"Meet"...um fenómeno que me deixa completamente perplexa. Supostamente o diminutivo de um simples "meeting". Pleno de boas intenções mas com consequências ilícitas e violentas. Vamos então manter os "meet's" totalmente tolerados, completamente desgovernados, meio vigiados, num ciclo perverso e crescente de "objectivo bom/polícia mau"?
Para além de perplexa, estou furiosa com a mediatização da tolerância aos "meet's", com o "ok" generalizado e instituído ao "vale tudo" em que nos vemos.
Onde é que está o "fio de prumo"social? Os direitos dos participantes dos "meet's" não deverão terminar onde começam as suas obrigações de bem-estar social? E os direitos dos cidadãos que não acederam a participar nos "meet's"?
Bom, agora...com mais calma...
Tenho imensos estímulos para "meet's", tenho até alguma dificuldade de escolha e dou por mim exausta com tanta informação... ;-)
Vejamos: por entre concertos, festivais, feiras, congressos...tenho depois os "meet's" de amigos com quem quero estar, com várias escalas e circunstâncias diferentes...há espaço e lugar para 2, 3, 4, 5 e mais pessoas....tenho ainda os casamentos, baptizados, aniversários, "sunset meeting's", os "meet's" de maior dimensão em que me cruzo sempre com mais e mais pessoas novas. Não nos cansamos de conhecer pessoas e há uma multiplicidade de opções para isso...pode até ser cansativo e há dias em que preciso de algum silêncio.
Mas, como se isto não chegasse, temos ainda os "meet's" propriamente ditos.
Fiquei estonteada com a resposta simples de alguns jovens em como o objectivo seria "conhecer pessoas"....ou então, "conhecer as pessoas com quem se fala pelo facebook". Ora bem, nada como organizar um encontro "mega" para mais de 500 a 1000 pessoas para conhecer pessoas (?!).
Paremos com esta ingenuidade.
Não me venham dizer que se vai a um "meet" para conhecer pessoas.
Segue-se a ingenuidade das instituições que deveriam legislar e intervir: não se pode proibir, claro, num país em que tudo é permitido.
Ai, a liberdade...para se poder fazer tudo sem responsabilidade de nada.
É-me evidente ter que legislar os "meet's", e seriam regras muito simples, apenas 3:
1. Os encontros promovidos nas redes sociais para mais de 100 pessoas não podem ocorrer em sítios públicos (centros comerciais, concertos, feiras) e não podem provocar danos no espaço escolhido para o efeito.
Porquê? Porque os direitos dos cidadãos que acederam aos "meet's" não se devem sobrepôr aos direitos dos cidadãos que não acederam. Porque qualquer iniciativa de carácter colectivo deve atender a autorização pelo proprietário do espaço escolhido para o efeito, com responsabilidade por quaisquer danos.
Peça-se parecer ao Tribunal Constitucional...
2. Qualquer acto de violência que ocorra nos "meets" deve ser também imputada ao(s) organizador(es) do "meet".
Porquê? Porque quem organiza um evento colectivo deve ter a plena consciência em como a promoção de um encontro de grande escala pode propiciar actos ilícitos e violentos, independentemente do "bom" objectivo.
Ausência de responsabilidade...é o viveiro da ilicitude.
3. Os "meet's" não devem ter qualquer mediatização (sim sim, agora a ingenuidade é minha...)
Há entidades que supervisionam a ética da comunicação social? :)
Sabemos que os factos que não são notícia, morrem. Não devia ser impossível assegurar a coordenação entre entidades de defesa pública e os accionistas dos media.
Estamos perante o reverso da medalha das redes sociais. Será que há "meet's" para um pôr-do-sol? Para limpar florestas? Para funções sociais?
Legisle-se estes "meet's". Haja regras, haja responsáveis. Muscule-se esta confusão social de total permissividade. Não se confunda "brandos costumes" com BONS costumes.
Total de visualizações de página
sábado, 30 de agosto de 2014
sábado, 23 de agosto de 2014
Património - como preservar
Que título tão apelativo...venham daí umas dicas, pode ser que cuidar bem do património possa ajudar a fazê-lo crescer. E por aí fora...numa escala que, já agora, seja ajudada pela sorte. Hum!
Pois bem...desde já peço desculpa aos dignos proprietários de muitos bens, e também aos que se lamentam por julgarem que pouco ou nada têm; é que as dicas que se seguem são aplicáveis a todos, na mesmíssima proporção.
Que desilusão, eu sei.
Vamos ao princípio...uma pesquisa rápida pela Internet e descobrimos a etimologia da palavra: vem do latim patri ("pai") e monium ("recebido"). Logo: património está associado a herança ou "conjunto de bens e direitos pertencente a uma pessoa, física ou jurídica."
Esta noção tem vindo a sofrer grandes perturbações no seu significado original...dou por mim a ter consciência em como, nesta feroz velocidade de ciclos que obriga a constante regeneração daquilo que rapidamente os mercados ou as guerras devoram, qual será a efectiva herança que deixamos aos nossos filhos, qual o efectivo património de cada um e qual o património comum.
Por aqui no nosso cantinho luso, no espaço de poucas décadas, fomos educados para uma capacidade de emprego sem dificuldade e para a possibilidade de ter património com expectativa sempre crescente. Como se o crescimento económico e a liberdade política coexistissem em harmonia infindável e acíclica.
Hoje, dou por mim ciente em como o património a ter não me vem de empregador algum. Ciente em como os filhos vão ter que lutar pelo deles. E ciente em como há um património comum a cuidar, independente daquilo que julgamos ser o património individual.
