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terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Uma nova variável económica
Dia de Natal de 2012.
Quer se goste ou não, é um dia diferente. Não é um feriado vulgar. Pára-se para celebrar ou para acompanhar quem celebre.
Negoceiam-se relações nas novas famílias - que o são tantas vezes -, para se conseguir estar com quem mais amamos e também, com quem partilhamos ausências.
Sorri-se, ou inventa-se sorrisos, não importa...pára-se, com respeito a uma celebração.
E...venho desabafar convosco ... a generosidade tem-me perseguido como um caminho inexplorado.
Em ciclos positivos, em que tudo o que fazemos gera mais resultados que o que previmos, sentimo-nos uma espécie de mágicos de sucesso; e em tantos casos, a generosidade reduz-se a um punhado de moedas que se dão a quem pede, muito de vez em quando. Cumpre-se assim um ritual de caridade"zinha", sem desconfortáveis apertos de coração.
Mas nestes ciclos mais duros...a generosidade é um gigante que nos persegue, uma voz que nos atordoa, um sentimento que nos dói.
Porque quando damos umas moeditas, não estamos a ser generosos; estamos a vender generosidade.
É infinitamente mais trabalhoso ocupar tempo com a dor de alguém.
Também quem governa pode ser generoso se confiar na capacidade de crescermos com menos taxa de imposto e mais receita fiscal.
Quem trabalha pode ser generoso se o fizer com determinação apesar do menor retorno.
Quem estuda pode ser generoso se pensar em como pode usar os seus talentos para investir no seu país.
Se teimarem em usar de superior austeridade, destrói-se o capital de confiança daqueles que teimam em acreditar no país.
Confiar no mágico efeito mutiplicador de menos taxa de imposto...é um caminho que ainda não se tentou e que pode trazer um generoso resultado.
Não há falta de estudos quanto aos maiores contribuintes nacionais e quanto à sua incapacidade para produzir mais receita fiscal. Uma imbecil relação escolástica...infrutífera para o futuro.
A generosidade não é apenas geradora de afectos ou de laços...não, nada disso...pode ser multiplicadora de talentos inesperados.
Todos podemos um dia tropeçar num percalço e cair, sem entender porquê, e sermos salvos pelo tempo que simplesmente alguém nos dedique a troco de ...nada. E é deste nada que pode vir uma total renovação de confiança.
Generosidade...evidentemente que não é uma variável económica.
É antes uma atitude com valor económico, com significado matemático, um multiplicador de extraordinária potência imprevisível para os economistas. Menos estranho para os bons gestores de empresas. E imprescindível para quem tem negócios por sua conta e risco.
A generosidade é um risco, porque se investe sem prever retorno.
Só é generoso quem tem a coragem de perder tempo para um bem alheio, às cegas, sem noção das consequências.
A única certeza da generosidade é a de que os resultados não podem ser negativos.
2013 não pode ser generoso para connosco se nada tivermos para dar. Mas será sem duvida mais generoso que o previsto, se os nossos economistas governantes substituirem austeridade fiscal por políticas económicas. E assim se substituem os cenários de previsíveis receitas fiscais impossíveis ... por receitas também incertas mas mais possíveis.
sábado, 8 de dezembro de 2012
"Ridicule", ou a nossa Europa
"Ridicule" é o título de um filme francês de 1996, que me marcou e de que me tenho lembrado ultimamente.
Passa-se no contexto da decadente Versalhes, em pleno "Antigo Regime" no final do séc.XVIII. Sobre um aristocrata falido que sonha em conseguir financiamento para a irrigação das suas herdades para que volte a ser possível produzir. Para o obter, terá que conseguir uma audiência com o Rei. Percebe que o único caminho é obter protagonismo na corte, contando anedotas com "o" espírito que encante as amantes do Rei. Presta-se então a esse "ridículo", com sucesso. Mas após conseguir a ambicionada conversa de escassos minutos com o pateta do Rei, sente-se estupidificado. Sente que se desintegrou, que se despersonalizou, que abandonou o seu amor-próprio. Desenvolve competências que não julgava ter, e não sabe se gostaria de ter desenvolvido. Sente-se confuso e tem dúvidas sobre se os fins terão justificado os meios.
Daria também um bom enredo de Kafka, no início do séc.XX. Mesmo num contexto político e social completamente diferente, mas...europeu.
Daria também um excelente enredo actual. Vejamos...
Os líderes europeus multiplicam-se em fotos sorridentes, sempre impecáveis e iludidos em serem donos dos destinos do mundo. Enquanto isso, trabalha-se estupidamente na Ásia, por entre crianças e idosos, sem leis de trabalho que vigiem a decência do trabalho e sem leis de mercado que os impeçam de vender de qualquer maneira o que foi produzido sem ética de trabalho.
Deliciamo-nos com o quotidiano das famílias reais, as princesas competem em medidas, vestidos e sorrisos, como se a beleza fosse o principal talento feminino. Monarquias sem decisão política, mas com o simbolismo do absolutismo real que manteve faustos e alimenta o imaginário social. Desperdícios ridículos por entre regimes democráticos que albergam sem-abrigos em ascensão.
A Europa engordou, envaideceu-se, autoalimenta-se do mito épico do auge da civilização.
Ridícula.
Apesar de tudo isto, não renego nem o meu país nem sermos europeus. Porque reconheço que somos educados num contexto de valores humanos que, ainda assim, é positivo. Conquistado depois de muitos séculos de lutas. A democracia é um regime que nasceu da guerra. Os direitos humanos nasceram das cinzas dos abusos de poder.
