"Menino Paulo Portas,
Assim me obrigaste a este tratamento: por "menino".
É claro que, caso tenhas verdadeira consciência individual, ética e sentido de Estado, não arrastas os restantes colaboradores do teu partido, no Governo. Ainda podes revelar a coragem de assumir simplesmente um desgaste individual, uma divergência profunda. Sairias simplesmente, cheio das tuas razões, mas sem destruir o pouco da CONFIANÇA que nos resta.
Mas talvez seja pedir demais...é tão melhor este intenso protagonismo, este "grito do Ipiranga", esta sanguinária loucura. Cheio de gozo no imediato, e completamente destruidor a prazo do teu e nosso País, e até mesmo, do teu futuro político.
Contudo, repito, ainda tens hipóteses de reparar o teu erro: se os outros Ministros e Secretários de Estado do teu partido, não apresentarem a demissão, se afinal tiverem rosto e consciência individual acima do espírito de seita.
Mas, se te seguirem, passas a ter o fardo do odioso da maioria silenciosa que tem ajustado a sua vida em prol da nação, para cima de ti. Aí, revelas-te um cobarde. Afinal, um jornalista da pior espécie.
Vais hoje fazer uma comunicação ao País.
Não sou capaz de te ouvir. Só é verdadeiramente relevante saber se é uma decisão individual ou do partido e, para isso, não precisas de tanta pompa e circunstância. Já chega de comunicações ao País. Essa função só compete ao Primiero-Ministro e ao Presidente da República.
Só serias de facto genial e verdadeiramente engenhoso se tivesses feito a tua Oposição com mérito na coligação, se tivesses sido capaz de negociar com o Passos Coelho e sua equipa.
Mas, pelos vistos, não foste capaz.
Não sabes ser um nº 2, preferes ser o nº 1 de um pequeno partido, certo? É tão mais simples estar na Oposição, pois é.
Mas...insisto...caso a tua posição seja apenas e só, pessoal, então farias parte daquela estirpe de verdadeiros homens de Estado.
Vamos ver se vais ou não cair na tentação da vulgaridade.
Espero poder promover-te de "menino" a "senhor".
(hoje escrito, com a emoção de um 2º momento, em plena verdadeira crise política, à beira de um abismo irreparável nos próximos anos....só reparável daqui a algumas gerações).
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