Que título tão apelativo...venham daí umas dicas, pode ser que cuidar bem do património possa ajudar a fazê-lo crescer. E por aí fora...numa escala que, já agora, seja ajudada pela sorte. Hum!
Pois bem...desde já peço desculpa aos dignos proprietários de muitos bens, e também aos que se lamentam por julgarem que pouco ou nada têm; é que as dicas que se seguem são aplicáveis a todos, na mesmíssima proporção.
Que desilusão, eu sei.
Vamos ao princípio...uma pesquisa rápida pela Internet e descobrimos a etimologia da palavra: vem do latim patri ("pai") e monium ("recebido"). Logo: património está associado a herança ou "conjunto de bens e direitos pertencente a uma pessoa, física ou jurídica."
Esta noção tem vindo a sofrer grandes perturbações no seu significado original...dou por mim a ter consciência em como, nesta feroz velocidade de ciclos que obriga a constante regeneração daquilo que rapidamente os mercados ou as guerras devoram, qual será a efectiva herança que deixamos aos nossos filhos, qual o efectivo património de cada um e qual o património comum.
Por aqui no nosso cantinho luso, no espaço de poucas décadas, fomos educados para uma capacidade de emprego sem dificuldade e para a possibilidade de ter património com expectativa sempre crescente. Como se o crescimento económico e a liberdade política coexistissem em harmonia infindável e acíclica.
Hoje, dou por mim ciente em como o património a ter não me vem de empregador algum. Ciente em como os filhos vão ter que lutar pelo deles. E ciente em como há um património comum a cuidar, independente daquilo que julgamos ser o património individual.
Então: não tenho a certeza que património seja Depósitos a Prazo e afins (?? muito haveria a dizer...), Herdades e/ou Empresas. Não significa isto a demissão do sentido de propriedade; mas a noção da sua vulnerabilidade a variáveis externas é fundamental para tratá-lo como algo de exterior a nós próprios.
A propriedade tem enormes riscos e não conseguimos controlar variáveis fundamentais para conseguir a sua preservação.
Na realidade, só conseguimos efectivamente controlar a forma como agimos e como nos relacionamos. Então, se só aquilo que conseguimos controlar é que é nosso...o património é uma entidade abstracta e intangível, feita das nossas decisões, feita de nós próprios.
E é aqui que me comovo com a recente entrevista de Marcos Vargas Llosa em que afirma "os heróis discretos são a grande reserva moral de uma sociedade".
E então....como preservar património? As minhas dicas:
1. Tratar bem de nós próprios;
2. Amar os familiares;
3. Cuidar dos Amigos;
4. Escolher uma actividade cívica, pelo menos uma vez na vida;
5. Ter uma ideia de negócio próprio e tentar, mesmo que falhe, pelo menos uma vez na vida;
6. Ter sempre opinião fundamentada sobre, pelo menos, um tema;
7. Ler e/ou escrever regularmente;
8. Viver Alegrias e Viver Tristezas, na exacta e real proporção em que acontecem;
9. Ter ambição por Paz interior e por Coragem;
10. Não nos apropriarmos de ninguém, nem deixarmos que alguém se aproprie de nós.
Pareceu óbvio e simples? Parabéns a quem entendeu rapidamente e achou fácil; a mim parece-me complicado e tenho tido imensa dificuldade em preservar o meu património...porque:
1. Dou conselhos aos outros com uma espantosa velocidade, mas tenho dificuldade em dar a mim própria;
2. Não é assim tão fácil conviver com a imensidão do activo e passivo dos familiares e companheiro(a); às vezes sobrevaloriza-se o passivo e diminui-se o justo valor do activo;
3. Amigos...Imprescindíveis! saber que são finitos e imperfeitos, manter a lealdade sem preço e respeitar os silêncios;
4. Uma actividade cívica...mas qual? Não há instituicões próprias para isso? Sim...mas feitas de outros ?!;
5. Só a experiência de um negócio próprio permite valorizar plenamente o trabalho e o dinheiro;
6. Ter opinião sobre quase tudo é tão fácil, então não há wikipedia permanente? mas ter opinião fundamentada exige constante esforço de pensamento;
7. Ler ou escrever é tão chato...não bastou a escola? Não...ler é um treino, é um convívio activo com a nossa mente;
8. Viver Tristezas na exacta proporção em que acontecem, fazer luto pelos maus acontecimentos, até pelos insucessos...para evitar deslizar mais tarde quando menos se espera;
9. Ambição por evitar impulsos e por reagir com firmeza , raio de equilibrismo quase desumano;
10. Posse! Se pudéssemos usar um comando como na "play station"...mas não existe.
Património é "O" espaço interior que nos permite harmonia entre a Liberdade de Espírito e os Compromissos com os outros.
E porque tudo é precário, há que preservar o único património que temos: nós próprios.
O meu legado... sou eu, e o que quiserem recordar de mim.
Todos somos um património activo, todos temos o dever de o cuidar; e a única forma eficaz de o preservar é saber transmiti-lo à geração seguinte.
(dedicado ao aniversário do meu filho)
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