Mas esta noção do nosso ridículo é fundamental para alterar mentalidades. Voltar à terra, ao mar, entender que as grandes empresas já não vingam, num contexto em que a incerteza e a velocidade dos mercados implica estruturas mais leves e adaptáveis.
Que os Estados europeus entendam que a austeridade já não é mais o ganho da seriedade sobre a corrupção que duplicou as despesas dos Estados em escassos anos, mas antes uma armadilha diabólica que nos pode aniquilar. Entender que é preciso criar de novo condições para produzir nos nossos países, dar espaço para não deixar que o serviço de dívida do Estado asfixie a remusculação das economias.
Esta situação está devidamente estudada; há diversos artigos de ilustres economistas, provando que os efeitos das múltiplas políticas de austeridade em países que têm fortes fluxos comerciais entre si implicam revisão de crescimento em baixa, num efeito multiplicador recessivo. E mesmo que esta percepção seja real para os senhores políticos que tiram fotos sorridentes, prorrogam o momento em que vão reolhar para a economia real em função do xadrez político, em função das próximas eleições, em função de outras variáveis que não a situação do país que governam.
E não sei se se perguntam se os fins irão justificar os meios...infelizmente porque a noção de "fins" se mistura com os "meios", numa confusão de valores que é melhor resolver com um sorriso para a câmara e com adiamento para próximas sessões.
Já não são só os economistas que têm a chave para os nossos problemas...tem que se governar com mistura, e até predomínio, de outras competências.
"Ridicule" é um argumento perverso que não devia ser intemporal.
Passa-se no contexto da decadente Versalhes, em pleno "Antigo Regime" no final do séc.XVIII. Sobre um aristocrata falido que sonha em conseguir financiamento para a irrigação das suas herdades para que volte a ser possível produzir. Para o obter, terá que conseguir uma audiência com o Rei. Percebe que o único caminho é obter protagonismo na corte, contando anedotas com "o" espírito que encante as amantes do Rei. Presta-se então a esse "ridículo", com sucesso. Mas após conseguir a ambicionada conversa de escassos minutos com o pateta do Rei, sente-se estupidificado. Sente que se desintegrou, que se despersonalizou, que abandonou o seu amor-próprio. Desenvolve competências que não julgava ter, e não sabe se gostaria de ter desenvolvido. Sente-se confuso e tem dúvidas sobre se os fins terão justificado os meios.
Daria também um bom enredo de Kafka, no início do séc.XX. Mesmo num contexto político e social completamente diferente, mas...europeu.
Daria também um excelente enredo actual. Vejamos...
Os líderes europeus multiplicam-se em fotos sorridentes, sempre impecáveis e iludidos em serem donos dos destinos do mundo. Enquanto isso, trabalha-se estupidamente na Ásia, por entre crianças e idosos, sem leis de trabalho que vigiem a decência do trabalho e sem leis de mercado que os impeçam de vender de qualquer maneira o que foi produzido sem ética de trabalho.
Deliciamo-nos com o quotidiano das famílias reais, as princesas competem em medidas, vestidos e sorrisos, como se a beleza fosse o principal talento feminino. Monarquias sem decisão política, mas com o simbolismo do absolutismo real que manteve faustos e alimenta o imaginário social. Desperdícios ridículos por entre regimes democráticos que albergam sem-abrigos em ascensão.
A Europa engordou, envaideceu-se, autoalimenta-se do mito épico do auge da civilização.
Ridícula.
Apesar de tudo isto, não renego nem o meu país nem sermos europeus. Porque reconheço que somos educados num contexto de valores humanos que, ainda assim, é positivo. Conquistado depois de muitos séculos de lutas. A democracia é um regime que nasceu da guerra. Os direitos humanos nasceram das cinzas dos abusos de poder.
Mas esta noção do nosso ridículo é fundamental para alterar mentalidades. Voltar à terra, ao mar, entender que as grandes empresas já não vingam, num contexto em que a incerteza e a velocidade dos mercados implica estruturas mais leves e adaptáveis.
Que os Estados europeus entendam que a austeridade já não é mais o ganho da seriedade sobre a corrupção que duplicou as despesas dos Estados em escassos anos, mas antes uma armadilha diabólica que nos pode aniquilar. Entender que é preciso criar de novo condições para produzir nos nossos países, dar espaço para não deixar que o serviço de dívida do Estado asfixie a remusculação das economias.
Esta situação está devidamente estudada; há diversos artigos de ilustres economistas, provando que os efeitos das múltiplas políticas de austeridade em países que têm fortes fluxos comerciais entre si implicam revisão de crescimento em baixa, num efeito multiplicador recessivo. E mesmo que esta percepção seja real para os senhores políticos que tiram fotos sorridentes, prorrogam o momento em que vão reolhar para a economia real em função do xadrez político, em função das próximas eleições, em função de outras variáveis que não a situação do país que governam.
E não sei se se perguntam se os fins irão justificar os meios...infelizmente porque a noção de "fins" se mistura com os "meios", numa confusão de valores que é melhor resolver com um sorriso para a câmara e com adiamento para próximas sessões.
Já não são só os economistas que têm a chave para os nossos problemas...tem que se governar com mistura, e até predomínio, de outras competências.
"Ridicule" é um argumento perverso que não devia ser intemporal.
sábado, 17 de novembro de 2012
Carta ao nosso estudante de filosofia
"José ? (...desculpa, não me lembro bem do apelido, só sei que é de um filósofo grego)
Não leves a mal que assim me dirija sem invocar o teu curso de engenharia, mas…sinceramente…não faças questão. Não era preciso teres inventado o curso, as tuas competências são imensas e muitas delas não terias aprendido em nenhum Curso Superior.
