Pensando bem...tenho a minha quota-parte de responsabilidade por este contexto a que todos designamos de "crise", pelo que, aqui ficam as minhas desculpas pelos seguintes factos:
Pelas poucas vezes em que entrei numa loja de chineses para comprar quinquilharias e pequenas utilidades; de certeza que terei provocado uma qualquer redução de vendas a comerciantes portugueses, mesmo que nada tenham produzido e vendessem mais caro os mesmos produtos comprados, também eles, a chineses.
Pelas vezes em que andei por estradas secundárias em vez de pagar as SCUT's assim não ajudando o Estado a recolher as suas justas receitas pelo endividamento que assumiu, mas a pagar pelos governantes que se seguissem.
Pelas vezes em que não pedi facturas pelos cafés que tomei, deverá ter sido seguramente equivalente a um valor de imposto que pagasse um almocito com direito a sobremesa.
Pelas vezes em que devia ter separado devidamente o lixo, desconfio bem que por cada vez que misturei plástico com biodegradável, devo ter diminuído os justos lucros de quem investiu no sector de resíduos ou de quem recicle plásticos assim reduzindo custos e mantendo preço de venda.
Pelas vezes em que critiquei os políticos em vez de investir em colar cartazes e prosseguir a gloriosa carreira até ser adjunta de uma qualquer Secretaria de Estado e aí sim, dar valor às duras omissões que teria que aprender a suportar para bem governar a nação.
Pelas vezes em que adoeci e não devia, visto que terei contribuído para o congestionamento dos serviços de urgência e deverei trabalhar até aos 90 e tal anos para cumprir com a minha quota-parte no défice do Estado.
! eheheh!
EPÍLOGO - EM JEITO DE VERDADE
...mas tenho seguramente quota-parte de responsabilidade em outros assuntos.
Pelas vezes em que não reparei se a fruta era portuguesa e, estupidamente, comprei maçã "Royal-gala" francesa ou uvas do Chile;
Pelas vezes em que não reclamei nas lojas com a ausência de etiquetas sem "made in Portugal";
Pelas vezes em que tive preguiça em confirmar a origem dos produtos e em que pudesse tantas e tantas vezes ter recusado produtos feitos em países onde não há qualquer legislação laboral nem ambiental;
Pelas vezes em que me dispus em falar línguas estrangeiras, admitindo a dificuldade do português, apesar de muitos ingleses, espanhóis, franceses, nada terem a opôr à aprendizagem da nossa língua que afinal, é o nosso legado cultural mais óbvio;
Pelas vezes em que liguei o computador em vez de pegar num livro,
Pelas vezes em que gastei água desnecessariamente, sem olhar à poupança de um recurso que é escasso em tantos países;
Pelas vezes em que deitei fora restos de comida;
Pelas vezes em que devia ter sacrificado mais vezes o meu olhar a quem, de facto, precisa de ajuda e do meu tempo.
E por tantas outras coisas por que, afinal, teria valido a pena parar e antes continuei, empurrada pela velocidade dos tempos abundantes e fartos de recursos.
EM JEITO DE CONCLUSÃO
Vivemos tempos muito severos mas sem a esperaça anulada que as gerações dos tempos de guerra terão sentido, com a morte à espreita.
A crise que sentimos transcende então, largamente, a perda de valor económico.
Estamos a poucos meses de "celebrar" um triste evento : A primeira guerra mundial ! estamos pois num tempo que convida à reflexão dos riscos a que nos podem conduzir estes "lideres" europeus. é importante discutir de forma séria a realidade portuguesa, sem demagogias, e a situação dos periféricos na Europa, e da Europa no Mundo. Não e´com a politicazinha mesquinha e os interesses domésticos dos Camaradas Jerónimos e Tozé que vamos corrigir as decisões incorrectas deste Governo e desta Europa. É com seriedade e honestidade intelectual !!!
ResponderExcluirSubscrevo inteiramente! A nossa famigerada oposição política é mais destruidora que os famigerados dirigentes, constrangidos na sua imensa dificuldade em gerir uma situação tão complexa. Houvesse uma oposição séria, com soluções, com diálogo honesto, e estaríamos certamente menos distantes das previsões...
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