"Meet"...um fenómeno que me deixa completamente perplexa. Supostamente o diminutivo de um simples "meeting". Pleno de boas intenções mas com consequências ilícitas e violentas. Vamos então manter os "meet's" totalmente tolerados, completamente desgovernados, meio vigiados, num ciclo perverso e crescente de "objectivo bom/polícia mau"?
Para além de perplexa, estou furiosa com a mediatização da tolerância aos "meet's", com o "ok" generalizado e instituído ao "vale tudo" em que nos vemos.
Onde é que está o "fio de prumo"social? Os direitos dos participantes dos "meet's" não deverão terminar onde começam as suas obrigações de bem-estar social? E os direitos dos cidadãos que não acederam a participar nos "meet's"?
Bom, agora...com mais calma...
Tenho imensos estímulos para "meet's", tenho até alguma dificuldade de escolha e dou por mim exausta com tanta informação... ;-)
Vejamos: por entre concertos, festivais, feiras, congressos...tenho depois os "meet's" de amigos com quem quero estar, com várias escalas e circunstâncias diferentes...há espaço e lugar para 2, 3, 4, 5 e mais pessoas....tenho ainda os casamentos, baptizados, aniversários, "sunset meeting's", os "meet's" de maior dimensão em que me cruzo sempre com mais e mais pessoas novas. Não nos cansamos de conhecer pessoas e há uma multiplicidade de opções para isso...pode até ser cansativo e há dias em que preciso de algum silêncio.
Mas, como se isto não chegasse, temos ainda os "meet's" propriamente ditos.
Fiquei estonteada com a resposta simples de alguns jovens em como o objectivo seria "conhecer pessoas"....ou então, "conhecer as pessoas com quem se fala pelo facebook". Ora bem, nada como organizar um encontro "mega" para mais de 500 a 1000 pessoas para conhecer pessoas (?!).
Paremos com esta ingenuidade.
Não me venham dizer que se vai a um "meet" para conhecer pessoas.
Segue-se a ingenuidade das instituições que deveriam legislar e intervir: não se pode proibir, claro, num país em que tudo é permitido.
Ai, a liberdade...para se poder fazer tudo sem responsabilidade de nada.
É-me evidente ter que legislar os "meet's", e seriam regras muito simples, apenas 3:
1. Os encontros promovidos nas redes sociais para mais de 100 pessoas não podem ocorrer em sítios públicos (centros comerciais, concertos, feiras) e não podem provocar danos no espaço escolhido para o efeito.
Porquê? Porque os direitos dos cidadãos que acederam aos "meet's" não se devem sobrepôr aos direitos dos cidadãos que não acederam. Porque qualquer iniciativa de carácter colectivo deve atender a autorização pelo proprietário do espaço escolhido para o efeito, com responsabilidade por quaisquer danos.
Peça-se parecer ao Tribunal Constitucional...
2. Qualquer acto de violência que ocorra nos "meets" deve ser também imputada ao(s) organizador(es) do "meet".
Porquê? Porque quem organiza um evento colectivo deve ter a plena consciência em como a promoção de um encontro de grande escala pode propiciar actos ilícitos e violentos, independentemente do "bom" objectivo.
Ausência de responsabilidade...é o viveiro da ilicitude.
3. Os "meet's" não devem ter qualquer mediatização (sim sim, agora a ingenuidade é minha...)
Há entidades que supervisionam a ética da comunicação social? :)
Sabemos que os factos que não são notícia, morrem. Não devia ser impossível assegurar a coordenação entre entidades de defesa pública e os accionistas dos media.
Estamos perante o reverso da medalha das redes sociais. Será que há "meet's" para um pôr-do-sol? Para limpar florestas? Para funções sociais?
Legisle-se estes "meet's". Haja regras, haja responsáveis. Muscule-se esta confusão social de total permissividade. Não se confunda "brandos costumes" com BONS costumes.
100% de acordo.
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