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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Disponibilidade e afectos


"A nossa vida é toda ela feita de acasos. Mas é o que em nós há de necessário que lhes há-de dar um sentido."
Vergílio Ferreira

De que qualidade somos feitos, que disponibilidade, que afectos.
Dou por mim a pensar que é nestes tempos de ajustamentos sociais e económicos profundos, que a selecção de pessoas em função dessa "qualidade" é mais visível. O ciclo de escalada social e de privilégios está em ruptura e vemo-nos agora numa espécie de laboratório raio-X, ora com esqueletos d'almas, ora com verdadeiros e imprevisíveis heróis.
A disponibilidade para ajudar, seja de que forma for, é um presente de que nem todos são capazes, cheios dos seus problemas e sem espaço para os problemas dos outros.

É com intensidade que se deve usar do sentimento de "entrega", e também com a leveza de saber respeitar silêncios e de saber recolher ao nosso abrigo sem cobrar o tempo da ajuda.

Por isso, estes tempos de tensão, de ajustamento forte, de incertezas, num contexto global simultaneamente tão informado e tão convulso - de que a Síria é forte epicentro de preocupações - dou por mim a ver o lado "meio cheio do copo", feito de pessoas em que tropeço plenas de consciência dos outros...e isso é mesmo o lado maravilhoso da vida.

É hoje uma reflexão curta. Simples.
Devemos acolher o dia-a-dia com o sorriso dessa disponibilidade.
E estarmos gratos a quem a usa connosco.

Vivemos um tempo brusco de mudança em Portugal e na Europa.
E o que faz a diferença na civilização, é esta qualidade de saber sofrer o ajustamento económico, sem descurar a solidariedade com quem está pior que nós.
No limite (ou melhor...quando entendemos sentirmo-nos no limite), há sempre milhões de pessoas piores que qualquer um de nós.

Por isso, espalhe-se sorrisos, descomplique-se a vida e abrande-se as queixinhas. Lute-se pela ética no trabalho, confronte-se a falta de respeito com que se é tratado ou explorado, mas abuse-se sempre da disponibilidade e dos afectos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Este governo...não é a sério, pois não?

Desde que este governozinho de acordos precários entre perdedores assumiu funções, que deixei de escrever neste blog. "A minha manifestação" foi viva enquanto acreditei em como íamos dar a volta aos penosos acontecimentos. Escrevi enquanto me senti num país a sério, com determinação. Enquanto me senti "navegar por mares nunca dantes navegados" numa Europa nervosa e plena de desafios. Com coragem e ambição.
Mas sinto-me num país de brincadeira. De experimentalismo. Que ora faz, ora desfaz, como se não houvesse quaisquer impactos. Uma espécie de governo de adolescentes cheios de sonhos de adultos, inconscientes e destravados, numa bebedeira de medidas avulsas e sem nexo.
Sinto que "deve ser tudo a fingir"...como diria uma criança nos seus teatros.

António Costa é o político mais perigoso que chegou ao poder, desde que me conheço. Um ditador disfarçado de democrata. À conta da sua sobrevivência política no seu partido, subverteu as regras e negociou com tudo e todos, com a obssessão de poder.
Em Bruxelas, vende promessas. No país, vende sonhos. No OE, indica o resultado e manda recompôr as variáveis. Ilusionista e vendedor de emoções, simula menos IRS para aumentar todos os outros impostos indirectos que pagamos diariamente; desfaz a lógica de redução de IRC; relança dúvidas, relança instabilidade, devolve feriados e horas aos funcionários públicos sem problemas de consciência com o desemprego no sector privado. Engorde-se de novo o Estado. Desfaça-se o que se tentou construir.

Assim como vendeu um país maravilhoso aos investidores chineses e, ao mesmo tempo, vendeu o mesmo país mas em estado de declínio aos portugueses...(lembram-se?)

Promove a incompetência dos jovens, ao eliminar exames, uma loucura agora reprovada pelo próprio Conselho das Escolas. Terá ele, António Costa, sido humilhado em algum exame para o qual não tenha estudado? Tudo indica que sim...aparenta gerir o país à medida dos seus complexos e apoiado nas suas artes de negociação, assim disfarçando os tiques de ditador. Baralha, dá de novo, e o resultado é pior do que dantes.
É evidente que a fatura será tremenda...e é evidente que não será ele a ter que pagar, enquanto 1º Ministro.

O que este político deixa como testemunho à geração mais jovem:
1. Não interessa conseguir argumentos para ganhar; se perderem, negoceiem com os outros perdedores;
2. Não estudem porque não há exames; sejam incompetentes mas façam amigos;
3. Assim que alcancem o poder, desrespeitem o passado.

Assim vivemos uma revolução surda de costumes, uma destruição de património. Assim se banaliza a incompetência. Assim se cultiva a vergonha de ser europeu e, pior do que isso...a vergonha de ser português. Um país de batota.

E por isto, "a minha manifestação" está suspensa...nascerá de novo quando voltar a sentir esperança na gestão do meu país.