Então: não tenho a certeza que património seja Depósitos a Prazo e afins (?? muito haveria a dizer...), Herdades e/ou Empresas. Não significa isto a demissão do sentido de propriedade; mas a noção da sua vulnerabilidade a variáveis externas é fundamental para tratá-lo como algo de exterior a nós próprios.
A propriedade tem enormes riscos e não conseguimos controlar variáveis fundamentais para conseguir a sua preservação.
Na realidade, só conseguimos efectivamente controlar a forma como agimos e como nos relacionamos. Então, se só aquilo que conseguimos controlar é que é nosso...o património é uma entidade abstracta e intangível, feita das nossas decisões, feita de nós próprios.
E é aqui que me comovo com a recente entrevista de Marcos Vargas Llosa em que afirma "os heróis discretos são a grande reserva moral de uma sociedade".
E então....como preservar património? As minhas dicas:
1. Tratar bem de nós próprios;
2. Amar os familiares;
3. Cuidar dos Amigos;
4. Escolher uma actividade cívica, pelo menos uma vez na vida;
5. Ter uma ideia de negócio próprio e tentar, mesmo que falhe, pelo menos uma vez na vida;
6. Ter sempre opinião fundamentada sobre, pelo menos, um tema;
7. Ler e/ou escrever regularmente;
8. Viver Alegrias e Viver Tristezas, na exacta e real proporção em que acontecem;
9. Ter ambição por Paz interior e por Coragem;
10. Não nos apropriarmos de ninguém, nem deixarmos que alguém se aproprie de nós.
Pareceu óbvio e simples? Parabéns a quem entendeu rapidamente e achou fácil; a mim parece-me complicado e tenho tido imensa dificuldade em preservar o meu património...porque:
1. Dou conselhos aos outros com uma espantosa velocidade, mas tenho dificuldade em dar a mim própria;
2. Não é assim tão fácil conviver com a imensidão do activo e passivo dos familiares e companheiro(a); às vezes sobrevaloriza-se o passivo e diminui-se o justo valor do activo;
3. Amigos...Imprescindíveis! saber que são finitos e imperfeitos, manter a lealdade sem preço e respeitar os silêncios;
4. Uma actividade cívica...mas qual? Não há instituicões próprias para isso? Sim...mas feitas de outros ?!;
5. Só a experiência de um negócio próprio permite valorizar plenamente o trabalho e o dinheiro;
6. Ter opinião sobre quase tudo é tão fácil, então não há wikipedia permanente? mas ter opinião fundamentada exige constante esforço de pensamento;
7. Ler ou escrever é tão chato...não bastou a escola? Não...ler é um treino, é um convívio activo com a nossa mente;
8. Viver Tristezas na exacta proporção em que acontecem, fazer luto pelos maus acontecimentos, até pelos insucessos...para evitar deslizar mais tarde quando menos se espera;
9. Ambição por evitar impulsos e por reagir com firmeza , raio de equilibrismo quase desumano;
10. Posse! Se pudéssemos usar um comando como na "play station"...mas não existe.
Património é "O" espaço interior que nos permite harmonia entre a Liberdade de Espírito e os Compromissos com os outros.
E porque tudo é precário, há que preservar o único património que temos: nós próprios.
O meu legado... sou eu, e o que quiserem recordar de mim.
Todos somos um património activo, todos temos o dever de o cuidar; e a única forma eficaz de o preservar é saber transmiti-lo à geração seguinte.
(dedicado ao aniversário do meu filho)
Pois bem...desde já peço desculpa aos dignos proprietários de muitos bens, e também aos que se lamentam por julgarem que pouco ou nada têm; é que as dicas que se seguem são aplicáveis a todos, na mesmíssima proporção.
Que desilusão, eu sei.
Vamos ao princípio...uma pesquisa rápida pela Internet e descobrimos a etimologia da palavra: vem do latim patri ("pai") e monium ("recebido"). Logo: património está associado a herança ou "conjunto de bens e direitos pertencente a uma pessoa, física ou jurídica."
Esta noção tem vindo a sofrer grandes perturbações no seu significado original...dou por mim a ter consciência em como, nesta feroz velocidade de ciclos que obriga a constante regeneração daquilo que rapidamente os mercados ou as guerras devoram, qual será a efectiva herança que deixamos aos nossos filhos, qual o efectivo património de cada um e qual o património comum.
Por aqui no nosso cantinho luso, no espaço de poucas décadas, fomos educados para uma capacidade de emprego sem dificuldade e para a possibilidade de ter património com expectativa sempre crescente. Como se o crescimento económico e a liberdade política coexistissem em harmonia infindável e acíclica.
Hoje, dou por mim ciente em como o património a ter não me vem de empregador algum. Ciente em como os filhos vão ter que lutar pelo deles. E ciente em como há um património comum a cuidar, independente daquilo que julgamos ser o património individual.
Então: não tenho a certeza que património seja Depósitos a Prazo e afins (?? muito haveria a dizer...), Herdades e/ou Empresas. Não significa isto a demissão do sentido de propriedade; mas a noção da sua vulnerabilidade a variáveis externas é fundamental para tratá-lo como algo de exterior a nós próprios.
A propriedade tem enormes riscos e não conseguimos controlar variáveis fundamentais para conseguir a sua preservação.
Na realidade, só conseguimos efectivamente controlar a forma como agimos e como nos relacionamos. Então, se só aquilo que conseguimos controlar é que é nosso...o património é uma entidade abstracta e intangível, feita das nossas decisões, feita de nós próprios.
E é aqui que me comovo com a recente entrevista de Marcos Vargas Llosa em que afirma "os heróis discretos são a grande reserva moral de uma sociedade".
