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domingo, 14 de outubro de 2012

Para quem gosta de ser português

Assim como muitos de vós tem ido às ruas pela 1ª vez, também eu, pela 1ª vez, que nem sequer uso facebook...me venho manifestar.
Sou mais de uma de muitos de vós. Partilho os sonhos e as angústias de todos os portugueses que gostam do seu país. Não partilho as crenças dos portugueses que só se sabem lamentar.

Sempre votei mas não tenho partido.
Sou simplesmente uma democrata, mas no sentido em que os políticos assumissem funções apenas pelo seu mandato, para depois regressar à sua actividade profissional. Mas infelizmente, não é neste modelo político em que vivemos. Que o poder corrompe, todos sabemos, mas com políticos de profissão, esta tendência é levada ao seu limite. E então, estar na oposição que não exerça governação durante décadas, torna-se simplesmente maravilhoso, confortável, impunemenete contra, irresponsavelmente insultuoso, numa liberdade total e...subversiva.

Fui hoje surpreendida positivamente pelo precioso editorial do jornal "Sol": "há luz ao fundo do túnel", porque a credibilidade do nosso país, medida pelo prémio de risco, está pelo menos actualmente, reconquistada. É bem verdade que, sem isso, não conseguiríamos sequer ter capacidade negocial para a famosa Troika. Mas disto, não se fala.
A nossa esquerda é, padoxalmente, um produto do Estado Novo... (??) sim, isso mesmo. A nação de "Estado-pai e Estado-mãe" é o sonho da nossa esquerda...uma cultura contrária ao espírito de iniciativa. Curiosamente o Estado Novo construíu uma geração que não entende que, na realidade, todo o trabalho é precário. O trabalho tem que ser diariamente conquistado e merecido.

Estou mais revoltada com o senhor antigo 1º ministro que vive como um milionário em Paris, a estudar filosofia, do que com a maioria em que o povo português votou e que está a tentar encontrar caminhos para todos nós.
Estou mais revoltada com quem incita a revolta nas ruas, do que com quem está a tentar concertar os erros do passado.
Estou mais revoltada com antigos políticos de referência que comentam destrutivamente, do quem com quem trabalha diariamente pelo emprego de todos nós.

Também eu, que não estou nas ruas, tenho o direito de me manifestar. E lamento profundamente que  o senhor Presidente da Republica não saiba exercer aquilo para que foi mandatado, sobretudo em momentos de forte perturbação: não sabe apelar à unidade dos principais partidos, incluindo os da oposição? Prefere acomodar-se aos que exclusivamente criticam, desmemoriados do que fizeram no mais recente mandato?
Cobardes...infinitamente com razão mas sem soluções.

Também lamento profundamente que a comunicação social, na sua esmagadora maioria, não invoque o que é positivo. E o que é que se faz de bom?
- os empresários que lutam pelo emprego dos seus trabalhadores e que têm consciência social (exemplo? Alexandre Soares dos Santos);
-  os gestores públicos e governantes que não são políticos e que abdicaram das suas funções para contribuir para o seu país;
- as imensas iniciativas de solidariedade diárias;
- todos aqueles que podem sacrificar os seus luxos pessoais para ajudar quem mais necessite, no seu círculo de conhecimentos, desde manter uma empregada, até dar roupa ou manuais escolares a quem precisa...TODOS PODEMOS AJUDAR!

Estou farta dos pretensos arautos "contra a Troika"...a Troika apareceu porque houve ENORMES erros no passado.

Havemos de sobreviver. Mas não é com esta comunicação social miserável que diariamente nos sufoca de más notícias . Não é com o slogan "antiTroika" que vamos lá.
É com solidariedade diariamente, é com trabalho, com sacrifícios de todos...incluindo sacrifícios dos nossos políticos que deveriam ser mais visíveis.

Também estou contra muitas e muitas coisas...mas estou "mais contra quem está sempre do contra"!

Um olá muito sincero e um grande sorriso a todos os que lutam, acreditam, e gostam de ser portugueses.


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