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domingo, 14 de julho de 2013

IWorld

"-Viste o meu email de ontem?
- Email? Mas acho que enviaste SMS.
- Não, enviei-te email com imagem em anexo do sítio onde estava!
- Ahh, achas que conseguia ver? Tens que enviar MMS, não se consegue abrir ficheiros, não tenho ipad.
- Ih, pensava que tinhas já iphone! Bem, então da próxima tenho que ligar primeiro, não me digas...
- Ou então publica no facebook, vejo de imediato no meu Nokia, tenho acesso;
- Ah, ok.

(não se falou de nada...certo??? E, confesso, faço parte destes diálogos absurdos e digo estas parvoíces.
Mais: uma pessoa mais atenta cedo perceberá das minhas imperfeições neste domínios...)

"That's it! The wonderful world of... IWorld!"

Antes de comunicar o que se pretende partilhar, é fundamental o clickar" ou o "touch" e...já está! Se a outra pessoa receber e gostar, pode fazer ou um "like" ou um "risonho" e pensa-se, reconfortado:"Ah, este é meu amigo! E está atento, é moderno, não é nenhum tótó".

Caso não reaja no momento, fica cadastrado como não tendo atenção aos amigos, ou não estando devidamente actualizado.

Em suma...neste "IEverything" já não se pode estar sossegado. O silêncio é simplesmente banido da nossa avançadíssima civilização.


Esta realidade tem impactos quase completamente fora do nosso controle, eis alguns de que me lembro, na sequência do actual contexto de crise política:

- após um comunicado de uma figura do Estado, os partidos políticos e os analistas têm que pensar em escassos minutos e magicar uma reacção que pareça altamente amadurecida ... de imediato, os jornalistas fazem perguntas e exigem reacções. Caso nada haja a dizer, vêm os analistas crucificar a incapacidade de quem simplesmente precisaria de tempo para amadurecer uma posição. Ou então, vêm os jornalistas acusar os entrevistados de algum complexo com o jornalismo e a sua pretensa livre opinião.
Logo...é difícil que haja reacções com bom senso.
Há soluções para resolver esta vertigem de media, claro...se houvesse uma supervisão com regras de conduta que obrigasse os senhores jornalistas a esperar, em momentos de particular importância que assim fossem previamente classificados pelos nossos dirigentes políticos. E tantas outras soluções que não são pensadas porque se vive uma loucura colectiva de ruído e de rápida informação;

- os mercados financeiros reagem on-line a tudo, até mesmo aos silêncios; mas funcionam em função das das convicções dos investidores, simplesmente isso.
Actualmente, vive-se um intenso "trade-off" entre Norte e Sul: ganham os do Norte que, para além das suas boas contas de Estado, ganham mais se especularem nos desgraçaditos do Sul. Em contrapartida, os do Sul, minados de falta de confiança nas respectivas Pátrias, compram dívida pública dos países do Norte, sem discutir a remuneração próxima de 0. Um refúgio, a troco do descrédito na sua nação.
Bom...os mercados têm que funcionar, não tenho nada contra...o que lamento é a falta de confiança, por seu turno induzida pelos media sedentos de discórdias. Um caos.

Sinto que tenho a imensa sorte de viver no tempo da Internet, da imensidão de meios de comunicação, da plenitude de informação com enorme rapidez, das redes sociais que nos dão contactos, feed-back e conhecimento com uma velocidade estonteante.

Mas também sinto que, não só este "IWorld" deve ser mais regulado (haja exigência aos media de respeitar silêncios), como também, cada um de nós deve cuidar da necessidade de...sossego. Não termos medo de não estarmos sincronizados "on-line" com tudo e com todos. Num mundo quase completamente "wireless", não deixar de sentir o comando do nosso silêncio.





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