E então....como preservar património? As minhas dicas:
1. Tratar bem de nós próprios;
2. Amar os familiares;
3. Cuidar dos Amigos;
4. Escolher uma actividade cívica, pelo menos uma vez na vida;
5. Ter uma ideia de negócio próprio e tentar, mesmo que falhe, pelo menos uma vez na vida;
6. Ter sempre opinião fundamentada sobre, pelo menos, um tema;
7. Ler e/ou escrever regularmente;
8. Viver Alegrias e Viver Tristezas, na exacta e real proporção em que acontecem;
9. Ter ambição por Paz interior e por Coragem;
10. Não nos apropriarmos de ninguém, nem deixarmos que alguém se aproprie de nós.
Pareceu óbvio e simples? Parabéns a quem entendeu rapidamente e achou fácil; a mim parece-me complicado e tenho tido imensa dificuldade em preservar o meu património...porque:
1. Dou conselhos aos outros com uma espantosa velocidade, mas tenho dificuldade em dar a mim própria;
2. Não é assim tão fácil conviver com a imensidão do activo e passivo dos familiares e companheiro(a); às vezes sobrevaloriza-se o passivo e diminui-se o justo valor do activo;
3. Amigos...Imprescindíveis! saber que são finitos e imperfeitos, manter a lealdade sem preço e respeitar os silêncios;
4. Uma actividade cívica...mas qual? Não há instituicões próprias para isso? Sim...mas feitas de outros ?!;
5. Só a experiência de um negócio próprio permite valorizar plenamente o trabalho e o dinheiro;
6. Ter opinião sobre quase tudo é tão fácil, então não há wikipedia permanente? mas ter opinião fundamentada exige constante esforço de pensamento;
7. Ler ou escrever é tão chato...não bastou a escola? Não...ler é um treino, é um convívio activo com a nossa mente;
8. Viver Tristezas na exacta proporção em que acontecem, fazer luto pelos maus acontecimentos, até pelos insucessos...para evitar deslizar mais tarde quando menos se espera;
9. Ambição por evitar impulsos e por reagir com firmeza , raio de equilibrismo quase desumano;
10. Posse! Se pudéssemos usar um comando como na "play station"...mas não existe.
Património é "O" espaço interior que nos permite harmonia entre a Liberdade de Espírito e os Compromissos com os outros.
E porque tudo é precário, há que preservar o único património que temos: nós próprios.
O meu legado... sou eu, e o que quiserem recordar de mim.
Todos somos um património activo, todos temos o dever de o cuidar; e a única forma eficaz de o preservar é saber transmiti-lo à geração seguinte.
(dedicado ao aniversário do meu filho)
domingo, 9 de março de 2014
Simplesmente...Francisco.
É o Papa. Ei-lo simples, forte, destemido, ao desafio dos tempos. Atrevido em opinião social, intrometido em política internacional, mas sobretudo...um homem controverso, que desafia a consciência individual, que condena os excessos, que abraça os excluídos, que inspira os mais fragilizados pela opulência dos podres poderes.
Francisco...preenche-me o imaginário que tanta vezes me foge, por entre a brutalidade dos dias. A pretexto da crise, vivemos um tempo de descuido pela dignidade do trabalho e, qual Titanic em afundamento, teimam em manter a orquestra tocar enquanto os outrora mais poderosos procuram salvar-se nos poucos barcos.
De um dia para o outro - literalmente - Francisco revolucionou os hábitos, provocou as rotinas, questionou as regras. De uma forma simples, rápida, eficaz. Curiosamente, foi eleito pelos seus pares a quem atribuímos as rugas próprias de quem não aceitaria a mudança desta forma tão abrupta...ou então, encerrará o mistério do quorum de homens evoluídos que entenderam a necessidade de fracturar, a urgência de sentir as vertigens da queda da ostentação. Não só na Igreja como instituição, mas nas instituições públicas, nos governos, nas próprias famílias, no chamado "mundo desenvolvido".
Primeiro: a recusa do medo. O atrevimento em desafiar os loucos que o quisessem abater a tiro, ou as seitas de interesses que o quisessem fazer desaparecer para de novo respirar a ordem anterior. E assim faz-nos relembrar que, se todos acabamos por morrer, então que se viva deixando marcas, teimando em semear em terreno bravio, recusando fazer parte de uma maioria acomodada.
Depois: a recusa de ostentação. O baixar do pedestal para olhar de frente o mundo, sem manias, sem superioridades pré-instaladas. O riso aberto sem medo do ridículo. O divino conseguido no terreno, sem barreiras. Ou não fosse ele jesuíta...recordando que é "fazendo-se à estrada" que se comunica com eficácia.
Este olhar de frente para o mundo actual permite-lhe abraçar todas as actuais formas de família, não porque estejam mais desfiguradas, mas porque é preciso aceitar o que mudou. Não interessam as polidas teses de doutoramento sobre as causas, não interessam as doutrinas de sociologia ou qualquer palestra com cocktail à mistura sobre o tema...interessa olhar de frente para o que existe, e aceitar é entender sem complexos "porquês?", é apenas o pegar nas coisas para tentar melhorar o que for possível.
Na realidade, julgo que Francisco cuida da sua imagem...a genuinidade da sua austeridade mistura-se com a sua estratégia. O seu exemplo cria respeito, cria poder para actuar de seguida. Para que a mensagem seja bem entendida, tem simplesmente que ser o primeiro a dar o exemplo. Simples...mas difícil. Não me lembro de ter visto isto em quase meio-século...
A Igreja Católica terá lido os tempos actuais da forma mais sinistra possível, e ainda bem que o fez. É preciso despertar o compromisso social, deixar de fazer caridade com dinheiro.