Como sei que tens bastante tempo livre, e te dedicas agora a superiores assuntos de filosofia, poderás certamente reflectir naquilo que tenho para te dizer.
Não te sintas culpado por nada do que aconteceu ao país; na realidade, foste um produto nosso. A maioria do povo português confiou-te o governo da nação porque, simplesmente, personificaste o sonho da maioria, sabes porquê?
- porque não precisaste de curso superior para ter sucesso, és mesmo esperto;
- porque cuidas da tua imagem, vestes Armani e tens um largo sorriso;
- porque falas bem, numa capacidade imbatível de usar muitas palavras inúteis mas belas de se ouvir;
- porque entendes que o Estado é uma entidade abstracta que se pode endividar infinitamente, sem ter nunca que prestar contas;
- porque, assim como o Estado tem uma abstracção de dívidas, a obrigação do seu pagamento é uma enorme maçada inventada por gente chata, e quando for enorme, há-de-se renegociar sem perder credibilidade, numa espécie de ilusionismo financeiro que só tu conheces;
- porque manobras bem as palavras e sabes o que os eleitores gostam de ouvir;
- porque és mestre em manipular pessoas.
Na realidade, reconheço que a tua maior competência – a de influenciar pessoas – está a fazer falta ao nosso Ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Abdicou ele da sua carreira internacional para vir fazer contas ao país…é evidente que está pesaroso com a equação impossível em que nos deixaste…faz-lhe falta uma pessoa como tu que saiba comunicar e influenciar e que nos explique que a alternativa a tudo isto seria termos saído do Euro, voltar ao escudo com a desvalorização de quase 50% e com um empobrecimento muito mais grave e súbito do que este.
Não há choques suaves…e antes que fosses chamado a prestar contas, foste estudar filosofia. A proeza do vilão que escapa sempre quando está quase a ser apanhado...e qual James Bond, que está sempre impecável no seu Armani…és de facto extraordinário e, digo-te, davas um herói de cinema.
Peço-te, muita sinceramente, que me avises com antecedência assim que, qual D.Sebastião de que tanto gostamos, pretendas regressar para salvar a nação deste Governo de gente tão fria e mal intencionada…é que, de imediato, terei mesmo que emigrar, não aguentaria ver outra vez o meu país entregue às tuas loucuras.
Mas também te digo que terias remissão se usasses a tua tremenda capacidade de influenciar para relembrar a tua gente que também assinaram o acordo com a troika…lembrar que o caminho fácil da insulta ainda destrói mais o país. Mas é claro que seria pedir-te imenso, pois se precisaste de inventar um curso, se compraste o conhecimento em vez de sofrer por ele, se desconheces o suor do trabalho...pois bem, estás condenado a não ter a seriedade que complementaria a tua imensa habilidade política.
Tenho mesmo pena...as tuas competências de negociação não podem ser usadas pelas equipas sérias que procuram soluções...tenho mesmo muita pena.
Enfim, deixa lá, não se pode ter tudo.
Espero que, no teu curso de filosofia, já tenhas aprendido a reflectir nas coisas, pelo menos com seriedade intelectual.
Adeus,
Não leves a mal que assim me dirija sem invocar o teu curso de engenharia, mas…sinceramente…não faças questão. Não era preciso teres inventado o curso, as tuas competências são imensas e muitas delas não terias aprendido em nenhum Curso Superior.
Como sei que tens bastante tempo livre, e te dedicas agora a superiores assuntos de filosofia, poderás certamente reflectir naquilo que tenho para te dizer.
Não te sintas culpado por nada do que aconteceu ao país; na realidade, foste um produto nosso. A maioria do povo português confiou-te o governo da nação porque, simplesmente, personificaste o sonho da maioria, sabes porquê?
- porque não precisaste de curso superior para ter sucesso, és mesmo esperto;
- porque cuidas da tua imagem, vestes Armani e tens um largo sorriso;
- porque falas bem, numa capacidade imbatível de usar muitas palavras inúteis mas belas de se ouvir;
- porque entendes que o Estado é uma entidade abstracta que se pode endividar infinitamente, sem ter nunca que prestar contas;
- porque, assim como o Estado tem uma abstracção de dívidas, a obrigação do seu pagamento é uma enorme maçada inventada por gente chata, e quando for enorme, há-de-se renegociar sem perder credibilidade, numa espécie de ilusionismo financeiro que só tu conheces;
- porque manobras bem as palavras e sabes o que os eleitores gostam de ouvir;
- porque és mestre em manipular pessoas.
Na realidade, reconheço que a tua maior competência – a de influenciar pessoas – está a fazer falta ao nosso Ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Abdicou ele da sua carreira internacional para vir fazer contas ao país…é evidente que está pesaroso com a equação impossível em que nos deixaste…faz-lhe falta uma pessoa como tu que saiba comunicar e influenciar e que nos explique que a alternativa a tudo isto seria termos saído do Euro, voltar ao escudo com a desvalorização de quase 50% e com um empobrecimento muito mais grave e súbito do que este.
Não há choques suaves…e antes que fosses chamado a prestar contas, foste estudar filosofia. A proeza do vilão que escapa sempre quando está quase a ser apanhado...e qual James Bond, que está sempre impecável no seu Armani…és de facto extraordinário e, digo-te, davas um herói de cinema.
Peço-te, muita sinceramente, que me avises com antecedência assim que, qual D.Sebastião de que tanto gostamos, pretendas regressar para salvar a nação deste Governo de gente tão fria e mal intencionada…é que, de imediato, terei mesmo que emigrar, não aguentaria ver outra vez o meu país entregue às tuas loucuras.
