"-Viste o meu email de ontem?
- Email? Mas acho que enviaste SMS.
- Não, enviei-te email com imagem em anexo do sítio onde estava!
- Ahh, achas que conseguia ver? Tens que enviar MMS, não se consegue abrir ficheiros, não tenho ipad.
- Ih, pensava que tinhas já iphone! Bem, então da próxima tenho que ligar primeiro, não me digas...
- Ou então publica no facebook, vejo de imediato no meu Nokia, tenho acesso;
- Ah, ok.
(não se falou de nada...certo??? E, confesso, faço parte destes diálogos absurdos e digo estas parvoíces.
Mais: uma pessoa mais atenta cedo perceberá das minhas imperfeições neste domínios...)
"That's it! The wonderful world of... IWorld!"
Antes de comunicar o que se pretende partilhar, é fundamental o clickar" ou o "touch" e...já está! Se a outra pessoa receber e gostar, pode fazer ou um "like" ou um "risonho" e pensa-se, reconfortado:"Ah, este é meu amigo! E está atento, é moderno, não é nenhum tótó".
Caso não reaja no momento, fica cadastrado como não tendo atenção aos amigos, ou não estando devidamente actualizado.
Em suma...neste "IEverything" já não se pode estar sossegado. O silêncio é simplesmente banido da nossa avançadíssima civilização.
Esta realidade tem impactos quase completamente fora do nosso controle, eis alguns de que me lembro, na sequência do actual contexto de crise política:
- após um comunicado de uma figura do Estado, os partidos políticos e os analistas têm que pensar em escassos minutos e magicar uma reacção que pareça altamente amadurecida ... de imediato, os jornalistas fazem perguntas e exigem reacções. Caso nada haja a dizer, vêm os analistas crucificar a incapacidade de quem simplesmente precisaria de tempo para amadurecer uma posição. Ou então, vêm os jornalistas acusar os entrevistados de algum complexo com o jornalismo e a sua pretensa livre opinião.
Logo...é difícil que haja reacções com bom senso.
Há soluções para resolver esta vertigem de media, claro...se houvesse uma supervisão com regras de conduta que obrigasse os senhores jornalistas a esperar, em momentos de particular importância que assim fossem previamente classificados pelos nossos dirigentes políticos. E tantas outras soluções que não são pensadas porque se vive uma loucura colectiva de ruído e de rápida informação;
- os mercados financeiros reagem on-line a tudo, até mesmo aos silêncios; mas funcionam em função das das convicções dos investidores, simplesmente isso.
Actualmente, vive-se um intenso "trade-off" entre Norte e Sul: ganham os do Norte que, para além das suas boas contas de Estado, ganham mais se especularem nos desgraçaditos do Sul. Em contrapartida, os do Sul, minados de falta de confiança nas respectivas Pátrias, compram dívida pública dos países do Norte, sem discutir a remuneração próxima de 0. Um refúgio, a troco do descrédito na sua nação.
Bom...os mercados têm que funcionar, não tenho nada contra...o que lamento é a falta de confiança, por seu turno induzida pelos media sedentos de discórdias. Um caos.
Sinto que tenho a imensa sorte de viver no tempo da Internet, da imensidão de meios de comunicação, da plenitude de informação com enorme rapidez, das redes sociais que nos dão contactos, feed-back e conhecimento com uma velocidade estonteante.
Mas também sinto que, não só este "IWorld" deve ser mais regulado (haja exigência aos media de respeitar silêncios), como também, cada um de nós deve cuidar da necessidade de...sossego. Não termos medo de não estarmos sincronizados "on-line" com tudo e com todos. Num mundo quase completamente "wireless", não deixar de sentir o comando do nosso silêncio.
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domingo, 14 de julho de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Carta ao menino Paulo Portas
"Menino Paulo Portas,
Assim me obrigaste a este tratamento: por "menino".
