"José ? (...desculpa, não me lembro bem do apelido, só sei que é de um filósofo grego)
Não leves a mal que assim me dirija sem invocar o teu curso de engenharia, mas…sinceramente…não faças questão. Não era preciso teres inventado o curso, as tuas competências são imensas e muitas delas não terias aprendido em nenhum Curso Superior.
Como sei que tens bastante tempo livre, e te dedicas agora a superiores assuntos de filosofia, poderás certamente reflectir naquilo que tenho para te dizer.
Não te sintas culpado por nada do que aconteceu ao país; na realidade, foste um produto nosso. A maioria do povo português confiou-te o governo da nação porque, simplesmente, personificaste o sonho da maioria, sabes porquê?
- porque não precisaste de curso superior para ter sucesso, és mesmo esperto;
- porque cuidas da tua imagem, vestes Armani e tens um largo sorriso;
- porque falas bem, numa capacidade imbatível de usar muitas palavras inúteis mas belas de se ouvir;
- porque entendes que o Estado é uma entidade abstracta que se pode endividar infinitamente, sem ter nunca que prestar contas;
- porque, assim como o Estado tem uma abstracção de dívidas, a obrigação do seu pagamento é uma enorme maçada inventada por gente chata, e quando for enorme, há-de-se renegociar sem perder credibilidade, numa espécie de ilusionismo financeiro que só tu conheces;
- porque manobras bem as palavras e sabes o que os eleitores gostam de ouvir;
- porque és mestre em manipular pessoas.
Na realidade, reconheço que a tua maior competência – a de influenciar pessoas – está a fazer falta ao nosso Ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Abdicou ele da sua carreira internacional para vir fazer contas ao país…é evidente que está pesaroso com a equação impossível em que nos deixaste…faz-lhe falta uma pessoa como tu que saiba comunicar e influenciar e que nos explique que a alternativa a tudo isto seria termos saído do Euro, voltar ao escudo com a desvalorização de quase 50% e com um empobrecimento muito mais grave e súbito do que este.
Não há choques suaves…e antes que fosses chamado a prestar contas, foste estudar filosofia. A proeza do vilão que escapa sempre quando está quase a ser apanhado...e qual James Bond, que está sempre impecável no seu Armani…és de facto extraordinário e, digo-te, davas um herói de cinema.
Peço-te, muita sinceramente, que me avises com antecedência assim que, qual D.Sebastião de que tanto gostamos, pretendas regressar para salvar a nação deste Governo de gente tão fria e mal intencionada…é que, de imediato, terei mesmo que emigrar, não aguentaria ver outra vez o meu país entregue às tuas loucuras.
Mas também te digo que terias remissão se usasses a tua tremenda capacidade de influenciar para relembrar a tua gente que também assinaram o acordo com a troika…lembrar que o caminho fácil da insulta ainda destrói mais o país. Mas é claro que seria pedir-te imenso, pois se precisaste de inventar um curso, se compraste o conhecimento em vez de sofrer por ele, se desconheces o suor do trabalho...pois bem, estás condenado a não ter a seriedade que complementaria a tua imensa habilidade política.
Tenho mesmo pena...as tuas competências de negociação não podem ser usadas pelas equipas sérias que procuram soluções...tenho mesmo muita pena.
Enfim, deixa lá, não se pode ter tudo.
Espero que, no teu curso de filosofia, já tenhas aprendido a reflectir nas coisas, pelo menos com seriedade intelectual.
Adeus,
Não retiro uma palavra.
ResponderExcluir