Mas também te digo que terias remissão se usasses a tua tremenda capacidade de influenciar para relembrar a tua gente que também assinaram o acordo com a troika…lembrar que o caminho fácil da insulta ainda destrói mais o país. Mas é claro que seria pedir-te imenso, pois se precisaste de inventar um curso, se compraste o conhecimento em vez de sofrer por ele, se desconheces o suor do trabalho...pois bem, estás condenado a não ter a seriedade que complementaria a tua imensa habilidade política.
Tenho mesmo pena...as tuas competências de negociação não podem ser usadas pelas equipas sérias que procuram soluções...tenho mesmo muita pena.
Enfim, deixa lá, não se pode ter tudo.
Espero que, no teu curso de filosofia, já tenhas aprendido a reflectir nas coisas, pelo menos com seriedade intelectual.
Adeus,
domingo, 4 de novembro de 2012
"Este país não é para velhos" II - Reflexão sobre o Estado Social.
(escrevi hoje sobre sobre os idosos e sobre a importância dos afectos...sinto ter que complementar essa reflexão, ainda hoje, com a emergência do Estado...Social; no final, entende-se porque separo as expressões)
Em tempos de "austeridade" e de "ajustamento", os políticos ressuscitaram a expressão de "Estado Social". Curioso. Nas décadas de "crescimento", plenas de auto-estradas, vias rápidas, estádios de futebol, plasmas e muito "wireless", "oh yeah" ... a expressão já tinha sido abandonada. Talvez já não fosse necessário pensar nisso.
Afinal, o "Estado Social" renasceu agora nos debates da nossa mui iletrada classe política.
Mas então...o que é isso?
É na realidade um extraordinário legado europeu, nascido do suor de muitos que assim trabalharam - literalmente com suor -, e nascido inevitavelmente da devastação das guerras.
Aprendeu-se nos séc. XIX e XX, neste velho continente, que o Estado deve ser...Social. Simplesmente isso. O verdadeiro progresso de uma sociedade que se orgulhe e se regozije de ser democrática.
E então, as obras-primas do Estado Social são: Saúde, Educação, Justiça.
Quase todos os outros ministérios perdem autonomia financeira para antes se dotarem de ...estratégia (? outra expressão em desuso...)
Se o Ensino Público promover hábitos de trabalho, exigência e espírito de iniciativa, o crescimento económico dependerá menos de subsídios ou da actividade do Estado.
Pagar impostos e saber que não faltam cuidados de saúde acessíveis sobretudo a crianças e idosos, que o ensino público promove competência e empreendedorismo, que o serviço de Justiça é eficaz e que os pequenos delitos têm consequências sem fazer crescer os irecuperáveis processos de insanidade social sem repressão...uma infeliz miragem. Afinal, com retrocesso em qualquer uma destas verdadeiras frentes de batalha...ficamos...em ambiente "wireless", mas muito mais pobres.
Chegámos a um lamentável ponto de viragem em que afinal...as três áreas fundamentais terão que ser superiormente pagas para que sejam plenamente asseguradas, apesar de tanta evolução nas vias de comunicação, apesar de tantos centros comerciais, apesar de tanta "net".
Afinal, a geração mais idosa, que trabalhou mais duramente que os filhos criados num ambiente mais simples e facilitado, vê-se agora em retrocesso financeiro.
O Estado não é uma entidade abstracta. Todos somos e fazemos parte Dele, um organismo vivo que se alimenta de todos para a todos chegar.
Nascemos com o direito de ter acesso à saúde e educação que são pagos com impostos. Contribuímos com estudo, trabalho e função social. Os impostos asseguram este círculo de serviços, desde crianças até idosos...e assim fazemos parte do Estado, numa contribuição recíproca e permanente de trabalho, impostos e direito à saúde, educação e justiça.
Afinal de contas, use-se apenas e só a expressão..."Estado". Devia ser autoexplicativo. Devia, com dignidade, significar "Estado Social". Quem acrescenta agora o "Social" terá eventualmente que rever se faz dignamente parte do "Estado".
Em tempos de "austeridade" e de "ajustamento", os políticos ressuscitaram a expressão de "Estado Social". Curioso. Nas décadas de "crescimento", plenas de auto-estradas, vias rápidas, estádios de futebol, plasmas e muito "wireless", "oh yeah" ... a expressão já tinha sido abandonada. Talvez já não fosse necessário pensar nisso.
Afinal, o "Estado Social" renasceu agora nos debates da nossa mui iletrada classe política.
Mas então...o que é isso?
É na realidade um extraordinário legado europeu, nascido do suor de muitos que assim trabalharam - literalmente com suor -, e nascido inevitavelmente da devastação das guerras.
Aprendeu-se nos séc. XIX e XX, neste velho continente, que o Estado deve ser...Social. Simplesmente isso. O verdadeiro progresso de uma sociedade que se orgulhe e se regozije de ser democrática.
E então, as obras-primas do Estado Social são: Saúde, Educação, Justiça.
Quase todos os outros ministérios perdem autonomia financeira para antes se dotarem de ...estratégia (? outra expressão em desuso...)
Se o Ensino Público promover hábitos de trabalho, exigência e espírito de iniciativa, o crescimento económico dependerá menos de subsídios ou da actividade do Estado.
Pagar impostos e saber que não faltam cuidados de saúde acessíveis sobretudo a crianças e idosos, que o ensino público promove competência e empreendedorismo, que o serviço de Justiça é eficaz e que os pequenos delitos têm consequências sem fazer crescer os irecuperáveis processos de insanidade social sem repressão...uma infeliz miragem. Afinal, com retrocesso em qualquer uma destas verdadeiras frentes de batalha...ficamos...em ambiente "wireless", mas muito mais pobres.
