; trocou o lugar de forte Oposição pelo poder a qualquer preço.
5. Violentou o espaço de 1º Ministro.
7. Desrespeitou totalmente a decisão do Presidente da Republica que deveria ser constitucionalmente aceite, mesmo que discordando.
8. É desprovido de ética ao não aceitar que os deputados devem ter consciência, antes da disciplina de voto...se assim fosse, bastaria um deputado por partido.
9. Baniu da sua memória aquilo que o Presidente da República lembrou: em Portugal, os 2 partidos mais sufragados sempre se souberam entender a bem do país, e o PS governou com menos deputados que a 1ª força política actual, com o respeito democrático do PSD.
10. Rompeu com a harmonia e civismo na Assembleia da República, incendiando Ferro Rodrigues para um discurso de total cisão e provocação, num lugar que deveria ser de consensos...após uma respeitosa prestação de Assunção Esteves, com os parabéns de todas as forças partidárias...uma vergonha, senhor Ferro Rodrigues.
Por isto...António Costa criou um abismo no país, usurpou o poder, apunhalou mortalmente os fundamentos democráticos em que temos sabido viver.
Promete o que é impossível cumprir, a menos que use de contabilidade criativa que, algures, venha a ter que ser resolvida por outros.
António Costa não é de esquerda nem de direita, é um homem que quer poder.
Será vítima dos mesmos golpes baixos que usa...o seu brinquedo não deveria ser o país onde vivo e que amo profundamente.
Acabo com uma citação de Sun Tzu:
A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o seu preço.
O preço da sua aparente vitória, camarada António Costa, será a queda no profundo abismo que criou. E é porque isto é uma realidade, que não receio o futuro.
Sobre António Costa:
1. Desrespeitou o recente sufrágio dos portugueses; acobardou-se no seu 2º lugar, incapaz de reconhecer que teve uma oportunidade histórica para vencer eleições no contexto mais duro desde que vivemos num regime democrático.
2. Usou de acordos precários e ainda totalmente desconhecidos - feitos de títulos fáceis e apelativos, como se os portugueses fossem destituídos de senso - com partidos de programas eleitorais profundamente diversos e opostos em vários temas; e assim se tornou refém de outros, que não o seu próprio partido, perdendo o comando das decisões.
3. Envergonhou a reputação do país, ressuscitou o medo e a insegurança; virou costas aos compromissos assinados pelo seu partido com os parceiros europeus, assim perdendo a força negocial para representar o país, a menos que use da arrogância desmiolada de um Syriza, com todas as repercussões negativas de que não será capaz de se desvincular.
4. Violentou os fundamentos da democracia...porque governar sem maioria absoluta deveria ser natural; trocou o lugar de forte Oposição pelo poder a qualquer preço.
5. Violentou o espaço de 1º Ministro.
6. Fracturou o partido onde cresceu e que o elegeu na sequência de golpes baixos ao seu antecessor; fracturas que surgirão a seu tempo... desconfigurou o seu partido, por ora acenando com o fascínio do poder para todos, como se ninguém tivesse consciência, memória ou pensamento próprio.
8. É desprovido de ética ao não aceitar que os deputados devem ter consciência, antes da disciplina de voto...se assim fosse, bastaria um deputado por partido.
9. Baniu da sua memória aquilo que o Presidente da República lembrou: em Portugal, os 2 partidos mais sufragados sempre se souberam entender a bem do país, e o PS governou com menos deputados que a 1ª força política actual, com o respeito democrático do PSD.
10. Rompeu com a harmonia e civismo na Assembleia da República, incendiando Ferro Rodrigues para um discurso de total cisão e provocação, num lugar que deveria ser de consensos...após uma respeitosa prestação de Assunção Esteves, com os parabéns de todas as forças partidárias...uma vergonha, senhor Ferro Rodrigues.
Por isto...António Costa criou um abismo no país, usurpou o poder, apunhalou mortalmente os fundamentos democráticos em que temos sabido viver.
Promete o que é impossível cumprir, a menos que use de contabilidade criativa que, algures, venha a ter que ser resolvida por outros.