Na realidade, não há exemplos de austeridade em figuras de poder, quer indivíduos, quer Instituições, quer Governos.
Francisco é jovem na atitude e sábio nos desígnios.Vem mostrar que vale a pena correr o risco de desafiar o status quo se não lhe reconhecermos o exemplo.
Francisco é "a" grande figura da actualidade. Estou-lhe profundamente grata e sinto que só ainda começou uma longa e difícil jornada pela frente.
Lembro que no dia em que foi eleito, antes da sua primeira benção a todos como Papa, pediu que rezassem para que o abençoassem a ele. Pois bem...que esse momento tenha sido verdadeiramente divino.
Francisco...preenche-me o imaginário que tanta vezes me foge, por entre a brutalidade dos dias. A pretexto da crise, vivemos um tempo de descuido pela dignidade do trabalho e, qual Titanic em afundamento, teimam em manter a orquestra tocar enquanto os outrora mais poderosos procuram salvar-se nos poucos barcos.
De um dia para o outro - literalmente - Francisco revolucionou os hábitos, provocou as rotinas, questionou as regras. De uma forma simples, rápida, eficaz. Curiosamente, foi eleito pelos seus pares a quem atribuímos as rugas próprias de quem não aceitaria a mudança desta forma tão abrupta...ou então, encerrará o mistério do quorum de homens evoluídos que entenderam a necessidade de fracturar, a urgência de sentir as vertigens da queda da ostentação. Não só na Igreja como instituição, mas nas instituições públicas, nos governos, nas próprias famílias, no chamado "mundo desenvolvido".
Primeiro: a recusa do medo. O atrevimento em desafiar os loucos que o quisessem abater a tiro, ou as seitas de interesses que o quisessem fazer desaparecer para de novo respirar a ordem anterior. E assim faz-nos relembrar que, se todos acabamos por morrer, então que se viva deixando marcas, teimando em semear em terreno bravio, recusando fazer parte de uma maioria acomodada.
Depois: a recusa de ostentação. O baixar do pedestal para olhar de frente o mundo, sem manias, sem superioridades pré-instaladas. O riso aberto sem medo do ridículo. O divino conseguido no terreno, sem barreiras. Ou não fosse ele jesuíta...recordando que é "fazendo-se à estrada" que se comunica com eficácia.
Este olhar de frente para o mundo actual permite-lhe abraçar todas as actuais formas de família, não porque estejam mais desfiguradas, mas porque é preciso aceitar o que mudou. Não interessam as polidas teses de doutoramento sobre as causas, não interessam as doutrinas de sociologia ou qualquer palestra com cocktail à mistura sobre o tema...interessa olhar de frente para o que existe, e aceitar é entender sem complexos "porquês?", é apenas o pegar nas coisas para tentar melhorar o que for possível.
Na realidade, julgo que Francisco cuida da sua imagem...a genuinidade da sua austeridade mistura-se com a sua estratégia. O seu exemplo cria respeito, cria poder para actuar de seguida. Para que a mensagem seja bem entendida, tem simplesmente que ser o primeiro a dar o exemplo. Simples...mas difícil. Não me lembro de ter visto isto em quase meio-século...
A Igreja Católica terá lido os tempos actuais da forma mais sinistra possível, e ainda bem que o fez. É preciso despertar o compromisso social, deixar de fazer caridade com dinheiro.
Na realidade, não há exemplos de austeridade em figuras de poder, quer indivíduos, quer Instituições, quer Governos.
Francisco é jovem na atitude e sábio nos desígnios.Vem mostrar que vale a pena correr o risco de desafiar o status quo se não lhe reconhecermos o exemplo.
Francisco é "a" grande figura da actualidade. Estou-lhe profundamente grata e sinto que só ainda começou uma longa e difícil jornada pela frente.
Lembro que no dia em que foi eleito, antes da sua primeira benção a todos como Papa, pediu que rezassem para que o abençoassem a ele. Pois bem...que esse momento tenha sido verdadeiramente divino.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
A salvação de Miró pela "jangada de pedra"
Sim, isso mesmo mesmo. Eu, portuguesa, sinto-me verdadeiramente numa "jangada de pedra" - um baptismo de Saramago -, perante esta muy ilustre novela das 85 obras do muy ilustre pintor catalão.
A nossa História é uma espécie de colectânea de "virtudes alheias, vícios próprios", que nos impede de crescer. E depois temos um "Museu da Língua Portuguesa" em...São Paulo. Isto engrandece-nos mas apenas e só quando feito... fora do país.
Gosto imenso de Miró, e o seu valor é inquestionável, imenso, único.
Mas...
...não dispondo obviamente do detalhe da informação deste processo (e quem tem??), é-me evidente a hipocrisia de criticar a decisão de venda. Mais: o que me parece um acto de gestão irreflectido, inábil e precipitado é que a venda seja feita "por atacado".
O resgate do BPN é um tremendo imposto pago por todos. O alheamento das instâncias de supervisão permitiu "alimentar o monstro"; tivemos depois que o "engolir", numa digestão permanente e diária de impostos. Por isso...a venda de quadros de um artista não português não me parece de todo...ruinosa para o património.
Parece-me muito mais complexo e questionável, assistir à necessidade (?) de venda de capital ou dependência internacional de infrasestruturas estratégicas ao país (energia, gás...).
Entre ficar heroicamente com a colecção Miro ou diminuir ainda mais a dotação orçamental para a cultura...
Entre salvar Miró ou descurar ainda mais os artistas portugueses...
Gerir é difícil, um equilibrismo permanente e frágil entre opções a tomar perante recursos escassos.
