(nota inicial: "Poortugal" não é inventado por mim, somos assim designados num recente artigo da revista "Economist" sobre Portugal)
Álvaro,
ACTO I.
Foi assim que te apresentaste ao país: "...tratem-me por Álvaro". Simplesmente.
Em contraciclo com muitos invejosos do título académico, que fizeram questão de o inventar para exigir tão digno tratamento...tu abdicaste dele, neste país de doutores e de cursos superiores inimagináveis.
Pareceu-me que te apresentaste como és, sem subterfúgios, e até te vi arregaçar mangas em vez de confirmar a justeza da gravata.
Inverteste o guião de teatro a que nos habituámos.
És ao contrário do que é normal, na tua função.
Desconcertante.
ACTO II.
Julgo que saibas que assim mostraste a tua fragilidade aos políticos profissionais.
Vezes sem conta, a comunicação social já te remodelou.
Pois bem, o que se passa, é que tens o ministério mais atacável, porque é onde todos nós canalizamos mais esperanças. Ansiamos por crescimento económico, doridos de tanta austeridade que nos faz perder a memória dos anos em que confundimos importação com produção e em que sentimos a ilusão do enriquecimento, envolvidos em betão. Sem moeda própria que nos permitisse ajustar a verdadeira competitividade, e com taxas de juro baixas, vivemos uma ilusão colectiva, com uma governação em crescendo de irresponsabilidade até ao último mandato de festa permanente.
Gerir elevadíssimas expectativas...exige o apelo a todas as competências.
Tens a missão mais ingrata de todas, e não tens por enquanto, qualquer espaço de manobra para executares o que quer que seja.
Austeridade e crescimento são incompatíveis, e tu sabes disso.
Também sabes que o crescimento da economia só inicia o seu longuíssimo percurso depois do severo caminho da austeridade, e que esse caminho é o único possivel quando um país perde a necessária credibilidade para assegurar financiamento.
A oposição partidária não tem soluções, refugia-se na facilidade do insulto.
E então, resta-nos (aos que teimam em acreditar na retoma do nosso querido país) acreditar que a oposição de que precisamos, exista no seio do governo e que faças parte dela. E, com dignidade, a oposição responsável deverá ser anónima, a bem da estabilidade política que nos salva de nova subida do prémio de risco português.
Não deixes de te opôr, no meio dos teus colegas de governo e...que isso fique só entre nós.
ACTO III.
Curiosamente, deste-me um sinal em como estamos no momento de viragem para a ainda longa caminhada da possibilidade de medidas económicas, sabes porquê? Porque foste, há dias, um extraordinário motor contra a oposição, num discurso inflamado na Assembleia da Republica, conseguindo enervar por completo a estupidez insultuosa de quem teimou em designar-te de "remodelável".
Borrifaste nisso e mostraste confiança.
Mesmo que deixes de ser Ministro - por te faltar a competência oratória e a experiência negocial - espero que exerças qualquer outra função muito perto do famigerado Ministério da Economia e que, mais anonimamente, faças o teu trabalho.
É de muita gente anónima que se reconstrói o que gente sem escrúpulos destruíu.
Quem trabalha com ideais não faz questão em receber medalhas.
Continua a trabalhar e não emigres.
É com pessoas contraciclo que se fazem as mudanças, mesmo que não constem dos livros de História.
Se me permites, um abraço,
Paula Mendes
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sábado, 20 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Para quem gosta de ser português
Assim como muitos de vós tem ido às ruas pela 1ª vez, também eu, pela 1ª vez, que nem sequer uso facebook...me venho manifestar.
Sou mais de uma de muitos de vós. Partilho os sonhos e as angústias de todos os portugueses que gostam do seu país. Não partilho as crenças dos portugueses que só se sabem lamentar.
Sempre votei mas não tenho partido.
Sou simplesmente uma democrata, mas no sentido em que os políticos assumissem funções apenas pelo seu mandato, para depois regressar à sua actividade profissional. Mas infelizmente, não é neste modelo político em que vivemos. Que o poder corrompe, todos sabemos, mas com políticos de profissão, esta tendência é levada ao seu limite. E então, estar na oposição que não exerça governação durante décadas, torna-se simplesmente maravilhoso, confortável, impunemenete contra, irresponsavelmente insultuoso, numa liberdade total e...subversiva.
Fui hoje surpreendida positivamente pelo precioso editorial do jornal "Sol": "há luz ao fundo do túnel", porque a credibilidade do nosso país, medida pelo prémio de risco, está pelo menos actualmente, reconquistada. É bem verdade que, sem isso, não conseguiríamos sequer ter capacidade negocial para a famosa Troika. Mas disto, não se fala.
A nossa esquerda é, padoxalmente, um produto do Estado Novo... (??) sim, isso mesmo. A nação de "Estado-pai e Estado-mãe" é o sonho da nossa esquerda...uma cultura contrária ao espírito de iniciativa. Curiosamente o Estado Novo construíu uma geração que não entende que, na realidade, todo o trabalho é precário. O trabalho tem que ser diariamente conquistado e merecido.
Estou mais revoltada com o senhor antigo 1º ministro que vive como um milionário em Paris, a estudar filosofia, do que com a maioria em que o povo português votou e que está a tentar encontrar caminhos para todos nós.
Estou mais revoltada com quem incita a revolta nas ruas, do que com quem está a tentar concertar os erros do passado.
Estou mais revoltada com antigos políticos de referência que comentam destrutivamente, do quem com quem trabalha diariamente pelo emprego de todos nós.