É claro que, caso tenhas verdadeira consciência individual, ética e sentido de Estado, não arrastas os restantes colaboradores do teu partido, no Governo. Ainda podes revelar a coragem de assumir simplesmente um desgaste individual, uma divergência profunda. Sairias simplesmente, cheio das tuas razões, mas sem destruir o pouco da CONFIANÇA que nos resta.
Mas talvez seja pedir demais...é tão melhor este intenso protagonismo, este "grito do Ipiranga", esta sanguinária loucura. Cheio de gozo no imediato, e completamente destruidor a prazo do teu e nosso País, e até mesmo, do teu futuro político.
Contudo, repito, ainda tens hipóteses de reparar o teu erro: se os outros Ministros e Secretários de Estado do teu partido, não apresentarem a demissão, se afinal tiverem rosto e consciência individual acima do espírito de seita.
Mas, se te seguirem, passas a ter o fardo do odioso da maioria silenciosa que tem ajustado a sua vida em prol da nação, para cima de ti. Aí, revelas-te um cobarde. Afinal, um jornalista da pior espécie.
Vais hoje fazer uma comunicação ao País.
Não sou capaz de te ouvir. Só é verdadeiramente relevante saber se é uma decisão individual ou do partido e, para isso, não precisas de tanta pompa e circunstância. Já chega de comunicações ao País. Essa função só compete ao Primiero-Ministro e ao Presidente da República.
Só serias de facto genial e verdadeiramente engenhoso se tivesses feito a tua Oposição com mérito na coligação, se tivesses sido capaz de negociar com o Passos Coelho e sua equipa.
Mas, pelos vistos, não foste capaz.
Não sabes ser um nº 2, preferes ser o nº 1 de um pequeno partido, certo? É tão mais simples estar na Oposição, pois é.
Mas...insisto...caso a tua posição seja apenas e só, pessoal, então farias parte daquela estirpe de verdadeiros homens de Estado.
Vamos ver se vais ou não cair na tentação da vulgaridade.
Espero poder promover-te de "menino" a "senhor".
(hoje escrito, com a emoção de um 2º momento, em plena verdadeira crise política, à beira de um abismo irreparável nos próximos anos....só reparável daqui a algumas gerações).
Assim me obrigaste a este tratamento: por "menino".
É claro que, caso tenhas verdadeira consciência individual, ética e sentido de Estado, não arrastas os restantes colaboradores do teu partido, no Governo. Ainda podes revelar a coragem de assumir simplesmente um desgaste individual, uma divergência profunda. Sairias simplesmente, cheio das tuas razões, mas sem destruir o pouco da CONFIANÇA que nos resta.
Mas talvez seja pedir demais...é tão melhor este intenso protagonismo, este "grito do Ipiranga", esta sanguinária loucura. Cheio de gozo no imediato, e completamente destruidor a prazo do teu e nosso País, e até mesmo, do teu futuro político.
Contudo, repito, ainda tens hipóteses de reparar o teu erro: se os outros Ministros e Secretários de Estado do teu partido, não apresentarem a demissão, se afinal tiverem rosto e consciência individual acima do espírito de seita.
Mas, se te seguirem, passas a ter o fardo do odioso da maioria silenciosa que tem ajustado a sua vida em prol da nação, para cima de ti. Aí, revelas-te um cobarde. Afinal, um jornalista da pior espécie.
Vais hoje fazer uma comunicação ao País.
Não sou capaz de te ouvir. Só é verdadeiramente relevante saber se é uma decisão individual ou do partido e, para isso, não precisas de tanta pompa e circunstância. Já chega de comunicações ao País. Essa função só compete ao Primiero-Ministro e ao Presidente da República.
Só serias de facto genial e verdadeiramente engenhoso se tivesses feito a tua Oposição com mérito na coligação, se tivesses sido capaz de negociar com o Passos Coelho e sua equipa.
Mas, pelos vistos, não foste capaz.
Não sabes ser um nº 2, preferes ser o nº 1 de um pequeno partido, certo? É tão mais simples estar na Oposição, pois é.