Temos então as intriguices políticas ao rubro num contexto de eleições europeias à vista...temos agora a nossa Oposição muy entendida em cultura e um Governo teimosamente impossibilitado de recuar. Ambas as partes movidas por estratégiazinha política, por intenção de guerra, por pressão partidária.
Gosto muito de Miró, mas gostava de ver a nossa Oposição mais ocupada em salvar o património português em vias de abandono.
E com estas orgias retóricas, a ver se não caminhamos para extremismos partidários, tal como França caminha...um abismo horrível a que não gostaria de assistir no meu país.
Joan Miró não merecia estes falsos profetas da cultura no país. Que esteja com quem pode cuidar dignamente da Sua obra.
A nossa História é uma espécie de colectânea de "virtudes alheias, vícios próprios", que nos impede de crescer. E depois temos um "Museu da Língua Portuguesa" em...São Paulo. Isto engrandece-nos mas apenas e só quando feito... fora do país.
Gosto imenso de Miró, e o seu valor é inquestionável, imenso, único.
Mas...
...não dispondo obviamente do detalhe da informação deste processo (e quem tem??), é-me evidente a hipocrisia de criticar a decisão de venda. Mais: o que me parece um acto de gestão irreflectido, inábil e precipitado é que a venda seja feita "por atacado".
O resgate do BPN é um tremendo imposto pago por todos. O alheamento das instâncias de supervisão permitiu "alimentar o monstro"; tivemos depois que o "engolir", numa digestão permanente e diária de impostos. Por isso...a venda de quadros de um artista não português não me parece de todo...ruinosa para o património.
Parece-me muito mais complexo e questionável, assistir à necessidade (?) de venda de capital ou dependência internacional de infrasestruturas estratégicas ao país (energia, gás...).
Entre ficar heroicamente com a colecção Miro ou diminuir ainda mais a dotação orçamental para a cultura...
Entre salvar Miró ou descurar ainda mais os artistas portugueses...
Gerir é difícil, um equilibrismo permanente e frágil entre opções a tomar perante recursos escassos.
Temos então as intriguices políticas ao rubro num contexto de eleições europeias à vista...temos agora a nossa Oposição muy entendida em cultura e um Governo teimosamente impossibilitado de recuar. Ambas as partes movidas por estratégiazinha política, por intenção de guerra, por pressão partidária.
Gosto muito de Miró, mas gostava de ver a nossa Oposição mais ocupada em salvar o património português em vias de abandono.
E com estas orgias retóricas, a ver se não caminhamos para extremismos partidários, tal como França caminha...um abismo horrível a que não gostaria de assistir no meu país.
Joan Miró não merecia estes falsos profetas da cultura no país. Que esteja com quem pode cuidar dignamente da Sua obra.
Os Excluídos? - um Exemplo
Acabei de ver uma notícia na SIC Notícias que me provocou uma enorme Pausa. Simplesmente isto: uma mulher, Celeste Lobo, com cancro e com o Rendimento Social de Inserção, foi viver para Pampilhosa da Serra e dedicou-se a tratar de animais visivelmente abandonados e em vias de abate. Em condições totalmente precárias de saúde e de alojamento, passou a dedicar-se inteiramente aos animais e a conseguir a adopção de futuros donos através de redes sociais.
Fui pesquisar à Internet e encontrei múltiplas referências, incluindo o seu blog; ei-lo e uma publicação que seleccionei:
http://celestelobo007.blogspot.pt/2013/02/solidariedade-apelo-solidariedade.html
Desconheço a história de vida da Celeste e, sinceramente, não é de todo relevante. O passado de cada um é um santuário a respeitar.O que me interessa são as boas práticas.
A sua luta pela falta de saúde e pela falta de emprego não foi a opção por sem-abrigo, não foi a "caridadezinha", não foi a entrega a práticas criminosas, não foi a revolta com tudo e com todos. Foi a entrega a uma causa em que acredita. E assim combate a solidão, assim silenciará as suas revoltas.
Apostou num "Euromilhões" de afectos.
Registo também que a SIC tem vindo a contar cada vez mais histórias positivas, por contraponto de notícias escabrosas e trágicas. Que aumentem ainda muito mais o recurso a reportagens de BOAS históricas; assim iluminam o dia-a-dia de muitas pessoas sós, assim reeducam, assim cumprem uma função social de que os media deviam ser punidos por se alhear.
Há uma quantidade crescente de desilusões e de sérias dificuldades de muitas pessoas, no dia-a-dia. É transversal a todos e aqui, não vejo propriamente uma fronteira entre essa primária noção de ricos e de pobres. O que é que define um "rico"? A partir de que montante de bens? A partir de que saldo positivo entre liquidez e dívidas? A partir de que hectares de propriedade ou de que áreas de imóveis? Com que marcas de vestuário, de relógios ou de carros?
Pois...não se sabe.
O que é relevante é que cada um de nós tem o seu caminho, e deve encontrar a sua estratégia de vida, sem cair num poço fundo de revolta, de desilusão, sem optar pela "inércia" mental de deixar de ter esperança.
Há excluídos sociais que ensinam os menos pobres (os mais remediados, os mais ricos? não sei bem definir) a manter a "guarda", a não cair, a viver com dignidade.
Celeste Lobo é um Exemplo. Estou grata pela descoberta de hoje.
Fui pesquisar à Internet e encontrei múltiplas referências, incluindo o seu blog; ei-lo e uma publicação que seleccionei:
http://celestelobo007.blogspot.pt/2013/02/solidariedade-apelo-solidariedade.html
Desconheço a história de vida da Celeste e, sinceramente, não é de todo relevante. O passado de cada um é um santuário a respeitar.O que me interessa são as boas práticas.