Chegámos a um lamentável ponto de viragem em que afinal...as três áreas fundamentais terão que ser superiormente pagas para que sejam plenamente asseguradas, apesar de tanta evolução nas vias de comunicação, apesar de tantos centros comerciais, apesar de tanta "net".
Afinal, a geração mais idosa, que trabalhou mais duramente que os filhos criados num ambiente mais simples e facilitado, vê-se agora em retrocesso financeiro.
O Estado não é uma entidade abstracta. Todos somos e fazemos parte Dele, um organismo vivo que se alimenta de todos para a todos chegar.
Nascemos com o direito de ter acesso à saúde e educação que são pagos com impostos. Contribuímos com estudo, trabalho e função social. Os impostos asseguram este círculo de serviços, desde crianças até idosos...e assim fazemos parte do Estado, numa contribuição recíproca e permanente de trabalho, impostos e direito à saúde, educação e justiça.
Afinal de contas, use-se apenas e só a expressão..."Estado". Devia ser autoexplicativo. Devia, com dignidade, significar "Estado Social". Quem acrescenta agora o "Social" terá eventualmente que rever se faz dignamente parte do "Estado".
"Este país não é para velhos"
...ouvimos muitas vezes: há demasiados velhos...e é um enorme problema...que chatice...
O melhor é manter esta secreta esperança em como nos havemos de safar da velhice.
"Velhos"! Eis a preciosa designação que teremos um dia, um carimbo inevitável (?).
Pelos vistos, este país não é para velhos.
Mas então, o facto de podermos envelhecer é ou não o produto do nosso progresso?
Querer viver mais e melhor tem sido ou não uma ambição? Que raio, é então estranho encarar o envelhecimento com preocupação, em vez de acolher a satisfação de vivermos num país que tem cuidado dessa condição...ou não?
Todos vamos envelhecer...ou não?
De pouco nos serve termos a mania que sabemos educar os nossos filhos, se nos recusamos a cuidar dos idosos da nossa família.
De pouco nos serve continuarmos a trabalhar por condições melhores se, quando chegarmos à idade da reforma, vamos sentir abandono...e vamos perguntar porque nos esforçámos tanto.
Qualquer dia, vamos sentir maior dificuldade em falar, talvez porque a vontade se perca. Mesmo que o raciocínio se mantenha, mesmo com a observação mais aperfeiçocada, a importância das palavras vai ser maior, vamos querer usá-las da melhor forma, e não nos vai apetecer gastá-las com quem nos despreza, não nos entende ou não tem tempo para nos ouvir.
Para quê tanto trabalho se, qualquer dia, vamos estar rodeados de impacientes que não querem acompanhar o nosso passo? E que vão praguejar pela nossa lentidão de reflexos, nos movimentos e nas palavras?
E então, vai haver o 1º dia em que vamos desistir...a menos que encontremos um objectivo para nos continuarmos a levantar, a sair de casa e a andar. E, invariavelmente, o objectivo que nos vai fazer mexer vai ser, algures, a força dos afectos. O carinho de alguém no café, na rua, no jardim, na igreja, vai-nos orientar os passos, e vamos querer retribuir um sorriso, vamos procurar onde poderemos ser úteis. Vamos querer receber o olá carinhoso da pessoa que nos cumprimenta, nas nossas rotinas.
Os idosos podem ensinar coisas fundamentais da vida que teimamos tantas vezes em ignorar em casa, na profissão, na forma como lidamos com percalços.
Podem ser avós formidáveis e cumprir uma função social que não é substituível.
Ou então, podem ter a energia dos sábios nas empresas...a experiência de vida que tempera os riscos desnecessários e que, tantas vezes, fazem falta a quem toma decisões.
Podem desempenhar actividades sociais para o que, quem trabalha plenamente, não tem tempo.
Ou então, podem simplesmente sossegar pela presença, pelo sorriso, pelo tempo que dedicam aos pequenos carinhos que faltam aos "pré-idosos".
Se este país não é para velhos...se não há nenhum país de velhos para onde possamos emigrar quando as forças nos faltarem...então de nada serve viver mais e melhor.
É um tema independente da "crise". Muito bem, é fundamental cuidar das reformas com dignidade. É fundamental que haja instituições com cuidados de saúde para o que os nossos filhos e ou amigos não tenham competência. Mas sem carinho, sem o tempo de alguém...de nada servirá o apoio social.
Cuidemos dos idosos na nossa família...abandone-se a expressão "velho"...velho é quem é incapaz de sentir afectos, qualquer que seja a idade.
Num país para velhos, também deve haver crises...mas muito menos profundas.
O melhor é manter esta secreta esperança em como nos havemos de safar da velhice.
"Velhos"! Eis a preciosa designação que teremos um dia, um carimbo inevitável (?).
Pelos vistos, este país não é para velhos.
Mas então, o facto de podermos envelhecer é ou não o produto do nosso progresso?
Querer viver mais e melhor tem sido ou não uma ambição? Que raio, é então estranho encarar o envelhecimento com preocupação, em vez de acolher a satisfação de vivermos num país que tem cuidado dessa condição...ou não?
Todos vamos envelhecer...ou não?
De pouco nos serve termos a mania que sabemos educar os nossos filhos, se nos recusamos a cuidar dos idosos da nossa família.
De pouco nos serve continuarmos a trabalhar por condições melhores se, quando chegarmos à idade da reforma, vamos sentir abandono...e vamos perguntar porque nos esforçámos tanto.
