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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Accordo Ortoghráfiquo 2030
Uns senhores luso-brasileiros, de um regime oligárquico desconhecido de um país certamente daqui distante, decidiram que: "O português passa a privilegiar o critério fonético em detrimento do critério etimológico, aproximando a escrita da forma falada das palavras". Mas que bem. E assim decidiram, não porque nós, portugueses, estivéssemos confusos com a nossa forma de escrever, não porque os brasileiros não entendessem o português de Portugal, não porque as diferenças de escrita entre países de língua oficial portuguesa dificultassem quaisquer trocas comerciais ou culturais. Simplesmente decidiram e pronto.
A cronologia das reformas ortográficas evidencia o reforço da irmandade com o Brasil, vejamos:
- O 1º Acordo Ortográfico foi assinado em 1931, entre Portugal e Brasil;
nunca foi posto em prática;
- Em 1945, entrou em vigor novo Acordo Ortográfico;
não foi ratificado pelo Brasil;
- Em 1996 foi ratificado o Acordo Ortográfico de 1990 por Portugal, Brasil e Cabo Verde (seria desta vez que resultaria na prática para todas as partes?)
Pois bem...Portugal introduziu a sua nova grafia no sistema educativo, em 2011, e nas publicações oficiais, em 2012...mas...o Brasil prorrogou a sua implementação para 2016.
Nós dizemos aos brasileiros: "légal, vamo fálá como voçês, né? Iscrévêmo párecido e pronto."
Ao que eles respondem: "caras...logo se vê".
Portanto, vivemos este abçurdo (absurdo? abessurdo? ora, tanto faz, então não estamos no império da fonética?) de grafia despersonalizada, de etimologia desprezada, de património mutilado.
Somos de facto, extraordinários. Únicos. Aspiramos a ser "bondosos" e deixamo-nos ser ultrapassados por meia-dúzia de supostos eruditos, comerciantes de línguas como se de mercadoria se tratasse. Património e mercadoria, tratados de igual para igual.
E eis-nos, numa maioria silenciosa, conformista, envergonhada, tímida, encolhida. Quase que pesarosos do nosso passado.
Não será impossível que, algures em 2030, um novo regime oligárquico desconhecido de outro país de novo certamente daqui distante, venha a refundar a língua-mãe e venha a promover novo "Accordo Ortoghráfiquo" com o nosso país-irmão, com novos pressupostos...não estranhem um futuro artigo de opinião dos fundadores, nos seguintes termos, e com as seguintes surpreendentes grafias e propostas:
"O nossum país-irmão Brasil tem vindo a prorroghar a adoção do accordo que acssinou connosco. Pesso desculpa, mas de factum, concluímos agora que, retirar da nossa ethimologia, as consoantes mudas, é retirar carácther à nossa língua.
Reçusssitemos o grafismo inaudhível e a distincção da língua-mãe. E agora, que se fassa com pressiosismo. Reccupere-se, com exagero, o que perdemos. Porque as civillizações não conhecem o estado “sensato” da evolucção; ou destroem com demasiado facilitismo o que demorou sécculos a construir, ou constroem velozmente um pallacium em cima de esccombros, sem qualquer estruthura."
eheheh...dá vontade de rir? Pois...mas do futuro, ninguém sabe. Por isso, pode mesmo ser um cenário (ccenárium??) possível...
A única certeza é a confusão linguística em que se vive atualmente, onde atualmente pode ser ou não actual, dependendo do ano, do local, da instituição e até mesmo do país onde se está.
A nossa língua envergonhou-se, escondeu-se, descaracterizou-se, reduziu-se a fonética, meus senhores, ou cenhores, ou çenhores, tanto faz, ou fas. Escreve-se como se fala e, nisso, seremos a língua mais democrática do mundo.
Alterar uma língua para privilegiar a maioria demográfica de outros países à identidade do país-mãe…é medíocre, pobre e ridículo. A língua é património, e tem simplesmente que prevalecer.Tem essa autoridade, essa legitimidade.
Que vergonha termos vergonha de sermos língua-mãe...assim descurámos a nossa identidade.
Este Acordo Ortográfico açaçinou a nossa cultura. Bem çei que não é açim que se escreve nem à luz do novo Acordo...mas cualquer dia, deixamos de escrever com erros, tudo valerá, a bem da fonética.
Voltar atrás? Tem custos, muitos custos num país que se pretende agora poupadinho...mas não se olhou a custos para alterar as publicações oficiais com o novo Acordo. Tristes paradoxos.
Sim, é possível voltar atrás...ou será que temos que pedir o parecer ao Tribunal Constitucional?
Não, submeter ao escrutínio de outro "regime oligárquico desconhecido de um país certamente daqui distante", é que não.
Poderíamos simplesmente voltar atrás, assim perdoando a dívida a todos os portugueses...sim, este Acordo criou uma imensa dívida de um pequeno grupo de senhores à esmagadora maioria de um povo a quem dói muito perder a sua identidade.
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