A sua luta pela falta de saúde e pela falta de emprego não foi a opção por sem-abrigo, não foi a "caridadezinha", não foi a entrega a práticas criminosas, não foi a revolta com tudo e com todos. Foi a entrega a uma causa em que acredita. E assim combate a solidão, assim silenciará as suas revoltas.
Apostou num "Euromilhões" de afectos.
Registo também que a SIC tem vindo a contar cada vez mais histórias positivas, por contraponto de notícias escabrosas e trágicas. Que aumentem ainda muito mais o recurso a reportagens de BOAS históricas; assim iluminam o dia-a-dia de muitas pessoas sós, assim reeducam, assim cumprem uma função social de que os media deviam ser punidos por se alhear.
Há uma quantidade crescente de desilusões e de sérias dificuldades de muitas pessoas, no dia-a-dia. É transversal a todos e aqui, não vejo propriamente uma fronteira entre essa primária noção de ricos e de pobres. O que é que define um "rico"? A partir de que montante de bens? A partir de que saldo positivo entre liquidez e dívidas? A partir de que hectares de propriedade ou de que áreas de imóveis? Com que marcas de vestuário, de relógios ou de carros?
Pois...não se sabe.
O que é relevante é que cada um de nós tem o seu caminho, e deve encontrar a sua estratégia de vida, sem cair num poço fundo de revolta, de desilusão, sem optar pela "inércia" mental de deixar de ter esperança.
Há excluídos sociais que ensinam os menos pobres (os mais remediados, os mais ricos? não sei bem definir) a manter a "guarda", a não cair, a viver com dignidade.
Celeste Lobo é um Exemplo. Estou grata pela descoberta de hoje.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
"Hannah Arendt" - obrigatório ver e conhecer
Vi hoje este filme e fiquei absolutamente...K.O.
Em comoção profunda de pensamento. Num estado de abstracção que só acontece quando despertamos por completo das rotinas.
Aqui ficam alguns apontamentos que me arrepiaram, e aqui vão com a genuinidade das emoções imediatas no momento de pós-filme. Decerto que amanhã faria com outro pormenor...mas valem os primeiros momentos pelo seu valor emocional que, afinal de contas, é o que ficará firmemente mais gravado.
Um primeiro destaque para a genuína independência de pensamento. Hannah Arendt, judia alemã, fez a cobertura do julgamento de um nazi sem transmitir qualquer laço judeu ou alemão. Foi apátrida. Não interessa se o fez por ter sofrido em ambas as condições ao ponto de não se comover com qualquer uma das pátrias; quase diria que isso é um problema menor. A motivação não é o fundamental. O que é essencial destacar é a profundeza de análise num julgamento, pela atenção ao conteúdo das respostas do julgado, e à observação da forma como o fez. Para concluir pela "banalidade do mal", no sentido em que foi o"não pensamento" daquele homem que o fez ser, apenas e só, mais um fiel funcionário de regras. Um incapaz de contradizer a maioria, mais um burocrata ao serviço da ideologia dominante.
Com esta análise, Hannah Arendt pareceu proteger os alemães, apenas e só por não atacar o nazi julgado pelo horror das consequências dos seus actos (conduzir judeus para comboios a caminho de campos de concentração) ou simplesmente por não aproveitar o contexto para defender a honra dos judeus.
Mais...a sua análise estendeu a teia de crueldade aos não alemães que cooperaram com o regime, e aqui, leia-se os silêncios, a incapacidade de contra-organização ao regime, a cobardia, a propagação do medo. Fê-lo, ela própria, sem complexos, sem medos, sem cobardia, em oposição à "banalidade" da opinião comum.
Actuou como pensadora, escritora, o que quisessem apelidá-la, por encomenda de um jornal americano que dela esperaria, obviamente, um trabalho jornalístico de excelência e supostamente sanguinário contra o regime nazi.
Fez o seu trabalho sem qualquer compromisso, independentemente do gosto dos media ou dos próprios amigos.
Tudo isto comoveu-me profundamente.
Reagir com silêncio perante a corrupção é, afinal, contribuir para o seu engrandecimento.
Encolher os ombros em vez de fazer o que está ao nosso alcance é, afinal, cumprir ordens superiores ou imitar a maioria...em analogia ao caso deste filme, é levar alguém para um comboio de destino incerto...
A acomodação (a escolha do "não pensamento"), amplia a génese do mal. Eu sei que é aterrador reconhecê-lo, mas é ... verdade.
Filosofia não devia ser coisa do passado e acredito que há-de brevemente ressurgir, na total ausência de pensamento genuinamente independente, em que vivemos.
Em comoção profunda de pensamento. Num estado de abstracção que só acontece quando despertamos por completo das rotinas.
Aqui ficam alguns apontamentos que me arrepiaram, e aqui vão com a genuinidade das emoções imediatas no momento de pós-filme. Decerto que amanhã faria com outro pormenor...mas valem os primeiros momentos pelo seu valor emocional que, afinal de contas, é o que ficará firmemente mais gravado.
Um primeiro destaque para a genuína independência de pensamento. Hannah Arendt, judia alemã, fez a cobertura do julgamento de um nazi sem transmitir qualquer laço judeu ou alemão. Foi apátrida. Não interessa se o fez por ter sofrido em ambas as condições ao ponto de não se comover com qualquer uma das pátrias; quase diria que isso é um problema menor. A motivação não é o fundamental. O que é essencial destacar é a profundeza de análise num julgamento, pela atenção ao conteúdo das respostas do julgado, e à observação da forma como o fez. Para concluir pela "banalidade do mal", no sentido em que foi o"não pensamento" daquele homem que o fez ser, apenas e só, mais um fiel funcionário de regras. Um incapaz de contradizer a maioria, mais um burocrata ao serviço da ideologia dominante.