Qualquer dia, vamos sentir maior dificuldade em falar, talvez porque a vontade se perca. Mesmo que o raciocínio se mantenha, mesmo com a observação mais aperfeiçocada, a importância das palavras vai ser maior, vamos querer usá-las da melhor forma, e não nos vai apetecer gastá-las com quem nos despreza, não nos entende ou não tem tempo para nos ouvir.
Para quê tanto trabalho se, qualquer dia, vamos estar rodeados de impacientes que não querem acompanhar o nosso passo? E que vão praguejar pela nossa lentidão de reflexos, nos movimentos e nas palavras?
E então, vai haver o 1º dia em que vamos desistir...a menos que encontremos um objectivo para nos continuarmos a levantar, a sair de casa e a andar. E, invariavelmente, o objectivo que nos vai fazer mexer vai ser, algures, a força dos afectos. O carinho de alguém no café, na rua, no jardim, na igreja, vai-nos orientar os passos, e vamos querer retribuir um sorriso, vamos procurar onde poderemos ser úteis. Vamos querer receber o olá carinhoso da pessoa que nos cumprimenta, nas nossas rotinas.
Os idosos podem ensinar coisas fundamentais da vida que teimamos tantas vezes em ignorar em casa, na profissão, na forma como lidamos com percalços.
Podem ser avós formidáveis e cumprir uma função social que não é substituível.
Ou então, podem ter a energia dos sábios nas empresas...a experiência de vida que tempera os riscos desnecessários e que, tantas vezes, fazem falta a quem toma decisões.
Podem desempenhar actividades sociais para o que, quem trabalha plenamente, não tem tempo.
Ou então, podem simplesmente sossegar pela presença, pelo sorriso, pelo tempo que dedicam aos pequenos carinhos que faltam aos "pré-idosos".
Se este país não é para velhos...se não há nenhum país de velhos para onde possamos emigrar quando as forças nos faltarem...então de nada serve viver mais e melhor.
É um tema independente da "crise". Muito bem, é fundamental cuidar das reformas com dignidade. É fundamental que haja instituições com cuidados de saúde para o que os nossos filhos e ou amigos não tenham competência. Mas sem carinho, sem o tempo de alguém...de nada servirá o apoio social.
Cuidemos dos idosos na nossa família...abandone-se a expressão "velho"...velho é quem é incapaz de sentir afectos, qualquer que seja a idade.
Num país para velhos, também deve haver crises...mas muito menos profundas.
sábado, 20 de outubro de 2012
Carta ao Álvaro de Poortugal
(nota inicial: "Poortugal" não é inventado por mim, somos assim designados num recente artigo da revista "Economist" sobre Portugal)
Álvaro,
ACTO I.
Foi assim que te apresentaste ao país: "...tratem-me por Álvaro". Simplesmente.
Em contraciclo com muitos invejosos do título académico, que fizeram questão de o inventar para exigir tão digno tratamento...tu abdicaste dele, neste país de doutores e de cursos superiores inimagináveis.
Pareceu-me que te apresentaste como és, sem subterfúgios, e até te vi arregaçar mangas em vez de confirmar a justeza da gravata.
Inverteste o guião de teatro a que nos habituámos.
És ao contrário do que é normal, na tua função.
Desconcertante.
ACTO II.
Julgo que saibas que assim mostraste a tua fragilidade aos políticos profissionais.
Vezes sem conta, a comunicação social já te remodelou.
Pois bem, o que se passa, é que tens o ministério mais atacável, porque é onde todos nós canalizamos mais esperanças. Ansiamos por crescimento económico, doridos de tanta austeridade que nos faz perder a memória dos anos em que confundimos importação com produção e em que sentimos a ilusão do enriquecimento, envolvidos em betão. Sem moeda própria que nos permitisse ajustar a verdadeira competitividade, e com taxas de juro baixas, vivemos uma ilusão colectiva, com uma governação em crescendo de irresponsabilidade até ao último mandato de festa permanente.
Gerir elevadíssimas expectativas...exige o apelo a todas as competências.
Tens a missão mais ingrata de todas, e não tens por enquanto, qualquer espaço de manobra para executares o que quer que seja.
Austeridade e crescimento são incompatíveis, e tu sabes disso.
Também sabes que o crescimento da economia só inicia o seu longuíssimo percurso depois do severo caminho da austeridade, e que esse caminho é o único possivel quando um país perde a necessária credibilidade para assegurar financiamento.
A oposição partidária não tem soluções, refugia-se na facilidade do insulto.
E então, resta-nos (aos que teimam em acreditar na retoma do nosso querido país) acreditar que a oposição de que precisamos, exista no seio do governo e que faças parte dela. E, com dignidade, a oposição responsável deverá ser anónima, a bem da estabilidade política que nos salva de nova subida do prémio de risco português.
Não deixes de te opôr, no meio dos teus colegas de governo e...que isso fique só entre nós.
ACTO III.
Curiosamente, deste-me um sinal em como estamos no momento de viragem para a ainda longa caminhada da possibilidade de medidas económicas, sabes porquê? Porque foste, há dias, um extraordinário motor contra a oposição, num discurso inflamado na Assembleia da Republica, conseguindo enervar por completo a estupidez insultuosa de quem teimou em designar-te de "remodelável".
Borrifaste nisso e mostraste confiança.
Mesmo que deixes de ser Ministro - por te faltar a competência oratória e a experiência negocial - espero que exerças qualquer outra função muito perto do famigerado Ministério da Economia e que, mais anonimamente, faças o teu trabalho.
É de muita gente anónima que se reconstrói o que gente sem escrúpulos destruíu.