Também eu, que não estou nas ruas, tenho o direito de me manifestar. E lamento profundamente que o senhor Presidente da Republica não saiba exercer aquilo para que foi mandatado, sobretudo em momentos de forte perturbação: não sabe apelar à unidade dos principais partidos, incluindo os da oposição? Prefere acomodar-se aos que exclusivamente criticam, desmemoriados do que fizeram no mais recente mandato?
Cobardes...infinitamente com razão mas sem soluções.
Também lamento profundamente que a comunicação social, na sua esmagadora maioria, não invoque o que é positivo. E o que é que se faz de bom?
- os empresários que lutam pelo emprego dos seus trabalhadores e que têm consciência social (exemplo? Alexandre Soares dos Santos);
- os gestores públicos e governantes que não são políticos e que abdicaram das suas funções para contribuir para o seu país;
- as imensas iniciativas de solidariedade diárias;
- todos aqueles que podem sacrificar os seus luxos pessoais para ajudar quem mais necessite, no seu círculo de conhecimentos, desde manter uma empregada, até dar roupa ou manuais escolares a quem precisa...TODOS PODEMOS AJUDAR!
Estou farta dos pretensos arautos "contra a Troika"...a Troika apareceu porque houve ENORMES erros no passado.
Havemos de sobreviver. Mas não é com esta comunicação social miserável que diariamente nos sufoca de más notícias . Não é com o slogan "antiTroika" que vamos lá.
É com solidariedade diariamente, é com trabalho, com sacrifícios de todos...incluindo sacrifícios dos nossos políticos que deveriam ser mais visíveis.
Também estou contra muitas e muitas coisas...mas estou "mais contra quem está sempre do contra"!
Um olá muito sincero e um grande sorriso a todos os que lutam, acreditam, e gostam de ser portugueses.
Sou mais de uma de muitos de vós. Partilho os sonhos e as angústias de todos os portugueses que gostam do seu país. Não partilho as crenças dos portugueses que só se sabem lamentar.
Sempre votei mas não tenho partido.
Sou simplesmente uma democrata, mas no sentido em que os políticos assumissem funções apenas pelo seu mandato, para depois regressar à sua actividade profissional. Mas infelizmente, não é neste modelo político em que vivemos. Que o poder corrompe, todos sabemos, mas com políticos de profissão, esta tendência é levada ao seu limite. E então, estar na oposição que não exerça governação durante décadas, torna-se simplesmente maravilhoso, confortável, impunemenete contra, irresponsavelmente insultuoso, numa liberdade total e...subversiva.
Fui hoje surpreendida positivamente pelo precioso editorial do jornal "Sol": "há luz ao fundo do túnel", porque a credibilidade do nosso país, medida pelo prémio de risco, está pelo menos actualmente, reconquistada. É bem verdade que, sem isso, não conseguiríamos sequer ter capacidade negocial para a famosa Troika. Mas disto, não se fala.
A nossa esquerda é, padoxalmente, um produto do Estado Novo... (??) sim, isso mesmo. A nação de "Estado-pai e Estado-mãe" é o sonho da nossa esquerda...uma cultura contrária ao espírito de iniciativa. Curiosamente o Estado Novo construíu uma geração que não entende que, na realidade, todo o trabalho é precário. O trabalho tem que ser diariamente conquistado e merecido.
Estou mais revoltada com o senhor antigo 1º ministro que vive como um milionário em Paris, a estudar filosofia, do que com a maioria em que o povo português votou e que está a tentar encontrar caminhos para todos nós.
Estou mais revoltada com quem incita a revolta nas ruas, do que com quem está a tentar concertar os erros do passado.
Estou mais revoltada com antigos políticos de referência que comentam destrutivamente, do quem com quem trabalha diariamente pelo emprego de todos nós.
Também eu, que não estou nas ruas, tenho o direito de me manifestar. E lamento profundamente que o senhor Presidente da Republica não saiba exercer aquilo para que foi mandatado, sobretudo em momentos de forte perturbação: não sabe apelar à unidade dos principais partidos, incluindo os da oposição? Prefere acomodar-se aos que exclusivamente criticam, desmemoriados do que fizeram no mais recente mandato?
Cobardes...infinitamente com razão mas sem soluções.
Também lamento profundamente que a comunicação social, na sua esmagadora maioria, não invoque o que é positivo. E o que é que se faz de bom?
- os empresários que lutam pelo emprego dos seus trabalhadores e que têm consciência social (exemplo? Alexandre Soares dos Santos);
- os gestores públicos e governantes que não são políticos e que abdicaram das suas funções para contribuir para o seu país;
- as imensas iniciativas de solidariedade diárias;
- todos aqueles que podem sacrificar os seus luxos pessoais para ajudar quem mais necessite, no seu círculo de conhecimentos, desde manter uma empregada, até dar roupa ou manuais escolares a quem precisa...TODOS PODEMOS AJUDAR!
Estou farta dos pretensos arautos "contra a Troika"...a Troika apareceu porque houve ENORMES erros no passado.
Havemos de sobreviver. Mas não é com esta comunicação social miserável que diariamente nos sufoca de más notícias . Não é com o slogan "antiTroika" que vamos lá.
É com solidariedade diariamente, é com trabalho, com sacrifícios de todos...incluindo sacrifícios dos nossos políticos que deveriam ser mais visíveis.
Também estou contra muitas e muitas coisas...mas estou "mais contra quem está sempre do contra"!
Um olá muito sincero e um grande sorriso a todos os que lutam, acreditam, e gostam de ser portugueses.
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