António Costa não é de esquerda nem de direita, é um homem que quer poder.
Será vítima dos mesmos golpes baixos que usa...o seu brinquedo não deveria ser o país onde vivo e que amo profundamente.
Acabo com uma citação de Sun Tzu:
A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o seu preço.
O preço da sua aparente vitória, camarada António Costa, será a queda no profundo abismo que criou. E é porque isto é uma realidade, que não receio o futuro.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Carta ao Camarada mais Camarada de todos
Camarada: não menospreze esta carta aparentemente demasiado informal e em jeito de paródia; não subestime, há sempre estratégias mais diabólicas do que aquilo que possa engendrar, sobretudo quando não admite os seus erros. Esteja atento aos conselhos da pessoa que lhe escreve assim:
Camarada,
Fez muito bem, pá: não é preciso ganhar as eleições. A democracia é liberdade, pá! Vale tudo!
Olhe, fique já 1º Ministro e Presidente da República, não vá o 2º eleito pôr-se com ideias de fazer a mesma golpada; deve estar omisso na Constituição, por isso, passa.
Quanto à Catarina Martins, porreiro, pá: já se acalmou quanto aos assuntos europeus, que fique Ministra dos Negócios Estrangeiros e passa-lhe de vez!
O Jerónimo, bom...esse é honesto...se calhar vem com a lengalenga do Estado Novo e lembra-se que é contra as ditaduras, e esta jogada parece coisa igual...mas diga-lhe que esta ditadura é das boas, feita com a malta, pá!
Isto até parece que é um golpe de Estado, mas não é: afinal, podemos juntar os votos da maneira que quisermos, assim como fazer puzzles. Voçê é mesmo esperto!
Olhe, mas ponha-se a pau com os do seu partido...há quem não lhe perdoe ter perdido as eleições, e pense que foi uma oportunidade desperdiçada e até histórica, com um contexto destes...'tá a ver, a malta agarra-se ao poder e não perdoa nada...podem-lhe fazer o mesmo, umas negociações e pimba, montam-lhe uma cilada assim com uma espécie de maioria negativa. Tenha lá cuidado...
Finalmente...se puder, arranje-me um empregozito...olhe que 'tou consigo!
Saudações, camarada!
Camarada,
Fez muito bem, pá: não é preciso ganhar as eleições. A democracia é liberdade, pá! Vale tudo!
Olhe, fique já 1º Ministro e Presidente da República, não vá o 2º eleito pôr-se com ideias de fazer a mesma golpada; deve estar omisso na Constituição, por isso, passa.
Quanto à Catarina Martins, porreiro, pá: já se acalmou quanto aos assuntos europeus, que fique Ministra dos Negócios Estrangeiros e passa-lhe de vez!
O Jerónimo, bom...esse é honesto...se calhar vem com a lengalenga do Estado Novo e lembra-se que é contra as ditaduras, e esta jogada parece coisa igual...mas diga-lhe que esta ditadura é das boas, feita com a malta, pá!
Isto até parece que é um golpe de Estado, mas não é: afinal, podemos juntar os votos da maneira que quisermos, assim como fazer puzzles. Voçê é mesmo esperto!
Olhe, mas ponha-se a pau com os do seu partido...há quem não lhe perdoe ter perdido as eleições, e pense que foi uma oportunidade desperdiçada e até histórica, com um contexto destes...'tá a ver, a malta agarra-se ao poder e não perdoa nada...podem-lhe fazer o mesmo, umas negociações e pimba, montam-lhe uma cilada assim com uma espécie de maioria negativa. Tenha lá cuidado...
Finalmente...se puder, arranje-me um empregozito...olhe que 'tou consigo!
Saudações, camarada!
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Sr.Costa: "O povo é quem mais ordena"!
Hoje, tive dificuldade em explicar a uma pessoa que não vive em Portugal, o que está a acontecer no nosso país. Não estranhou o facto de não haver maioria absoluta; as democracias maduras são feitas de entendimentos partidários, a bem de uma governação negociada e que evite os abusos possíveis de poder.