Quem trabalha com ideais não faz questão em receber medalhas.
Continua a trabalhar e não emigres.
É com pessoas contraciclo que se fazem as mudanças, mesmo que não constem dos livros de História.
Se me permites, um abraço,
Paula Mendes
Álvaro,
ACTO I.
Foi assim que te apresentaste ao país: "...tratem-me por Álvaro". Simplesmente.
Em contraciclo com muitos invejosos do título académico, que fizeram questão de o inventar para exigir tão digno tratamento...tu abdicaste dele, neste país de doutores e de cursos superiores inimagináveis.
Pareceu-me que te apresentaste como és, sem subterfúgios, e até te vi arregaçar mangas em vez de confirmar a justeza da gravata.
Inverteste o guião de teatro a que nos habituámos.
És ao contrário do que é normal, na tua função.
Desconcertante.
ACTO II.
Julgo que saibas que assim mostraste a tua fragilidade aos políticos profissionais.
Vezes sem conta, a comunicação social já te remodelou.
Pois bem, o que se passa, é que tens o ministério mais atacável, porque é onde todos nós canalizamos mais esperanças. Ansiamos por crescimento económico, doridos de tanta austeridade que nos faz perder a memória dos anos em que confundimos importação com produção e em que sentimos a ilusão do enriquecimento, envolvidos em betão. Sem moeda própria que nos permitisse ajustar a verdadeira competitividade, e com taxas de juro baixas, vivemos uma ilusão colectiva, com uma governação em crescendo de irresponsabilidade até ao último mandato de festa permanente.
Gerir elevadíssimas expectativas...exige o apelo a todas as competências.
Tens a missão mais ingrata de todas, e não tens por enquanto, qualquer espaço de manobra para executares o que quer que seja.
Austeridade e crescimento são incompatíveis, e tu sabes disso.
Também sabes que o crescimento da economia só inicia o seu longuíssimo percurso depois do severo caminho da austeridade, e que esse caminho é o único possivel quando um país perde a necessária credibilidade para assegurar financiamento.
A oposição partidária não tem soluções, refugia-se na facilidade do insulto.
E então, resta-nos (aos que teimam em acreditar na retoma do nosso querido país) acreditar que a oposição de que precisamos, exista no seio do governo e que faças parte dela. E, com dignidade, a oposição responsável deverá ser anónima, a bem da estabilidade política que nos salva de nova subida do prémio de risco português.
Não deixes de te opôr, no meio dos teus colegas de governo e...que isso fique só entre nós.
ACTO III.
Curiosamente, deste-me um sinal em como estamos no momento de viragem para a ainda longa caminhada da possibilidade de medidas económicas, sabes porquê? Porque foste, há dias, um extraordinário motor contra a oposição, num discurso inflamado na Assembleia da Republica, conseguindo enervar por completo a estupidez insultuosa de quem teimou em designar-te de "remodelável".
Borrifaste nisso e mostraste confiança.
Mesmo que deixes de ser Ministro - por te faltar a competência oratória e a experiência negocial - espero que exerças qualquer outra função muito perto do famigerado Ministério da Economia e que, mais anonimamente, faças o teu trabalho.
É de muita gente anónima que se reconstrói o que gente sem escrúpulos destruíu.
Quem trabalha com ideais não faz questão em receber medalhas.
Continua a trabalhar e não emigres.
É com pessoas contraciclo que se fazem as mudanças, mesmo que não constem dos livros de História.
Se me permites, um abraço,
Paula Mendes
domingo, 14 de outubro de 2012
Para quem gosta de ser português
Assim como muitos de vós tem ido às ruas pela 1ª vez, também eu, pela 1ª vez, que nem sequer uso facebook...me venho manifestar.
Sou mais de uma de muitos de vós. Partilho os sonhos e as angústias de todos os portugueses que gostam do seu país. Não partilho as crenças dos portugueses que só se sabem lamentar.
Sempre votei mas não tenho partido.
Sou simplesmente uma democrata, mas no sentido em que os políticos assumissem funções apenas pelo seu mandato, para depois regressar à sua actividade profissional. Mas infelizmente, não é neste modelo político em que vivemos. Que o poder corrompe, todos sabemos, mas com políticos de profissão, esta tendência é levada ao seu limite. E então, estar na oposição que não exerça governação durante décadas, torna-se simplesmente maravilhoso, confortável, impunemenete contra, irresponsavelmente insultuoso, numa liberdade total e...subversiva.
Fui hoje surpreendida positivamente pelo precioso editorial do jornal "Sol": "há luz ao fundo do túnel", porque a credibilidade do nosso país, medida pelo prémio de risco, está pelo menos actualmente, reconquistada. É bem verdade que, sem isso, não conseguiríamos sequer ter capacidade negocial para a famosa Troika. Mas disto, não se fala.
A nossa esquerda é, padoxalmente, um produto do Estado Novo... (??) sim, isso mesmo. A nação de "Estado-pai e Estado-mãe" é o sonho da nossa esquerda...uma cultura contrária ao espírito de iniciativa. Curiosamente o Estado Novo construíu uma geração que não entende que, na realidade, todo o trabalho é precário. O trabalho tem que ser diariamente conquistado e merecido.
Estou mais revoltada com o senhor antigo 1º ministro que vive como um milionário em Paris, a estudar filosofia, do que com a maioria em que o povo português votou e que está a tentar encontrar caminhos para todos nós.
Estou mais revoltada com quem incita a revolta nas ruas, do que com quem está a tentar concertar os erros do passado.
Estou mais revoltada com antigos políticos de referência que comentam destrutivamente, do quem com quem trabalha diariamente pelo emprego de todos nós.
