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terça-feira, 2 de julho de 2013

Paulo Portas versus Passos Coelho

Vivemos hoje um dia estranho.
Paulo Portas anuncia a sua demissão "irrevogável" (será que há demissões "revogáveis"? estranha figura de estilo).
Passos Coelho - acabei de ouvir o seu discurso - não solicita a exoneração de Paulo Portas ao Presidente da República.
Os partidos da Oposição mantêm os seus discursos, desinteressantes porque demasiado previsíveis.

Os Partidos da coligação manifestam surpresa e prudência.

Ou estamos a assistir a um intenso xadrez político, ou então a emoções de desgaste, ou um misto de ambos. Sim, porque pode haver simplesmente desgastes. Não há heróis, senão nas esculturas.

É-me agora legítimo "apostar" no que irá acontecer...em total incerteza, é mais interessante reflectir. Os diagnósticos tardios sobre o que aconteceu...são estupidamente maquiavélicos e com muito menos interesse.


Comecemos por Paulo Portas.
Um político muitíssimo mais hábil, experiente e controverso que Passos Coelho.
Um engenhoso discursador.
Apresenta a sua demissão como "irrevogável", numa estranha repetição de ideias. É que, apresentar a sua demissão como "revogável" ou "reversível" teria sido patético, Mas apresentá-la como "irreversível" não é uma questão de força, não é uma figura de estilo. Parece ser um sinal a Passos Coelho em como não aceita negociar mais nada. Aparenta que já o terá feito até à exaustão.
Mas...se fosse de facto irreversível...não teria necessidade de assim designá-la.
Quem está determinado ou desesperado, sem qualquer espaço de negociação, apresenta-se cruamente, sem adjectivos, sem redundâncias, com o vazio da decisão final.
Quem ainda pode e quer negociar, contém a emoção de figuras de estilo no seu discurso.
Logo...parece-me bem que ainda há espaço para se manter, nem que seja numa posição mais activa de oposição dentro da coligação. E...se possível.. com o protagonismo dos media.


Passemos a Passos Coelho.
Se há portugueses que podem considerar-se verdadeiramente desgastados, Passos Coelho tem necessariamente que ser um deles. Carrega o "fardo da liderança" - como muito bem Vítor Gaspar lhe escreveu na sua carta de pedido de demissão -, enfrentando a oposição de quase todos, a começar pelos membros do próprio partido.
É menos experiente, menos habilidoso que Paulo Portas. Por isso, menos ardiloso mas mais sério.
E, muito bem, não aceita a exoneração de Paulo Portas. Entendeu dever haver espaço de negociação, entendeu ter que deixar que Paulo Portas assumir o protagonismo que tanto ambiciona. É assim a Democracia...antes que sucumba às seitas organizadas de poder obscruro de que são exemplo uma Maçonaria ou uma Opus Dei.
Passos Coelho fez o passo maduro que devia fazer.

O resto...sinceramente...pouco ou nada interessa.

Com isto, acredito que haja reentendimentos, novos compromissos. Afinal de contas, o Governo tem legitimidade para governar.

Estamos num fio da navalha. Numa espécie de "intervalo" da epopeia "E tudo o vento levou". E é quando tudo parece estar quase perdido, que se readquirem forças. Nunca se sabe qual o limite das nossas forças.

Falta-nos agora este reequilíbrio político para iniciamos aquela fase que sempre vem a seguir à austeridade: o investimento. Falta o penoso caminho de reconquistar clima de CONFIANÇA.

Esta situação tem o mérito de transmitir sinais a quem os souber ler.

Não há "arrufos" entre Homens de Estado.

(escrito num 1º momento, após o discurso de Passos Coelho. Com as emoções que, inevitavelmente, não pude esconder. Mesmo que não acerte na minha expectativa...foi um gosto reflectir por escrito).

2 comentários:

  1. ...dia complicado este ! muitos sentimentos à mistura, muitas inquietações.

    um sentimento de decepção por ver Vitor Gaspar bater com a porta. Os portugueses que suportam o fardo fiscal, que vêm o seu rendimento disponivel reduzir, o seu nivel de conforto, de bem estar a minguar deviam merecer mais respeito. Há um programa para cumprir ? Cumpra-se ! Há objetivos dificeis para atingir ? que haja empenho redobrado. Como dizia um amigo querido quando damos de frente com o Impossivel, é não desistir porque às vezes o Impossivel recua. Mereciamos mais !

    um sentimento de irresponsabilidade calculada com a saida irrevogavel de PP. Num momento em que a estabilidade politica tem sido valorizada como caracteristica bem diferente de outras geografias como a Grecia esperava-se uma atitude de Estado bem diferente de quem é pago (por nós...) para ser ministro de Estado. Não mereciamos que de um homem que tantas vezes demonstrou sentido de Estado viesse agora um arrufo de garoto.

    um sentimento de frustação ao olhar para uma oposição democratica liderada por um dos Tozés deste Mundo ! Mereciamos mais de um partido com os pergaminhos do PS

    um sentimento de oportunidade perdida por ver Portugal liderado pelo actual PR. ACS é o membro mais recente de uma cadeia de líderes com elos com D. Afonso Henriques, D Dinis, D Joao II, D Manuel I, D Joao IV, D Pedro IV. é preciso dizer mais ?...

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  2. Concordo inteiramente com os teus comentários.
    Vivemos uma profunda decepção.
    Ainda acredito que haja uma maioria silenciosa que não parte para a destruição, que não incendeia os media "abutres" e ávidos de notícias sanguinárias.
    Este arrufo do menino Paulo Portas é inacreditável.
    Nós é que não nos podemos demitir de ser portugueses.

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