O que tive que explicar:
- o partido mais votado não tem que formar governo;
- o líder do 2º partido mais votado não reconhece essa derrota, nem pessoal, nem do partido, e acha-se com legitimidade democrática em vir a ser 1º Ministro...uma perversão digna dos mais loucos desígnios;
- mais, há quem se preste em esclarecer - com ar entendido e erudito - que isto pode ser constitucional pelo facto de se tratar de uma situação omissa, como senão fosse antes uma omissão por se tratar de uma situação anti-democrática. Extraordinário e ainda mais perverso raciocínio... As omissões são afinal perigosas por criarem espaços vazios para aproveitamento de fanáticos pelo poder.
Mas ainda, em crescente absurdo: o partido mais radical de esquerda - o Bloco de Esquerda -, que tanto infernizou a governação com a necessidade de renegociar a dívida soberana, afinal até disso abdica a bem da sua colaboração no Governo! Fabuloso...tamanha desonestidade intelectual não esperava de um partido que respeitava pela coerência. Os famosos que apregoam "o povo é quem mais ordena" esquecem-se das conquistas de Abril. A democracia foi conquistada para se submeter ao obscuro poder de quem não é maioritário.
O sr. Costa leu a vaidade dos 3º e 4ºs partidos e os previsíveis sacrifícios a bem da constituição de um Governo que derrube a força do que foi mais votado; acham-se com legitimidade para fazê-lo, qual "ditatura do proletariado" contra a "ditadura da burguesia"...permitam-me concluir: é mau demais para ser verdade e o próprio Marx abanaria a cabeça com tamanha perversão.
Portanto:
- os eleitores que votaram no partido vencedor são todos doidos e desprovidos da sabedoria dos que votaram nos outros partidos;
- os votos não são iguais, 1 voto no Partido Socialista vale mais que 1 voto no Partido da Coligação, são afinal eleitores mais qualificados, os outros que tenham paciência;
- os eleitores do PCP e do BE nem tinham que se ter incomodado em ir todos às urnas...visto que o 2º partido mais votado iria sempre recorrer a entendimentos com os 3º e 4ºs para ser 1º Ministro.
Vão agora os entendidos em análise política dizer que é bluff do sr. Costa, para forçar a Coligação a maiores cedências...não lhes passa pela cabeça que o sr. Costa gere mesmo a situação como um jogo de poker. Mesmo que venha a desviar-se afinal dos seus acordos de esquerda e virar-se para um pacto de regime, parece-me agora legítimo que o partido da Coligação entenda não haver condições mínimas de confiança para formar governo e forçar a única forma de assegurar estabilidade: maioria absoluta. É pena...porque as maiorias absolutas não são desejáveis.
E Passos Coelho, que tem desafiado as probabilidades, tem ainda que aceitar este exercício pela frente? não vejo porquê...se o 2º partido mais votado se acha com legitimidade para ser líder de governação, não vejo qual a legitimidade em levá-lo a sério para um pacto de regime. A menos que o líder mude, claro.
Sr. Costa: tem sorte com esta maioria de eleitores que não se vai manifestar, vai assistir silenciosamente ao seu circo de vaidades, conviver com nova subida de taxas de juro com penosas consequências para o nosso endividamento externo e demais impactos com que já convivemos.
(E não venha retorquir com o facto de não ser uma situação pioneira na Europa! Não nos vamos comparar com países com partidos europeístas e sem divergências fracturantes sobre compromissos externos...pare de usar retórica inútil!)
Tanto que gostaria de assistir a uma oposição responsável. É tão necessário que haja contrapesos, soluções diferenciadoras e uma permanente pressão para evitar os abusos das maiorias absolutas.
O tempo dirá; mas diria que António Costa está a traçar o seu próprio abismo. O feitiço vira-se contra o feiticeiro.
O Partido Socialista não merece este líder.