Com esta análise, Hannah Arendt pareceu proteger os alemães, apenas e só por não atacar o nazi julgado pelo horror das consequências dos seus actos (conduzir judeus para comboios a caminho de campos de concentração) ou simplesmente por não aproveitar o contexto para defender a honra dos judeus.
Mais...a sua análise estendeu a teia de crueldade aos não alemães que cooperaram com o regime, e aqui, leia-se os silêncios, a incapacidade de contra-organização ao regime, a cobardia, a propagação do medo. Fê-lo, ela própria, sem complexos, sem medos, sem cobardia, em oposição à "banalidade" da opinião comum.
Actuou como pensadora, escritora, o que quisessem apelidá-la, por encomenda de um jornal americano que dela esperaria, obviamente, um trabalho jornalístico de excelência e supostamente sanguinário contra o regime nazi.
Fez o seu trabalho sem qualquer compromisso, independentemente do gosto dos media ou dos próprios amigos.
Tudo isto comoveu-me profundamente.
Reagir com silêncio perante a corrupção é, afinal, contribuir para o seu engrandecimento.
Encolher os ombros em vez de fazer o que está ao nosso alcance é, afinal, cumprir ordens superiores ou imitar a maioria...em analogia ao caso deste filme, é levar alguém para um comboio de destino incerto...
A acomodação (a escolha do "não pensamento"), amplia a génese do mal. Eu sei que é aterrador reconhecê-lo, mas é ... verdade.
Filosofia não devia ser coisa do passado e acredito que há-de brevemente ressurgir, na total ausência de pensamento genuinamente independente, em que vivemos.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
PCS - Partido Capitalista e Socialista
Ora aí está: o "PCS"...o melhor do capitalismo e do socialismo. Isoladamente, julgo que ambas as ideologias falharam. Mas o melhor de ambas é um caminho possível, um compromisso social e económico em que me reconheceria.
(preciosa utopia que me alivia as "dores"? mas, afinal, não é o pensamento que distingue a raça humana? Então...pensemos.)
Começando pelo meu princípio de reflexão: a minha geração de estudante teve a sorte de se empregar com imensa facilidade, em pleno auge de economistas e gestores, na década da entrada na CEE. Os fundos comunitários pareciam inesgotáveis. Vivia-se o pulsar do consumo e o crescimento galopante de ordenados.
Nessa altura, entendi como desejável e positivo que se promovesse a livre intervenção dos agentes económicos. Parecia assistir ao milagre da prosperidade tal como o pensamento económico de Adam Smith com a sua "mão invisível". O funcionamento de mercados sem constrangimentos, a expansão de empresas sem barreiras, o recurso a privatizações sem preconceitos. Uau...como tudo isto coincidia com obra pública infindável, parecia evidente que as áreas de Educação e Saúde estariam em pleno desenvolvimento na directa medida em que havia um mercado mais livre, pressuposto fundamental do dito "capitalismo". Assumi que as funções sociais do Estado conviviam com capitalismo e democracia, sem conflitos.
Esta simultaneidade gerou uma profunda ilusão. Prosperidade e capitalismo pareciam ser consequência um do outro. E a crise de 1929 teria sido um episódio particular dos EUA...não replicável no espaço europeu, supostamente uma cultura de valores humanos, talvez menos empreendedores, mas mais conscientes da dignidade humana e da necessidade do Estado Social.
Hoje, é-me evidente que assistimos antes, à feliz coincidência entre subsídios para obra pública e democracia com maior apetência ao modelo capitalista.
Essa prosperidade não foi produção, foi consumo, importação, maior poder de compra, mais e mais imobiliário. Quem aproveitou em conhecimento científico (veja-se os prémios dos nossos cientistas num IST ou numa Universidade do Minho!) terá sido foi uma percentagem residual da nossa população. E quem sonhou com agricultura ou pescas, terá mudado de ideias.
Afinal...agora corremos o risco de cair no extremo oposto, com um Estado austero porque com uma dívida insustentável e por isso em plena desintervenção em infraestruturas fundamentais...alguns riscos:
- desistência da maternidade; mães cada vez mais constrangidas na vida profissional e quase complexadas por terem que dedicar tempo aos filhos a bem da melhor educação e investimento no seu equilíbrio pessoal;
- os pais com percalços de emprego, com dificuldade acrescida em assegurar a educação superior dos filhos;
- uma sociedade mais inculta, logo mais manipulável, mais adaptada a esta anestesia dos media que nos encharca de concursos e telenovelas imbecis;
- os percalços de saúde mais destratados; por entre despedimentos inexplicáveis numa lei laboral dita livre, moderna e capitalista, até aos cuidados de saúde pública cada vez mais inacessíveis.
Logo, ainda menos natalidade e muito maior mortalidade...corremos o risco de descurar os extremos demográficos de que é feita a verdadeira qualidade social, numa vertigem de descuido quer com os futuros, quer com os antigos adultos.
Quase me ocorrem os Homens de Neanderthal, essa primeiríssima evolução da espécie. Não mais que o domínio dos mais fortes.
A falência do Lehman Brothers desmoronou o mito da infalibilidade do sistema financeiro. Descarnou violentamente a verdadeira dimensão das dívidas dos agentes nas economias, empresas, pessoas e Estados. Quase implicou o fim do Euro.
Esta espiral em que temos vivido desde então veio também evidenciar a origem daquilo que consumimos. E...afinal...o "made in Portugal" tem quase tudo por fazer.
Afinal, como queremos inverter a nossa infeliz tendência demográfica?
