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sábado, 30 de agosto de 2014

"Meet"? Que legislação? Que responsabilidade?

"Meet"...um fenómeno que me deixa completamente perplexa. Supostamente o diminutivo de um simples "meeting". Pleno de boas intenções mas com consequências ilícitas e violentas. Vamos então manter os "meet's" totalmente tolerados, completamente desgovernados, meio vigiados, num ciclo perverso e crescente de "objectivo bom/polícia mau"?

Para além de perplexa, estou furiosa com a mediatização da tolerância aos "meet's", com o "ok" generalizado e instituído ao "vale tudo" em que nos vemos.
Onde é que está o "fio de prumo"social? Os direitos dos participantes dos "meet's" não deverão terminar onde começam as suas obrigações de bem-estar social? E os direitos dos cidadãos que não acederam a participar nos "meet's"?

Bom, agora...com mais calma...
Tenho imensos estímulos para "meet's", tenho até alguma dificuldade de escolha e dou por mim exausta com tanta informação... ;-)
Vejamos: por entre concertos, festivais, feiras, congressos...tenho depois os "meet's" de amigos com quem quero estar, com várias escalas e circunstâncias diferentes...há espaço e lugar para 2, 3, 4, 5 e mais pessoas....tenho ainda os casamentos, baptizados, aniversários, "sunset meeting's", os "meet's" de maior dimensão em que me cruzo sempre com mais e mais pessoas novas. Não nos cansamos de conhecer pessoas e há uma multiplicidade de opções para isso...pode até ser cansativo e há dias em que preciso de algum silêncio.

Mas, como se isto não chegasse, temos ainda os "meet's" propriamente ditos.

Fiquei estonteada com a resposta simples de alguns jovens em como o objectivo seria "conhecer pessoas"....ou então, "conhecer as pessoas com quem se fala pelo facebook". Ora bem, nada como organizar um encontro "mega" para mais de 500 a 1000 pessoas para conhecer pessoas (?!).

Paremos com esta ingenuidade.
Não me venham dizer que se vai a um "meet" para conhecer pessoas.
Segue-se a ingenuidade das instituições que deveriam legislar e intervir: não se pode proibir, claro, num país em que tudo é permitido.
Ai, a liberdade...para se poder fazer tudo sem responsabilidade de nada.

É-me evidente ter que legislar os "meet's", e seriam regras muito simples, apenas 3:

1. Os encontros promovidos nas redes sociais para mais de 100 pessoas não podem ocorrer em sítios públicos (centros comerciais, concertos, feiras) e não podem provocar danos no espaço escolhido para o efeito.
Porquê? Porque os direitos dos cidadãos que acederam aos "meet's" não se devem sobrepôr aos direitos dos cidadãos que não acederam. Porque qualquer iniciativa de carácter colectivo deve atender a autorização pelo proprietário do espaço escolhido para o efeito, com responsabilidade por quaisquer danos.
Peça-se parecer ao Tribunal Constitucional...

2. Qualquer acto de violência que ocorra nos "meets" deve ser também imputada ao(s) organizador(es) do "meet".
Porquê? Porque quem organiza um evento colectivo deve ter a plena consciência em como a promoção de um encontro de grande escala pode propiciar actos ilícitos e violentos, independentemente do "bom" objectivo.
Ausência de responsabilidade...é o viveiro da ilicitude.

3. Os "meet's" não devem ter qualquer mediatização (sim sim, agora a ingenuidade é minha...)

Há entidades que supervisionam a ética da comunicação social? :)
Sabemos que os factos que não são notícia, morrem. Não devia ser impossível assegurar a coordenação entre entidades de defesa pública e os accionistas dos media.

Estamos perante o reverso da medalha das redes sociais. Será que há "meet's" para um pôr-do-sol? Para limpar florestas? Para funções sociais?

Legisle-se estes "meet's". Haja regras, haja responsáveis. Muscule-se esta confusão social de total permissividade. Não se confunda "brandos costumes" com BONS costumes.



sábado, 23 de agosto de 2014

Património - como preservar

Que título tão apelativo...venham daí umas dicas, pode ser que cuidar bem do património possa ajudar a fazê-lo crescer. E por aí fora...numa escala que, já agora, seja ajudada pela sorte. Hum!
Pois bem...desde já peço desculpa aos dignos proprietários de muitos bens, e também aos que se lamentam por julgarem que pouco ou nada têm; é que as dicas que se seguem são aplicáveis a todos, na mesmíssima proporção.
Que desilusão, eu sei.