O que tive que explicar:
- o partido mais votado não tem que formar governo;
- o líder do 2º partido mais votado não reconhece essa derrota, nem pessoal, nem do partido, e acha-se com legitimidade democrática em vir a ser 1º Ministro...uma perversão digna dos mais loucos desígnios;
- mais, há quem se preste em esclarecer - com ar entendido e erudito - que isto pode ser constitucional pelo facto de se tratar de uma situação omissa, como senão fosse antes uma omissão por se tratar de uma situação anti-democrática. Extraordinário e ainda mais perverso raciocínio... As omissões são afinal perigosas por criarem espaços vazios para aproveitamento de fanáticos pelo poder.
Mas ainda, em crescente absurdo: o partido mais radical de esquerda - o Bloco de Esquerda -, que tanto infernizou a governação com a necessidade de renegociar a dívida soberana, afinal até disso abdica a bem da sua colaboração no Governo! Fabuloso...tamanha desonestidade intelectual não esperava de um partido que respeitava pela coerência. Os famosos que apregoam "o povo é quem mais ordena" esquecem-se das conquistas de Abril. A democracia foi conquistada para se submeter ao obscuro poder de quem não é maioritário.
O sr. Costa leu a vaidade dos 3º e 4ºs partidos e os previsíveis sacrifícios a bem da constituição de um Governo que derrube a força do que foi mais votado; acham-se com legitimidade para fazê-lo, qual "ditatura do proletariado" contra a "ditadura da burguesia"...permitam-me concluir: é mau demais para ser verdade e o próprio Marx abanaria a cabeça com tamanha perversão.
Portanto:
- os eleitores que votaram no partido vencedor são todos doidos e desprovidos da sabedoria dos que votaram nos outros partidos;
- os votos não são iguais, 1 voto no Partido Socialista vale mais que 1 voto no Partido da Coligação, são afinal eleitores mais qualificados, os outros que tenham paciência;
- os eleitores do PCP e do BE nem tinham que se ter incomodado em ir todos às urnas...visto que o 2º partido mais votado iria sempre recorrer a entendimentos com os 3º e 4ºs para ser 1º Ministro.
Vão agora os entendidos em análise política dizer que é bluff do sr. Costa, para forçar a Coligação a maiores cedências...não lhes passa pela cabeça que o sr. Costa gere mesmo a situação como um jogo de poker. Mesmo que venha a desviar-se afinal dos seus acordos de esquerda e virar-se para um pacto de regime, parece-me agora legítimo que o partido da Coligação entenda não haver condições mínimas de confiança para formar governo e forçar a única forma de assegurar estabilidade: maioria absoluta. É pena...porque as maiorias absolutas não são desejáveis.
E Passos Coelho, que tem desafiado as probabilidades, tem ainda que aceitar este exercício pela frente? não vejo porquê...se o 2º partido mais votado se acha com legitimidade para ser líder de governação, não vejo qual a legitimidade em levá-lo a sério para um pacto de regime. A menos que o líder mude, claro.
Sr. Costa: tem sorte com esta maioria de eleitores que não se vai manifestar, vai assistir silenciosamente ao seu circo de vaidades, conviver com nova subida de taxas de juro com penosas consequências para o nosso endividamento externo e demais impactos com que já convivemos.
(E não venha retorquir com o facto de não ser uma situação pioneira na Europa! Não nos vamos comparar com países com partidos europeístas e sem divergências fracturantes sobre compromissos externos...pare de usar retórica inútil!)
Tanto que gostaria de assistir a uma oposição responsável. É tão necessário que haja contrapesos, soluções diferenciadoras e uma permanente pressão para evitar os abusos das maiorias absolutas.
O tempo dirá; mas diria que António Costa está a traçar o seu próprio abismo. O feitiço vira-se contra o feiticeiro.
O Partido Socialista não merece este líder.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Legislativas em Portugal: um caso singular
(Começo por informar que - conforme já escrevi, algures - que tenho feito parte do eleitorado flutuante que, ora se reconhece numa minoria, ora admite a importância do "voto útil" em contextos críticos... porque "em tempo de guerra não se limpam armas").
