Acabei de ver uma notícia na SIC Notícias que me provocou uma enorme Pausa. Simplesmente isto: uma mulher, Celeste Lobo, com cancro e com o Rendimento Social de Inserção, foi viver para Pampilhosa da Serra e dedicou-se a tratar de animais visivelmente abandonados e em vias de abate. Em condições totalmente precárias de saúde e de alojamento, passou a dedicar-se inteiramente aos animais e a conseguir a adopção de futuros donos através de redes sociais.
Fui pesquisar à Internet e encontrei múltiplas referências, incluindo o seu blog; ei-lo e uma publicação que seleccionei:
http://celestelobo007.blogspot.pt/2013/02/solidariedade-apelo-solidariedade.html
Desconheço a história de vida da Celeste e, sinceramente, não é de todo relevante. O passado de cada um é um santuário a respeitar.O que me interessa são as boas práticas.
A sua luta pela falta de saúde e pela falta de emprego não foi a opção por sem-abrigo, não foi a "caridadezinha", não foi a entrega a práticas criminosas, não foi a revolta com tudo e com todos. Foi a entrega a uma causa em que acredita. E assim combate a solidão, assim silenciará as suas revoltas.
Apostou num "Euromilhões" de afectos.
Registo também que a SIC tem vindo a contar cada vez mais histórias positivas, por contraponto de notícias escabrosas e trágicas. Que aumentem ainda muito mais o recurso a reportagens de BOAS históricas; assim iluminam o dia-a-dia de muitas pessoas sós, assim reeducam, assim cumprem uma função social de que os media deviam ser punidos por se alhear.
Há uma quantidade crescente de desilusões e de sérias dificuldades de muitas pessoas, no dia-a-dia. É transversal a todos e aqui, não vejo propriamente uma fronteira entre essa primária noção de ricos e de pobres. O que é que define um "rico"? A partir de que montante de bens? A partir de que saldo positivo entre liquidez e dívidas? A partir de que hectares de propriedade ou de que áreas de imóveis? Com que marcas de vestuário, de relógios ou de carros?
Pois...não se sabe.
O que é relevante é que cada um de nós tem o seu caminho, e deve encontrar a sua estratégia de vida, sem cair num poço fundo de revolta, de desilusão, sem optar pela "inércia" mental de deixar de ter esperança.
Há excluídos sociais que ensinam os menos pobres (os mais remediados, os mais ricos? não sei bem definir) a manter a "guarda", a não cair, a viver com dignidade.
Celeste Lobo é um Exemplo. Estou grata pela descoberta de hoje.
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