Total de visualizações de página

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Fim deste blog; agradecimento

Termino hoje este ciclo de "...a minha manifestação", iniciado em 14 de outubro de 2012, pelos motivos que registo nessa minha 1ª publicação.
Passaram quase 7 anos; foi uma fase intermitente de perplexidades com este querido país onde nasci, onde vivo e que incondicionalmente me molda.
Seguir-se-à seguramente outra forma de expressão social e cívica. Porque Portugal comove-me intensamente e não desisto Dele. Porque a minha alma é lusa e, por entre esperanças e desânimos, sinto fazer o que está ao meu alcance.

Obrigada pelos silêncios nas palavras lidas, esses tempos de partilha irrepetíveis.



domingo, 23 de junho de 2019

Discurso de João Miguel Tavares - o despertar da nova consciência política

Foi o meu filho, de 20 e picos anos, que insistiu em que eu ouvisse o discurso do "João Miguel" - como assim lhe chama o Ricardo Araújo Pereira - no 10 de junho.
Ele sabe que estou cansada dos políticos - de todos, sem excepção - e ainda assim, fez questão de me pedir que o ouvisse. Contrariada - porque algures a esperança anestesiou - aceitei.

E ouvi o discurso por inteiro, em crescente comoção e surpresa.
Reconheci-me, despertei.

____________

No meu canto, anónimo... a uma distância atlântica aos "outros".
A recente votação nas europeias evidencia essa maioria de anónimos, se calhar com mais de metade no sector privado, em busca de um rumo no dia-a-dia e totalmente desgastada com a corrupção abusivamente normal e crescente, atónita, bloqueada e anestesiada com uma espécie de inércia gigante da mediocridade reinante. E assistimos a que os partidozitos em que votaram menos de 30% dos eleitores reclamem vitórias ... coitaditos... procurando onde coligar ao poder que subsiste.
Os jovens entreolham-se entre um programa apelativo de Bloco de Esquerda que não reage às corrupções e omissões do poder e com uma lista interminável de boas intenções de impossível exequibilidade perante um orçamento apertado, e um PSD repleto de "velhos" e sem capacidade de mudança; ou seja, até os nossos "antípodas" políticos são desinteressantes.

Um total vazio político. Uma arena de circo romano. Uma orgia de sentidos, de escassos aumentozitos no público e decadência total no privado, uns impostos indirectos que não se questionam. Aliás... nada se questiona, tudo se aceita. Admirável estilo "português suave"...

O João Miguel Tavares acordou a consciência desta maioria anónima, cansada de TODOS os políticos que papagueiam discursos inúteis, sentados numa direita e numa esquerda ambas aburguesadas dos seus direitos e dos seus carreirismos, vazias de ideias e incapazes de gerir as emoções dos portugueses.

_____________

Quem com nada ficou nos incêndios de há 2 anos estão literalmente esquecidos e resignados à "má sorte" ?!, verdadeiros heróis mas eventuais eleitores de 2ª, nesse interior profundo e distante do litoral verdejante de turistas ocasionais.

Quem compra obrigações da TAP esquece que foram distribuídos uns estranhos bónus a uns quantos, não obstante os resultados operacionais negativos.

O SNS está em falência ... gerido com cativações, gestão infantil, primária e selvagem. Um Estado social esquecido mas com a ilusão de uns eurozitos de aumento, para assegurar próximas vitórias destas geringonças flutuantes de oportunistas.

E tantas, tantas outras situações, diárias (a vergonha de Tancos!) ... suportadas pela resignação da suposta esquerda, toleradas pela suposta direita, mutilando quem trabalha pelo país e permitindo as imbecilidades deste governo gordo e tolerado pela formidável ausência de opositores... até que um dia, outra revolução silenciosa aconteça, perante outro resgate internacional. Acontecerá.

________

Lembrei-me que deixara de escrever neste meu cantinho desde há anos. E despertei.
Entendi que há um equilíbrio social anónimo que protege e solidariza quem mais precisa... uma lista interminável de cuidadores informais... de avós que educam netos.. de filhos que emigram, poucos com  rumos certos e muitos com rumos por descobrir... mão de obra cada vez mais barata à merçê de um turismo de baixa qualidade, precário a breve prazo ... uma segurança titubeante e verdadeiramente mal paga... um país em que tudo é permitido a bem de uma "simpatia" que tanto tem de "esplêndido" como de "parva"...  com um sector privado sem futuro e com um sector público que tem uns eurozitos mais na conta para gastar no combustível mais caro.

_______

Acima de tudo, João Miguel Tavares, falaste em nome da maioria anónima, que não tem actualmente partido e que não sabe bem porque trabalha neste país.

Foste simples, brilhante, carismático e deste força a quem não desiste de ser cidadão português.
Foste estranhamente positivo... acredita que sim.