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domingo, 3 de novembro de 2013

Greves?!

Sim, é isso mesmo. Um ponto de interrogação e de exclamação, em simultâneo.
Não reconheço às greves previstas qualquer impacto positivo: resultados ainda mais negativos das empresas públicas e imenso transtorno nas deslocações de quem quer estudar e trabalhar, sem alternativa de escolha.
Os senhores dirigentes dos sindicatos de transportes não apresentam soluções, num país que perdeu a sua soberania de gestão.
E então, se estas greves só têm impacto financeiro e económico negativo...para quê? Talvez a troco do "glamour" e cobertura dos "media", a troco de protagonismo pelos discursos inflamados porque certos da sua plena audiência. A troco de poder por uns dias. E...a prazo...a troco de nada.

Bem sei que foi uma introdução desabrida a um tema complexo, eu sei...mas, recapitulando, mais devagar:
- o sector privado não faz greves; não porque não possa, mas simplesmente porque a manutenção de resultados negativos na empresa significa desemprego;
- em contrapartida, o sector público sente o direito de expressar a sua indignação com greves, pois se os seus "patrões" são ...o Estado, essa entidade de recursos ilimitados, que pode perpetuar resultados negativos até que a soberania se perca ainda mais, sob pena de resgates superiores.

Pergunto:
- será que os funcionários públicos que não aderem às greves do sector público têm uma conduta anti-constitucional?
- será que os funcionários públicos são coagidos, sob pena de violência, a fazer greve?
- será que os sindicatos apresentam soluções alternativas, antes de marcar os seus gloriosos protestos?

Há um intenso espalhafato em torno das greves, mas não há estudos feitos sobre a sua eficácia.
Revelam emoções negativas do sector público...enquanto as emoções negativas do sector privado são resolvidas com o desemprego.

Virá um ciclo positivo (sempre vêm...revejam a História!),  e então, gostaria de ver marcação de greves em protesto de aumentos irreais de ordenados face aos níveis de produção...pois, nunca haverá, é claro.

Parecendo que não, confesso que:
- estou profundamente magoada com as medidas deste Governo;
- estou profundamente chocada com a irresponsabilidade de todos os partidos da Oposição;
- reconheço vozes independentes de grande qualidade mas sem acesso ao poder.
Pergunto a mim própria sobre se quem governa este país não será antes uma enorme seita Maçónica, que impossibilita qualquer acordo de partidos para verdadeira reforma do Estado, por forma a assegurar a perpetuidade dos cargos de poder.

Admitiria as greves em trabalhos pesados, como minas, siderurgia, indústria pesada (que temos tão escassamente...) onde sempre houve tendência mais evidente para explorar o trabalho com excesso de horas.
Mas não entendo o protesto ao "não trabalho!" no sector público.

Neste contexto de modas e de protestos inconsequentes, acho que o Presidente da República deveria pedir um parecer sobre a constitucionalidade das greves do sector público, num país sob resgate, sem autonomia financeira e, por isso, sem qualquer possibilidade de escolha. E ... vindo o TC a ser certamente favorável à constitucionalidade, porque não marcar sucessivas greves no sector privado?
Pois é...não parece nada bem, não é?

Finalmente: entendo que, civicamente, todos devemos procurar formas de apresentar soluções, desde atitudes de trabalho até organizações de intervenção cívica. A todos compete fazê-lo, enquanto vivemos no nosso País.