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sábado, 18 de maio de 2013
"We can do it"! Um património
Entrei no seu gabinete e fiquei...por entre a confusão de telas, cores, texturas e detalhes afins do seu enorme espaço de trabalho...fixada nesta tela. Ela percebeu e sorriu-me, com aquela cumplicidade feminina de quem sente a coragem e força de ser mulher. Continuámos a nossa troca de impressões e, julgo, não tenha tido a noção em como esta tela me tinha inquietado de forma tão poderosa.
Quando cheguei a casa, procurei e encontrei a sua História (sim, História com H maiúsculo, que histórias é coisa que nos sai à mesma velocidade com que nos entra):
- o cartaz foi criado em 1943 por J. Howard Miller, para a Westinghouse Electric Corporation, baseado numa fotografia de uma operária numa fábrica em Michigan, como imagem inspiradora para levantar o moral dos trabalhadores em plena 2ª Guerra Mundial;
- mais tarde, foi usado para promover o feminismo e outros temas políticos da década de 1980;
- foi capa da Smithsonian em 1994 e tornou-se um selo postal dos Estados Unidos;
- foi usado em 2008 como material de campanha para vários políticos norte-americanos e foi reformulado por artistas em 2010 para celebrar Julia Gillard, a primeira mulher a tornar-se primeiro-ministro da Austrália.
Que esta imagem me fique gravada na minha "História"...no sentido em que não devo esquecer e me deve colorir o fundo do que sou feita.
Não só pelo facto de ser mulher e de gostar dessa condição. Mas também porque me sugere várias ideias de força:
- "to do", o "fazer"... o "arregaçar mangas", o não orientar trabalho sem a experiência de o saber fazer; é o meu património, o principal legado ao meu filho, e que ele saiba cuidar durante toda a sua vida;
- "we can", a alquimia; o "acreditar" que parece simples mas não é, só é chamado aos nossos ânimos quando nos parece impossível ultrapassar o que quer que seja. E...vamos lá ser francos...só é possivel quando sentimos que não há afinal nada a perder, com a coragem do desapego pelo que se tem;
- "it" ... exactamente "aquilo", o que tem que ser feito, sem conseguir vislumbrar o que se segue, sem supôr que a etapa seguinte virá por acréscimo, sem "to do" ou sem "we can".
São três conceitos muito simples, parecem básicos, estupidamente comuns. Mas são o ânimo do dia a dia, da vida e o que fará os nossos filhos inspirar-se e não vacilar nas dificuldades.
Um legado cultural que perdemos no ADN de portugueses em Portugal, mas que sabemos usar tão bem além-fronteiras.
Mas sobretudo, um estado individual de alma, uma religião de vida.
Um acto de fé.
"O" património. Porque desta vida não levamos nada, deixamos ficar simplesmente as nossas Boas Memórias, a nossa história ou "História" consoante tenhamos ou não sido capazes de viver simplesmente no reinado de "We Can Do It!".
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Concordo inteiramente!
ResponderExcluirIndependentemente do género, há que, urgentemente, recuperar esse "legado cultural", há muito esquecido mas que, a espaços, emerge, por via de empresas, associações ou, muitas vezes, de "singelos" e anónimos indivíduos que, pura e simplesmente, se limitam a... "make it happen" !
É muito reconfortante sentir "concordo!". E, na verdade, nesta nossa querida Europa, haverá este despertar de atitude, porque é o único caminho possível.
ExcluirComo pessoa, espero não me desiludir comigo própria e não me esquecer de "we can do it" nos desânimos, quaisquer que eles sejam.
Muito, muito obrigada.