Apesar da quase evidente falência do Estado...da necessidade de um resgate financeiro equivalente a cerca de metade do valor da produção do país...do ciclo vicioso de desemprego-quebra de natalidade-surto emigratório-quebra do consumo...do abrupto ajustamento ao menor poder de compra e ao "enorme" aumento de impostos...da difícil retoma económica em contexto de austeridade...dos nossos países de exportações em crise...da falência do enorme grupo Espírito Santo com uma armadilha de estilhaços ainda em contabilização crescente...da panóplia de greves absurdas com especial destaque para a vergonhosa greve de 10 dias da TAP...da constante mediatização de conflitos em quase todos os sectores...e tantos outros acontecimentos brutais que aconteceram nestes 4 anos, a coligação de governo voltou a ganhar. Um caso singular, único, por comparação a outros países em contextos equivalentes.
Mas eis que, afinal...os outros partidos sentem o obscuro poder de inviabilizar o governo. É absolutamente extraordinário mas infelizmente previsível...porque esta vitória deve-se, também, à ausência de contrapropostas credíveis.
Senhores dos partidos da oposição: leiam por favor os artigos internacionais de hoje que destacam a maturidade política do eleitorado português, num contexto tão difícil quanto o nosso. E respeitem essa vontade silenciosa da maioria...que se manifesta menos mediaticamente, mas com acção diária, com sacrifício, com exemplo, com "luta" para usar uma expressão que tanto usam em vão. Não esquecer a força do voluntariado social que tem vindo a ajudar as reais necessidades do aumento da pobreza...e em como essa força não é mediática, não se insubordina, não anarquiza, não viola o bom senso da tenacidade, não se ostenta nas aberturas dos noticiários.
Como é possível que leiam os resultados ao contrário...afinal, não deve governar o partido em quem os eleitores confiaram, mas sim a astúcia de acordos febris em torno do poder, como se a democracia fosse apenas e só um sistema de contagem de votos para esse efeito. Afinal, os partidos que mais se vangloriam da memória de "abril" - uma memória e património de todos os portugueses, em que me reconheço! - são capazes de desrespeitar a decisão do eleitorado, a bem dos seus interesses mesquinhos de contrariar o que a maioria votou...eles é que sabem do que o país precisa, e não o eleitorado. Afinal, o nossos sistema é uma oligarquia dos partidos menos votados...espantoso!
Em paralelo a este breve espanto político: confesso a minha admiração por Passos Coelho.
Aguentou...tudo e todos...as vozes dissidentes do seu partido...os contratempos do seu parceiro de coligação...os ataques pessoais...soube quebrar o que parecia ser um ciclo vicioso de dificuldades. Resistiu com tenacidade, não usou discursos inflamados e está longe da eloquência latina de manual de liderança, e até os nossos patéticos analistas políticos dizem que "perdeu" o 1º debate com o líder da oposição. Confessou-se um cidadão "imperfeito", não é ostensivo, não é provocador.
Afinal, foi a sua confiabilidade que venceu, contra todas as expectativas.
Um desafio à lei das probabilidades.
Se esta vitória já foi um milagre, é de uma grande desonestidade intelectual ler como derrota que o governo tenha perdido a maioria absoluta.
E se o 2º partido mais votado não tiver a mesma dignidade...se não souber dar os parabéns ao governo, se não autoavaliar os seus erros, se não souber dialogar e concluir pela necessidade de um verdadeiro PACTO DE REGIME...então teremos as bases do nosso sistema democrático seriamente comprometidas.
Vou acreditar que o PS cure as feridas - bem menores que as dos partidos da coligação no governo, desgastados e já com perdas pessoais esmagadoras - e se mobilize seriamente para soluções de compromisso. Não é tempo de capricho de egos. E o reconhecimento da força de quem ganha não é uma derrota, é um acto político de sentido de Estado. E, pelos vistos, o eleitorado português sabe reconhecer essa confiabilidade.
É tempo de testar a verdadeira maturidade do nosso sistema democrático: a negociação de compromissos entre adversários políticos, os consensos e as convergências fundamentais.
