Sinto vergonha com esta marcação de greve geral para o dia dos exames nacionais dos nossos jovens dos 2º e 3ºs ciclos.
É uma atitude irresponsável, violenta, subversiva, sem respeito pelo trabalho dos nossos jovens.
Devia ser pedido parecer ao Tribunal Constitucional: o que deve ser privilegiado? O dever de fazer os exames nacionais ou o direito à greve geral nesse dia? E os exames nacionais são um dever ou um direito? Devem os alunos sentir um dever em fazer um exame nacional, ou sentir o direito pela educação?
E há ou não o direito de fazer greve à greve?
Pois é...que confusão de valores. O que vem primeiro, afinal? Em que tipo de sociedade vivemos? O trabalho é um direito ou...conquistam-se direitos depois do dever do trabalho?
...voltemos ao princípio...
A greve tem uma justificaçao histórica muito digna e legítima. Foi consequência da exploração fabril, da falta de direitos por entre muito suor de trabalho. Em honra dos que sofreram para criar o direito à greve, não pode ser usado com perversão ou banalização.
Imagino-me grevista num contexto de opressão e em que seja desrespeitada ou destratada. Agora... numa sociedade regida por uma Constituição e um regime laboral que prevê "os" direitos fundamentais"...o direito à greve tem que ser bem pensado.
Também estou escandalizada com a severidade dos tempos, sobretudo com o endurecimento da vida dos pensionistas; os meus pais são de uma geração em que o valor "trabalho" em vez do "mandar trabalhar" dignificou-os enormemente como pessoas de qualidade e integridade. E tenho-lhes um respeito profundo, admiro essa geração que viveu com respeito pelo "Estado", reconhecendo não a sua abstracção como se de um ente estranho que suga impostos se tratasse, mas antes fazendo parte de um extraordinário sistema de serviços públicos em que crescemos.
Este apelo à greve num dia fundamental para os nossos jovens, tem o mesmo grau de frieza com que os dirigentes políticos destrataram os nossos pensionistas.
Parece que os sindicalistas não têm filhos...e os políticos não têm pais...são igualmente "afamiliares", ou então uma estranha raça de agregados familiares unipessoais...
Esta greve atropela um património essencial do país: a educação. E, por isso, não merece o meu respeito. Vou antes exercer o meu direito de trabalhar no dia 27 de Junho.
Subscrevo, na íntegra!
ResponderExcluirMais um excelente texto, Parabéns!
E que contradição; felicitar-te por escreveres sobre um tema que nos entristece ...
Beijinho*
É mesmo uma estranha contradição...agradeço imenso a partilha. Temos que acreditar que haja uma maioria íntegra que acredite convictamente em como esta greve é um insulto aos jovens, à educação, àquilo que temos que saber preservar. Vou acreditar que não vivemos no caos que estes dirigentes sindicalistas nos querem fazer crer. Que não se faça greve no dia 27 de Junho!
ExcluirObrigada!
Parabéns, Paula !
ResponderExcluirTambém subscrevo, sem quaisquer reservas...
Há que contrariar veementemente esta sede de "terra queimada" que parece grassar em algumas franjas da nossa sociedade, semeada, muitas vezes, por uma comunicação social ávida de "sangue", de "caixas" que possam gerar lucros e confirmar esta influência desmesurada e não escrutinada do "quarto poder".
Vamos criar um movimento nas redes sociais para não fazer greve no dia 27 de Junho ?
Por mim...claro que sim! Redes sociais...que sejam utilizadas para grandes causas, para reformas, para dar voz à maioria silenciosa que contribui para o equilíbrio social.
ResponderExcluirPaulinha. Já te dei os parabéns pelo telefone, mas agora que já sei - porque tu me ensinaste - quero deixar gravado o seguinte: tenho muito orgulho em ti, pelo modo como ages perante a vida e pelo modo como expressas o teu sentimento de cidadã espoliada de bens que bem merecias ter. Quanto à "greve à greve" fazes bem em não alinhar com esses "mafarricos" armados em valentes, quando a valentia deles é fazerem pouco dos mais fracos, como são os jovens que eles só respeitam na retórica inflamada dos discursos de ocasião. Como ... por enquanto - num País em que tudo é inconstitucional - a "greve à greve" ainda o não é, vai rabalhar e prova, assim a tu diferença. E que Deus te ajude. Um beijo grande do pai.
ResponderExcluirPor partes (como tu alias bem fazes...), o direito à greve é inquestionável e muito mau seria se deixasse de ser. Marcar uma greve geral para uma data em que ja estavam marcados os exames é uma falta de consideração. diria mesmo falta de civismo, de sentimento de cidadania.
ResponderExcluirA par do saneamento financeiro, o governo ( este, o anterior, o proximo, outro qq)deve restaurar duas áreas que são pilares de uma sociedade que se queira viva e justa : a educação e a justiça
mas não pode ser só trabalho do governo e autoridades ! tem de ser prática da sociedade. uma sociedade sem formação, sem educação não tem futuro. uma sociedade sem sentimento de justiça em que se tolere o crime pequeno ou grande, em que se sinta que existe impunidade, nem presente tem.
ora não serão os cidadãos que se queixam de que a justiça funciona os mesmos que agora assinam uma greve q vai contra os valores da educação ? em que ficamos ?
e a greve é contra o quê ? a austeridade ? ( palavra com valor agora tão maltratada ) apresentaram alternativas honestas ? ou temos mais uma dose de diagnostico à la "medina carreira" ?
devemos fazer greve contra a preguiça, contra a inveja, contra o desperdicio, contra o consumismo irresponsável, contra a sede de lucro fácil e rápido, contra a ignorância,...
...exactamente! Será que fazemos parte de uma maioria escondida, e silenciosa que, afinal de contas, pensa da mesma maneira? Que assim seja...o futuro é feito de gente sem preconceitos por "trabalhos menores", sem medo de perder direitos, simplesmente com o sentido de deveres antes de mais. Afinal...políticos profissionais e sindicalistas são todos uma espécie de "aristocratas" falidos".
ResponderExcluirHaja esperança e...continuemos a trabalhar.
Que bom partilhar opiniões! Obrigada!