Afinal, como queremos combater a emigração dos mais capazes para a vida profissional?
Afinal, queremos ou não continuar a poder educar (quase) gratuitamente as nossas crianças e a saber cuidar (quase) gratuitamente de quem já trabalhou uma vida inteira? Com que sacrifícios?
Capitalismo...socialismo..são ideologias ultrapassadas. Temos suficiente experiência para entender que há que tirar partido do melhor de ambas porque não queremos de novo, nem uma falsa prosperidade, nem um Estado sufocante que a todos empregue sem a necessária virtude da mudança e não promova a iniciativa privada.
É preciso alguma loucura e muitíssima coragem para conseguir este compromisso. Não é infelizmente com os núcleos duros dos maiores partidos da oposição, demasiado apodrecidos nos seus poderes instalados, nas suas seitas de interesses.
A génese do PCS é o que...sinto...vai na Alma da maioria silenciosa que, com paciência mas sem resignação, segura este país e lhe dá credibilidade.
(preciosa utopia que me alivia as "dores"? mas, afinal, não é o pensamento que distingue a raça humana? Então...pensemos.)
Começando pelo meu princípio de reflexão: a minha geração de estudante teve a sorte de se empregar com imensa facilidade, em pleno auge de economistas e gestores, na década da entrada na CEE. Os fundos comunitários pareciam inesgotáveis. Vivia-se o pulsar do consumo e o crescimento galopante de ordenados.
Nessa altura, entendi como desejável e positivo que se promovesse a livre intervenção dos agentes económicos. Parecia assistir ao milagre da prosperidade tal como o pensamento económico de Adam Smith com a sua "mão invisível". O funcionamento de mercados sem constrangimentos, a expansão de empresas sem barreiras, o recurso a privatizações sem preconceitos. Uau...como tudo isto coincidia com obra pública infindável, parecia evidente que as áreas de Educação e Saúde estariam em pleno desenvolvimento na directa medida em que havia um mercado mais livre, pressuposto fundamental do dito "capitalismo". Assumi que as funções sociais do Estado conviviam com capitalismo e democracia, sem conflitos.
Esta simultaneidade gerou uma profunda ilusão. Prosperidade e capitalismo pareciam ser consequência um do outro. E a crise de 1929 teria sido um episódio particular dos EUA...não replicável no espaço europeu, supostamente uma cultura de valores humanos, talvez menos empreendedores, mas mais conscientes da dignidade humana e da necessidade do Estado Social.
Hoje, é-me evidente que assistimos antes, à feliz coincidência entre subsídios para obra pública e democracia com maior apetência ao modelo capitalista.
Essa prosperidade não foi produção, foi consumo, importação, maior poder de compra, mais e mais imobiliário. Quem aproveitou em conhecimento científico (veja-se os prémios dos nossos cientistas num IST ou numa Universidade do Minho!) terá sido foi uma percentagem residual da nossa população. E quem sonhou com agricultura ou pescas, terá mudado de ideias.
Afinal...agora corremos o risco de cair no extremo oposto, com um Estado austero porque com uma dívida insustentável e por isso em plena desintervenção em infraestruturas fundamentais...alguns riscos:
- desistência da maternidade; mães cada vez mais constrangidas na vida profissional e quase complexadas por terem que dedicar tempo aos filhos a bem da melhor educação e investimento no seu equilíbrio pessoal;
- os pais com percalços de emprego, com dificuldade acrescida em assegurar a educação superior dos filhos;
- uma sociedade mais inculta, logo mais manipulável, mais adaptada a esta anestesia dos media que nos encharca de concursos e telenovelas imbecis;
- os percalços de saúde mais destratados; por entre despedimentos inexplicáveis numa lei laboral dita livre, moderna e capitalista, até aos cuidados de saúde pública cada vez mais inacessíveis.
Logo, ainda menos natalidade e muito maior mortalidade...corremos o risco de descurar os extremos demográficos de que é feita a verdadeira qualidade social, numa vertigem de descuido quer com os futuros, quer com os antigos adultos.
Quase me ocorrem os Homens de Neanderthal, essa primeiríssima evolução da espécie. Não mais que o domínio dos mais fortes.
A falência do Lehman Brothers desmoronou o mito da infalibilidade do sistema financeiro. Descarnou violentamente a verdadeira dimensão das dívidas dos agentes nas economias, empresas, pessoas e Estados. Quase implicou o fim do Euro.
Esta espiral em que temos vivido desde então veio também evidenciar a origem daquilo que consumimos. E...afinal...o "made in Portugal" tem quase tudo por fazer.
Afinal, como queremos inverter a nossa infeliz tendência demográfica?
Afinal, como queremos combater a emigração dos mais capazes para a vida profissional?
Afinal, queremos ou não continuar a poder educar (quase) gratuitamente as nossas crianças e a saber cuidar (quase) gratuitamente de quem já trabalhou uma vida inteira? Com que sacrifícios?
Capitalismo...socialismo..são ideologias ultrapassadas. Temos suficiente experiência para entender que há que tirar partido do melhor de ambas porque não queremos de novo, nem uma falsa prosperidade, nem um Estado sufocante que a todos empregue sem a necessária virtude da mudança e não promova a iniciativa privada.
É preciso alguma loucura e muitíssima coragem para conseguir este compromisso. Não é infelizmente com os núcleos duros dos maiores partidos da oposição, demasiado apodrecidos nos seus poderes instalados, nas suas seitas de interesses.
A génese do PCS é o que...sinto...vai na Alma da maioria silenciosa que, com paciência mas sem resignação, segura este país e lhe dá credibilidade.
Assinar:
Comentários (Atom)