Apesar da quase evidente falência do Estado...da necessidade de um resgate financeiro equivalente a cerca de metade do valor da produção do país...do ciclo vicioso de desemprego-quebra de natalidade-surto emigratório-quebra do consumo...do abrupto ajustamento ao menor poder de compra e ao "enorme" aumento de impostos...da difícil retoma económica em contexto de austeridade...dos nossos países de exportações em crise...da falência do enorme grupo Espírito Santo com uma armadilha de estilhaços ainda em contabilização crescente...da panóplia de greves absurdas com especial destaque para a vergonhosa greve de 10 dias da TAP...da constante mediatização de conflitos em quase todos os sectores...e tantos outros acontecimentos brutais que aconteceram nestes 4 anos, a coligação de governo voltou a ganhar. Um caso singular, único, por comparação a outros países em contextos equivalentes.
Mas eis que, afinal...os outros partidos sentem o obscuro poder de inviabilizar o governo. É absolutamente extraordinário mas infelizmente previsível...porque esta vitória deve-se, também, à ausência de contrapropostas credíveis.
Senhores dos partidos da oposição: leiam por favor os artigos internacionais de hoje que destacam a maturidade política do eleitorado português, num contexto tão difícil quanto o nosso. E respeitem essa vontade silenciosa da maioria...que se manifesta menos mediaticamente, mas com acção diária, com sacrifício, com exemplo, com "luta" para usar uma expressão que tanto usam em vão. Não esquecer a força do voluntariado social que tem vindo a ajudar as reais necessidades do aumento da pobreza...e em como essa força não é mediática, não se insubordina, não anarquiza, não viola o bom senso da tenacidade, não se ostenta nas aberturas dos noticiários.
Como é possível que leiam os resultados ao contrário...afinal, não deve governar o partido em quem os eleitores confiaram, mas sim a astúcia de acordos febris em torno do poder, como se a democracia fosse apenas e só um sistema de contagem de votos para esse efeito. Afinal, os partidos que mais se vangloriam da memória de "abril" - uma memória e património de todos os portugueses, em que me reconheço! - são capazes de desrespeitar a decisão do eleitorado, a bem dos seus interesses mesquinhos de contrariar o que a maioria votou...eles é que sabem do que o país precisa, e não o eleitorado. Afinal, o nossos sistema é uma oligarquia dos partidos menos votados...espantoso!
Em paralelo a este breve espanto político: confesso a minha admiração por Passos Coelho.
Aguentou...tudo e todos...as vozes dissidentes do seu partido...os contratempos do seu parceiro de coligação...os ataques pessoais...soube quebrar o que parecia ser um ciclo vicioso de dificuldades. Resistiu com tenacidade, não usou discursos inflamados e está longe da eloquência latina de manual de liderança, e até os nossos patéticos analistas políticos dizem que "perdeu" o 1º debate com o líder da oposição. Confessou-se um cidadão "imperfeito", não é ostensivo, não é provocador.
Afinal, foi a sua confiabilidade que venceu, contra todas as expectativas.
Um desafio à lei das probabilidades.
Se esta vitória já foi um milagre, é de uma grande desonestidade intelectual ler como derrota que o governo tenha perdido a maioria absoluta.
E se o 2º partido mais votado não tiver a mesma dignidade...se não souber dar os parabéns ao governo, se não autoavaliar os seus erros, se não souber dialogar e concluir pela necessidade de um verdadeiro PACTO DE REGIME...então teremos as bases do nosso sistema democrático seriamente comprometidas.
Vou acreditar que o PS cure as feridas - bem menores que as dos partidos da coligação no governo, desgastados e já com perdas pessoais esmagadoras - e se mobilize seriamente para soluções de compromisso. Não é tempo de capricho de egos. E o reconhecimento da força de quem ganha não é uma derrota, é um acto político de sentido de Estado. E, pelos vistos, o eleitorado português sabe reconhecer essa confiabilidade.
É tempo de testar a verdadeira maturidade do nosso sistema democrático: a negociação de compromissos entre adversários políticos, os consensos e as convergências fundamentais.
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