Também eu, que não estou nas ruas, tenho o direito de me manifestar. E lamento profundamente que o senhor Presidente da Republica não saiba exercer aquilo para que foi mandatado, sobretudo em momentos de forte perturbação: não sabe apelar à unidade dos principais partidos, incluindo os da oposição? Prefere acomodar-se aos que exclusivamente criticam, desmemoriados do que fizeram no mais recente mandato?
Cobardes...infinitamente com razão mas sem soluções.
Também lamento profundamente que a comunicação social, na sua esmagadora maioria, não invoque o que é positivo. E o que é que se faz de bom?
- os empresários que lutam pelo emprego dos seus trabalhadores e que têm consciência social (exemplo? Alexandre Soares dos Santos);
- os gestores públicos e governantes que não são políticos e que abdicaram das suas funções para contribuir para o seu país;
- as imensas iniciativas de solidariedade diárias;
- todos aqueles que podem sacrificar os seus luxos pessoais para ajudar quem mais necessite, no seu círculo de conhecimentos, desde manter uma empregada, até dar roupa ou manuais escolares a quem precisa...TODOS PODEMOS AJUDAR!
Estou farta dos pretensos arautos "contra a Troika"...a Troika apareceu porque houve ENORMES erros no passado.
Havemos de sobreviver. Mas não é com esta comunicação social miserável que diariamente nos sufoca de más notícias . Não é com o slogan "antiTroika" que vamos lá.
É com solidariedade diariamente, é com trabalho, com sacrifícios de todos...incluindo sacrifícios dos nossos políticos que deveriam ser mais visíveis.
Também estou contra muitas e muitas coisas...mas estou "mais contra quem está sempre do contra"!
Um olá muito sincero e um grande sorriso a todos os que lutam, acreditam, e gostam de ser portugueses.
Sou mais de uma de muitos de vós. Partilho os sonhos e as angústias de todos os portugueses que gostam do seu país. Não partilho as crenças dos portugueses que só se sabem lamentar.
Sempre votei mas não tenho partido.
Sou simplesmente uma democrata, mas no sentido em que os políticos assumissem funções apenas pelo seu mandato, para depois regressar à sua actividade profissional. Mas infelizmente, não é neste modelo político em que vivemos. Que o poder corrompe, todos sabemos, mas com políticos de profissão, esta tendência é levada ao seu limite. E então, estar na oposição que não exerça governação durante décadas, torna-se simplesmente maravilhoso, confortável, impunemenete contra, irresponsavelmente insultuoso, numa liberdade total e...subversiva.
Fui hoje surpreendida positivamente pelo precioso editorial do jornal "Sol": "há luz ao fundo do túnel", porque a credibilidade do nosso país, medida pelo prémio de risco, está pelo menos actualmente, reconquistada. É bem verdade que, sem isso, não conseguiríamos sequer ter capacidade negocial para a famosa Troika. Mas disto, não se fala.
A nossa esquerda é, padoxalmente, um produto do Estado Novo... (??) sim, isso mesmo. A nação de "Estado-pai e Estado-mãe" é o sonho da nossa esquerda...uma cultura contrária ao espírito de iniciativa. Curiosamente o Estado Novo construíu uma geração que não entende que, na realidade, todo o trabalho é precário. O trabalho tem que ser diariamente conquistado e merecido.
Estou mais revoltada com o senhor antigo 1º ministro que vive como um milionário em Paris, a estudar filosofia, do que com a maioria em que o povo português votou e que está a tentar encontrar caminhos para todos nós.
Estou mais revoltada com quem incita a revolta nas ruas, do que com quem está a tentar concertar os erros do passado.
Estou mais revoltada com antigos políticos de referência que comentam destrutivamente, do quem com quem trabalha diariamente pelo emprego de todos nós.
Também eu, que não estou nas ruas, tenho o direito de me manifestar. E lamento profundamente que o senhor Presidente da Republica não saiba exercer aquilo para que foi mandatado, sobretudo em momentos de forte perturbação: não sabe apelar à unidade dos principais partidos, incluindo os da oposição? Prefere acomodar-se aos que exclusivamente criticam, desmemoriados do que fizeram no mais recente mandato?
Cobardes...infinitamente com razão mas sem soluções.
Também lamento profundamente que a comunicação social, na sua esmagadora maioria, não invoque o que é positivo. E o que é que se faz de bom?
- os empresários que lutam pelo emprego dos seus trabalhadores e que têm consciência social (exemplo? Alexandre Soares dos Santos);
- os gestores públicos e governantes que não são políticos e que abdicaram das suas funções para contribuir para o seu país;
- as imensas iniciativas de solidariedade diárias;
- todos aqueles que podem sacrificar os seus luxos pessoais para ajudar quem mais necessite, no seu círculo de conhecimentos, desde manter uma empregada, até dar roupa ou manuais escolares a quem precisa...TODOS PODEMOS AJUDAR!
Estou farta dos pretensos arautos "contra a Troika"...a Troika apareceu porque houve ENORMES erros no passado.
Havemos de sobreviver. Mas não é com esta comunicação social miserável que diariamente nos sufoca de más notícias . Não é com o slogan "antiTroika" que vamos lá.
É com solidariedade diariamente, é com trabalho, com sacrifícios de todos...incluindo sacrifícios dos nossos políticos que deveriam ser mais visíveis.
Também estou contra muitas e muitas coisas...mas estou "mais contra quem está sempre do contra"!
Um olá muito sincero e um grande sorriso a todos os que lutam, acreditam, e gostam de ser portugueses.
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