"A nossa vida é toda ela feita de acasos. Mas é o que em nós há de necessário que lhes há-de dar um sentido."
Vergílio Ferreira
De que qualidade somos feitos, que disponibilidade, que afectos.
Dou por mim a pensar que é nestes tempos de ajustamentos sociais e económicos profundos, que a selecção de pessoas em função dessa "qualidade" é mais visível. O ciclo de escalada social e de privilégios está em ruptura e vemo-nos agora numa espécie de laboratório raio-X, ora com esqueletos d'almas, ora com verdadeiros e imprevisíveis heróis.
A disponibilidade para ajudar, seja de que forma for, é um presente de que nem todos são capazes, cheios dos seus problemas e sem espaço para os problemas dos outros.
Por isso, estes tempos de tensão, de ajustamento forte, de incertezas, num contexto global simultaneamente tão informado e tão convulso - de que a Síria é forte epicentro de preocupações - dou por mim a ver o lado "meio cheio do copo", feito de pessoas em que tropeço plenas de consciência dos outros...e isso é mesmo o lado maravilhoso da vida.
É hoje uma reflexão curta. Simples.
Devemos acolher o dia-a-dia com o sorriso dessa disponibilidade.
E estarmos gratos a quem a usa connosco.
Vivemos um tempo brusco de mudança em Portugal e na Europa.
E o que faz a diferença na civilização, é esta qualidade de saber sofrer o ajustamento económico, sem descurar a solidariedade com quem está pior que nós.
No limite (ou melhor...quando entendemos sentirmo-nos no limite), há sempre milhões de pessoas piores que qualquer um de nós.
Por isso, espalhe-se sorrisos, descomplique-se a vida e abrande-se as queixinhas. Lute-se pela ética no trabalho, confronte-se a falta de respeito com que se é tratado ou explorado, mas abuse-se sempre da disponibilidade e dos afectos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário