Camarada: não menospreze esta carta aparentemente demasiado informal e em jeito de paródia; não subestime, há sempre estratégias mais diabólicas do que aquilo que possa engendrar, sobretudo quando não admite os seus erros. Esteja atento aos conselhos da pessoa que lhe escreve assim:
Camarada,
Fez muito bem, pá: não é preciso ganhar as eleições. A democracia é liberdade, pá! Vale tudo!
Olhe, fique já 1º Ministro e Presidente da República, não vá o 2º eleito pôr-se com ideias de fazer a mesma golpada; deve estar omisso na Constituição, por isso, passa.
Quanto à Catarina Martins, porreiro, pá: já se acalmou quanto aos assuntos europeus, que fique Ministra dos Negócios Estrangeiros e passa-lhe de vez!
O Jerónimo, bom...esse é honesto...se calhar vem com a lengalenga do Estado Novo e lembra-se que é contra as ditaduras, e esta jogada parece coisa igual...mas diga-lhe que esta ditadura é das boas, feita com a malta, pá!
Isto até parece que é um golpe de Estado, mas não é: afinal, podemos juntar os votos da maneira que quisermos, assim como fazer puzzles. Voçê é mesmo esperto!
Olhe, mas ponha-se a pau com os do seu partido...há quem não lhe perdoe ter perdido as eleições, e pense que foi uma oportunidade desperdiçada e até histórica, com um contexto destes...'tá a ver, a malta agarra-se ao poder e não perdoa nada...podem-lhe fazer o mesmo, umas negociações e pimba, montam-lhe uma cilada assim com uma espécie de maioria negativa. Tenha lá cuidado...
Finalmente...se puder, arranje-me um empregozito...olhe que 'tou consigo!
Saudações, camarada!
:)
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