(escrevi hoje sobre sobre os idosos e sobre a importância dos afectos...sinto ter que complementar essa reflexão, ainda hoje, com a emergência do Estado...Social; no final, entende-se porque separo as expressões)
Em tempos de "austeridade" e de "ajustamento", os políticos ressuscitaram a expressão de "Estado Social". Curioso. Nas décadas de "crescimento", plenas de auto-estradas, vias rápidas, estádios de futebol, plasmas e muito "wireless", "oh yeah" ... a expressão já tinha sido abandonada. Talvez já não fosse necessário pensar nisso.
Afinal, o "Estado Social" renasceu agora nos debates da nossa mui iletrada classe política.
Mas então...o que é isso?
É na realidade um extraordinário legado europeu, nascido do suor de muitos que assim trabalharam - literalmente com suor -, e nascido inevitavelmente da devastação das guerras.
Aprendeu-se nos séc. XIX e XX, neste velho continente, que o Estado deve ser...Social. Simplesmente isso. O verdadeiro progresso de uma sociedade que se orgulhe e se regozije de ser democrática.
E então, as obras-primas do Estado Social são: Saúde, Educação, Justiça.
Quase todos os outros ministérios perdem autonomia financeira para antes se dotarem de ...estratégia (? outra expressão em desuso...)
Se o Ensino Público promover hábitos de trabalho, exigência e espírito de iniciativa, o crescimento económico dependerá menos de subsídios ou da actividade do Estado.
Pagar impostos e saber que não faltam cuidados de saúde acessíveis sobretudo a crianças e idosos, que o ensino público promove competência e empreendedorismo, que o serviço de Justiça é eficaz e que os pequenos delitos têm consequências sem fazer crescer os irecuperáveis processos de insanidade social sem repressão...uma infeliz miragem. Afinal, com retrocesso em qualquer uma destas verdadeiras frentes de batalha...ficamos...em ambiente "wireless", mas muito mais pobres.
Chegámos a um lamentável ponto de viragem em que afinal...as três áreas fundamentais terão que ser superiormente pagas para que sejam plenamente asseguradas, apesar de tanta evolução nas vias de comunicação, apesar de tantos centros comerciais, apesar de tanta "net".
Afinal, a geração mais idosa, que trabalhou mais duramente que os filhos criados num ambiente mais simples e facilitado, vê-se agora em retrocesso financeiro.
O Estado não é uma entidade abstracta. Todos somos e fazemos parte Dele, um organismo vivo que se alimenta de todos para a todos chegar.
Nascemos com o direito de ter acesso à saúde e educação que são pagos com impostos. Contribuímos com estudo, trabalho e função social. Os impostos asseguram este círculo de serviços, desde crianças até idosos...e assim fazemos parte do Estado, numa contribuição recíproca e permanente de trabalho, impostos e direito à saúde, educação e justiça.
Afinal de contas, use-se apenas e só a expressão..."Estado". Devia ser autoexplicativo. Devia, com dignidade, significar "Estado Social". Quem acrescenta agora o "Social" terá eventualmente que rever se faz dignamente parte do "Estado".
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