Mas...insisto...caso a tua posição seja apenas e só, pessoal, então farias parte daquela estirpe de verdadeiros homens de Estado.
Vamos ver se vais ou não cair na tentação da vulgaridade.
Espero poder promover-te de "menino" a "senhor".
(hoje escrito, com a emoção de um 2º momento, em plena verdadeira crise política, à beira de um abismo irreparável nos próximos anos....só reparável daqui a algumas gerações).
terça-feira, 2 de julho de 2013
Paulo Portas versus Passos Coelho
Vivemos hoje um dia estranho.
Paulo Portas anuncia a sua demissão "irrevogável" (será que há demissões "revogáveis"? estranha figura de estilo).
Passos Coelho - acabei de ouvir o seu discurso - não solicita a exoneração de Paulo Portas ao Presidente da República.
Os partidos da Oposição mantêm os seus discursos, desinteressantes porque demasiado previsíveis.
Os Partidos da coligação manifestam surpresa e prudência.
Ou estamos a assistir a um intenso xadrez político, ou então a emoções de desgaste, ou um misto de ambos. Sim, porque pode haver simplesmente desgastes. Não há heróis, senão nas esculturas.
É-me agora legítimo "apostar" no que irá acontecer...em total incerteza, é mais interessante reflectir. Os diagnósticos tardios sobre o que aconteceu...são estupidamente maquiavélicos e com muito menos interesse.
Comecemos por Paulo Portas.
Um político muitíssimo mais hábil, experiente e controverso que Passos Coelho.
Um engenhoso discursador.
Apresenta a sua demissão como "irrevogável", numa estranha repetição de ideias. É que, apresentar a sua demissão como "revogável" ou "reversível" teria sido patético, Mas apresentá-la como "irreversível" não é uma questão de força, não é uma figura de estilo. Parece ser um sinal a Passos Coelho em como não aceita negociar mais nada. Aparenta que já o terá feito até à exaustão.
Mas...se fosse de facto irreversível...não teria necessidade de assim designá-la.
Quem está determinado ou desesperado, sem qualquer espaço de negociação, apresenta-se cruamente, sem adjectivos, sem redundâncias, com o vazio da decisão final.
Quem ainda pode e quer negociar, contém a emoção de figuras de estilo no seu discurso.
Logo...parece-me bem que ainda há espaço para se manter, nem que seja numa posição mais activa de oposição dentro da coligação. E...se possível.. com o protagonismo dos media.
Passemos a Passos Coelho.
Se há portugueses que podem considerar-se verdadeiramente desgastados, Passos Coelho tem necessariamente que ser um deles. Carrega o "fardo da liderança" - como muito bem Vítor Gaspar lhe escreveu na sua carta de pedido de demissão -, enfrentando a oposição de quase todos, a começar pelos membros do próprio partido.
É menos experiente, menos habilidoso que Paulo Portas. Por isso, menos ardiloso mas mais sério.
E, muito bem, não aceita a exoneração de Paulo Portas. Entendeu dever haver espaço de negociação, entendeu ter que deixar que Paulo Portas assumir o protagonismo que tanto ambiciona. É assim a Democracia...antes que sucumba às seitas organizadas de poder obscruro de que são exemplo uma Maçonaria ou uma Opus Dei.
Passos Coelho fez o passo maduro que devia fazer.
O resto...sinceramente...pouco ou nada interessa.
Com isto, acredito que haja reentendimentos, novos compromissos. Afinal de contas, o Governo tem legitimidade para governar.
Estamos num fio da navalha. Numa espécie de "intervalo" da epopeia "E tudo o vento levou". E é quando tudo parece estar quase perdido, que se readquirem forças. Nunca se sabe qual o limite das nossas forças.
Falta-nos agora este reequilíbrio político para iniciamos aquela fase que sempre vem a seguir à austeridade: o investimento. Falta o penoso caminho de reconquistar clima de CONFIANÇA.
Esta situação tem o mérito de transmitir sinais a quem os souber ler.
Não há "arrufos" entre Homens de Estado.
(escrito num 1º momento, após o discurso de Passos Coelho. Com as emoções que, inevitavelmente, não pude esconder. Mesmo que não acerte na minha expectativa...foi um gosto reflectir por escrito).
Paulo Portas anuncia a sua demissão "irrevogável" (será que há demissões "revogáveis"? estranha figura de estilo).
Passos Coelho - acabei de ouvir o seu discurso - não solicita a exoneração de Paulo Portas ao Presidente da República.
Os partidos da Oposição mantêm os seus discursos, desinteressantes porque demasiado previsíveis.
Os Partidos da coligação manifestam surpresa e prudência.
Ou estamos a assistir a um intenso xadrez político, ou então a emoções de desgaste, ou um misto de ambos. Sim, porque pode haver simplesmente desgastes. Não há heróis, senão nas esculturas.
É-me agora legítimo "apostar" no que irá acontecer...em total incerteza, é mais interessante reflectir. Os diagnósticos tardios sobre o que aconteceu...são estupidamente maquiavélicos e com muito menos interesse.
Comecemos por Paulo Portas.
Um político muitíssimo mais hábil, experiente e controverso que Passos Coelho.
Um engenhoso discursador.
Apresenta a sua demissão como "irrevogável", numa estranha repetição de ideias. É que, apresentar a sua demissão como "revogável" ou "reversível" teria sido patético, Mas apresentá-la como "irreversível" não é uma questão de força, não é uma figura de estilo. Parece ser um sinal a Passos Coelho em como não aceita negociar mais nada. Aparenta que já o terá feito até à exaustão.
Mas...se fosse de facto irreversível...não teria necessidade de assim designá-la.
Quem está determinado ou desesperado, sem qualquer espaço de negociação, apresenta-se cruamente, sem adjectivos, sem redundâncias, com o vazio da decisão final.
Quem ainda pode e quer negociar, contém a emoção de figuras de estilo no seu discurso.
Logo...parece-me bem que ainda há espaço para se manter, nem que seja numa posição mais activa de oposição dentro da coligação. E...se possível.. com o protagonismo dos media.
Passemos a Passos Coelho.
Se há portugueses que podem considerar-se verdadeiramente desgastados, Passos Coelho tem necessariamente que ser um deles. Carrega o "fardo da liderança" - como muito bem Vítor Gaspar lhe escreveu na sua carta de pedido de demissão -, enfrentando a oposição de quase todos, a começar pelos membros do próprio partido.
É menos experiente, menos habilidoso que Paulo Portas. Por isso, menos ardiloso mas mais sério.
E, muito bem, não aceita a exoneração de Paulo Portas. Entendeu dever haver espaço de negociação, entendeu ter que deixar que Paulo Portas assumir o protagonismo que tanto ambiciona. É assim a Democracia...antes que sucumba às seitas organizadas de poder obscruro de que são exemplo uma Maçonaria ou uma Opus Dei.
Passos Coelho fez o passo maduro que devia fazer.
O resto...sinceramente...pouco ou nada interessa.
Com isto, acredito que haja reentendimentos, novos compromissos. Afinal de contas, o Governo tem legitimidade para governar.
Estamos num fio da navalha. Numa espécie de "intervalo" da epopeia "E tudo o vento levou". E é quando tudo parece estar quase perdido, que se readquirem forças. Nunca se sabe qual o limite das nossas forças.
Falta-nos agora este reequilíbrio político para iniciamos aquela fase que sempre vem a seguir à austeridade: o investimento. Falta o penoso caminho de reconquistar clima de CONFIANÇA.
Esta situação tem o mérito de transmitir sinais a quem os souber ler.
Não há "arrufos" entre Homens de Estado.
(escrito num 1º momento, após o discurso de Passos Coelho. Com as emoções que, inevitavelmente, não pude esconder. Mesmo que não acerte na minha expectativa...foi um gosto reflectir por escrito).
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