Vamos ao princípio...uma pesquisa rápida pela Internet e descobrimos a etimologia da palavra: vem do latim patri ("pai") e monium ("recebido"). Logo: património está associado a herança ou "conjunto de bens e direitos pertencente a uma pessoa, física ou jurídica."

Esta noção tem vindo a sofrer grandes perturbações no seu significado original...dou por mim a ter consciência em como, nesta feroz velocidade de ciclos que obriga a constante regeneração daquilo que rapidamente os mercados ou as guerras devoram, qual será a efectiva herança que deixamos aos nossos filhos, qual o efectivo património de cada um e qual o património comum.

Por aqui no nosso cantinho luso, no espaço de poucas décadas, fomos educados para uma capacidade de emprego sem dificuldade e para a possibilidade de ter património com expectativa sempre crescente. Como se o crescimento económico e a liberdade política coexistissem em harmonia infindável e acíclica.
Hoje, dou por mim ciente em como o património a ter não me vem de empregador algum. Ciente em como os filhos vão ter que lutar pelo deles. E ciente em como há um património comum a cuidar, independente daquilo que julgamos ser o património individual.

Então: não tenho a certeza que património seja Depósitos a Prazo e afins (?? muito haveria a dizer...), Herdades e/ou Empresas. Não significa isto a demissão do sentido de propriedade; mas a noção da sua vulnerabilidade a variáveis externas é fundamental para tratá-lo como algo de exterior a nós próprios.

A propriedade tem enormes riscos e não conseguimos controlar variáveis fundamentais para conseguir a sua preservação.
Na realidade, só conseguimos efectivamente controlar a  forma como agimos e como nos relacionamos. Então, se só aquilo que conseguimos controlar é que é nosso...o património é uma entidade abstracta e intangível, feita das nossas decisões, feita de nós próprios.

E é aqui que me comovo com a recente entrevista de Marcos Vargas Llosa em que afirma "os heróis discretos são a grande reserva moral de uma sociedade".

E então....como preservar património? As minhas dicas:
1. Tratar bem de nós próprios;
2. Amar os familiares;
3. Cuidar dos Amigos;
4. Escolher uma actividade cívica, pelo menos uma vez na vida;
5. Ter uma ideia de negócio próprio e tentar, mesmo que falhe, pelo menos uma vez na vida;
6. Ter sempre opinião fundamentada sobre, pelo menos, um tema;
7. Ler e/ou escrever regularmente;
8. Viver Alegrias e Viver Tristezas, na exacta e real proporção em que acontecem;
9. Ter ambição por Paz interior e por Coragem;
10. Não nos apropriarmos de ninguém, nem deixarmos que alguém se aproprie de nós.

Pareceu óbvio e simples? Parabéns a quem entendeu rapidamente e achou fácil; a mim parece-me complicado e tenho tido imensa dificuldade em preservar o meu património...porque:

1. Dou conselhos aos outros com uma espantosa velocidade, mas tenho dificuldade em dar a mim própria;
2. Não é assim tão fácil conviver com a imensidão do activo e passivo dos familiares e companheiro(a); às vezes sobrevaloriza-se o passivo e diminui-se o justo valor do activo;
3. Amigos...Imprescindíveis! saber que são finitos e imperfeitos, manter a lealdade sem preço e respeitar os silêncios;
4. Uma actividade cívica...mas qual? Não há instituicões próprias para isso? Sim...mas feitas de outros ?!;
5. Só a experiência de um negócio próprio permite valorizar plenamente o trabalho e o dinheiro;
6. Ter opinião sobre quase tudo é tão fácil, então não há wikipedia permanente? mas ter opinião fundamentada exige constante esforço de pensamento;
7.  Ler ou escrever é tão chato...não bastou a escola? Não...ler é um treino, é um convívio activo com a nossa mente;
8. Viver Tristezas na exacta proporção em que acontecem, fazer luto pelos maus acontecimentos, até pelos insucessos...para evitar deslizar mais tarde quando menos se espera;
9. Ambição por evitar impulsos e por reagir com firmeza , raio de equilibrismo quase desumano;
10. Posse! Se pudéssemos usar um comando como na "play station"...mas não existe.

Património é "O" espaço interior que nos permite harmonia entre a Liberdade de Espírito e os Compromissos com os outros.
E porque tudo é precário, há que preservar o único património que temos: nós próprios.

O meu legado... sou eu, e o que quiserem recordar de mim.
Todos somos um património activo, todos temos o dever de o cuidar; e a única forma eficaz de o preservar é saber transmiti-lo à geração seguinte.

(dedicado ao aniversário do meu filho)